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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

À conversa com Noiserv

Dezoito horas, escadinhas da Rua Ivens. Três animadas raparigas fumam um charro enquanto falam, de forma despudorada, dos detalhes das suas vidas sexuais (bem aventurados sejam, anos 60, pela revolução sexual da emancipação feminina). David Santos, nome de “civil” de Noiserv, aproxima-se de nós para uma simpática conversa acerca do seu mais recente longa-duração, Almost Visible Orchestra, lançado de forma independente no passado dia 7. 

A entrevista pode ser lida no Espalha Factos.

domingo, 29 de setembro de 2013

À conversa com os Linda Martini

Foi numa tarde abrasadoramente quente que nos sentámos à conversa com Cláudia Guerreiro e Hélio Morais, baixo e bateria dos Linda Martini, quarteto lisboeta formado em 2003 e que conta também com André Henriques na voz e guitarra e Pedro Geraldes na guitarra. O pretexto para este encontro, que teve lugar numa acolhedora mesa na Casa Independente, em Lisboa, foi o terceiro LP de originais do grupo, Turbo Lento, com lançamento agendado para amanhã, e que marca os dez anos de carreira do grupo.

A entrevista pode ser lida no Espalha Factos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Entrevista: Linda Martini

Os Linda Martini são um quarteto lisboeta composto por André Henriques, Hélio Morais, Pedro Geraldes e Cláudia Guerreiro. Formados em 2003, produziram o seu primeiro registo em 2005, o EP homónimo Linda Martini, onde nasceram faixas como Este Mar e a célebre Amor Combate.

Desde muito cedo cultivam uma vasta legião de fãs, sempre pronta a prestar-lhes culto, e que só aumentou com a estreia nos LP’s, em 2006, com o sublime Olhos de Mongol. Sempre com uma sonoridade própria, com uma entrega imensa e com os lirismos muito bem conseguidos, foram acumulando notoriedade e  popularidade junto do público através dos lançamentos dos EP’s Marsupial e Intervalo.

Se eram já uma das bandas mais adoradas no panorama alternativo português, Casa Ocupada, lançado em 2010, catapultou-os ainda mais para o topo, quer em termos de fãs quer em termos qualitativos. De promessa, rapidamente se consolidaram como uma das melhores bandas portuguesas de todos os tempos. São os Linda Martini, e o Música Dot Com falou com eles:

Os Linda Martini surgiram depois dos elementos da banda terem andado na estrada com projectos musicais que enveredavam uma vertente mais marcada pelo hardcore e pelo punk. De que modo julgam estarem presentes estes géneros musicais na vossa sonoridade?
Linda Martini: Na maneira como fazemos e encaramos a música, essencialmente. Temos sempre a última palavra nas decisões que afectam a carreira da banda. Não temos um manager omnipotente. Estamos sempre por dentro de todas as decisões, sejam elas de edição, promoção, merchandising, etc. E no gostarmos de tocar alto e sujo, claro.

Na vossa já longa carreira [contam com quase 10 anos de existência] sucederam-se já algumas peripécias relevantes que sentenciaram os Linda Martini tal qual como são hoje. Uma dessas situações foi a saída do Sérgio, membro fundador do grupo, e as razões para esse afastamento nunca foram muito explícitas. Que circunstâncias ditaram a sua saída?
LM: Nenhuma circunstância especial que mereça grandes comentários. A vida é feita de amores e desamores, de vontades simultâneas e de vontades desencontradas. O Sérgio seguiu um caminho, a dada altura, e os restantes membros seguiram outro. Simples, sem grandes dramas. Mantemos contacto.

A vossa música prima pela sua originalidade e criatividade. Notam-se suaves aromas de bandas como Sonic Youth, At The Drive-in, ou até mesmo, e numa dose menos carregada, Nirvana, mas o que é facto é que vocês conseguem fazer do vosso som, um som único. Se vos pedissem para caracterizar o vosso género musical, como o classificariam?
LM: Rock!

Contam, até agora, com uma discografia constituída por três EP’s (Linda Martini, Marsupial e Intervalo) e com dois LP’s (Olhos de Mongol e Casa Ocupada). Nestes 9 anos de Linda Martini qual foi o registo que mais vos deu prazer em trabalhar, e porquê?
LM: Todos eles foram especiais à sua maneira. O Linda Martini foi o início e por isso tem logo uma carga muito forte. O Olhos de Mongol foi um disco em que conseguimos explorar várias coisas que queriamos experimentar. O Marsupial foi um disco mais tranquilo, em que deixámos as canções respirarem um pouco mais e foi um disco em que compusemos bastante já no estúdio. O Intervalo foi o disco em que decidimos convidar aqueles que nos acompanham nos concertos, para fazerem parte desse mesmo registo e foi igualmente o disco que nos fez perceber que gostamos de gravar em registo directo. O Casa Ocupada foi o disco mais directo e intenso que gravámos e foi também em registo directo, pelo que nos fez sentir uma banda mais coesa, logo na gravação. Quando o gravámos, já sabiamos tocar as músicas bem.
São cada vez mais idolatrados no panorama musical português. São constantemente invadidos pelo carinho do público, o que é notório nos vossos concertos ao vivo. Foi neste contexto que decidiram elaborar um registo mais «ao vivo» como Casa Ocupada, criando um ambiente propício a estabelecer-se uma simbiose perfeita entre a banda e o público com momentos como, por exemplo, a faixa Cem Metros Sereia a servir de mote?
LM: Não pensámos muito no Casa Ocupada. Na verdade, as primeiras quatro músicas que fizemos foram a Belarmino Vs., a Ameaça menor, a Queluz menos luz e a S de Jéssica. Portanto poderíamos ter ido num registo mais instrumental ou mais rock, nessa fase. Intuitivamente, acabámos por ir no sentido mais rock do material que tínhamos na altura.

Existe muita gente que vos apelida de “Os Sonic Youth Portugueses”. A faixa Juventude Sónica, de Casa Ocupada, é, de algum modo, uma crítica a essa opinião? Com que atitude encaram essa comparação?
LM: Sempre achámos um pouco redutora a comparação. Quando fizemos a Juventude Sónica, foi a primeira vez que pensámos: “Hey! Isto lembra um pouco Sonic Youth”. E por isso decidimos facilitar o trabalho a quem está sempre à procura de algo para criticar.

Quem é o principal responsável pelas letras das músicas dos Linda Martini?
LM: O André.

As vossas letras apresentam, quase todas elas, um lirismo simples e uma estrutura reduzida. Faixas (de sucesso estrondoso) como Dá-me a tua melhor faca ou Elevador são exemplos máximos disso mesmo. É na premissa de dar alento ao vosso poder instrumental que optam por composições líricas mais pequenas ou existe uma segunda intenção como, por exemplo, criar, através dessas mesmas letras, uma atitude introspectiva no ouvinte?
LM: Há sobretudo uma preocupação de não escrever só por escrever. Se a música pede só um verso, é isso que lhe damos. Se uma frase sozinha fala pela música toda, não vamos estar a inventar mais e com isso retirar força a essa mesma frase. É algo também muito intuitivo.

Qual o concerto que, até hoje, mais tiveram prazer em dar e qual o vosso palco de sonho?
LM: É um pouco complicado escolher um. Já fomos muito felizes em Paredes de Coura (das duas vezes), no Optimus Alive de 2009, no Ritz (este ano), nas Noites Ritual (2011), na ZDB (2011), etc. Palco de sonho, acho que não temos. Até porque às vezes, um palco de sonho pode-se revelar num pesadelo de concerto.

Actuaram, há pouquíssimo tempo, no San Miguel Primavera Sound, em Barcelona. Como foi tocar ao lado de bandas tão icónicas como, por exemplo, Mudhoney ou The Cure? E qual foi a reacção de nuestros hermanos à vossa performance? E quanto à actuação de Paus, alguma coisa a dizer?
LM: Não chegámos a estar sequer em contacto com essas bandas, ainda que tenhamos tocado no mesmo palco que The xx e afins. Somente nos cruzámos com os Friends. Quanto à reacção, foi a esperada; as pessoas estavam-nos a conhecer e ainda que não interagissem durante as músicas como estamos habituados em Portugal, entre elas eram bastante carinhosos e batiam bastantes palmas. PAUS também foi um bom concerto e divertiram-se todos bastante.

Quando pretendem matar a fome dos fãs com um lançamento de mais algum álbum ou de algum EP? Estão previstos, para breve, novos projectos?
LM: Estamos neste momento a fazer o terceiro longa duração. A ideia é gravar lá para o fim do ano e editar em 2013, para comemorar 10 anos de Linda Martini. Mas é acompanhar o nosso Facebook, para se saber de como as coisas estão a correr.

Entrevista realizada por mail por Emanuel Graça
Fotos da autoria de Paulo Segadães, gentilmente cedidas pela banda.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Entrevista: The Kafkas


Vindos de Cascais, João Garcia (guitarra/voz), Daniel Figueiredo (guitarra), Fábio Silva (bateria) e João Ricardo (baixo) são os nomes por detrás dos The Kafkas, um dos projectos mais interessantes do Indie Rock nacional dos últimos anos. Depois de alguns anos a “afinar a pontaria”, este quarteto começa agora a dar os seus primeiros passos rumo ao estrelato, apoiados pelo lançamento da sua maquete, produzida por Pedro “Lobo” no Estúdio Eléctrico, no Porto. Nesta demo podemos ouvir três canções que mostram uma clara influência do Garage Rock Revival de grupos como os Arctic Monkeys ou The Strokes, mas que está aliada a um reverb que lembra o Surf da “Linha”.
Aproveitando a deixa do lançamento desta maquete, o Música Dot Com foi falar com os The Kafkas, numa tarde que se revelou bastante animada, como vão poder ver nas linhas que se seguem.

Como é que surgiu este projecto?
JG Surgiu por volta de 2006, mas no início era só uma brincadeira. Nessa altura eu não sabia cantar nem tocar nada, eu e o Daniel só sabíamos uns acordezitos nas guitarras. Começou mais a sério em 2009, quando o João [Ricardo] entrou na banda e eu deixei de tocar baixo.
FS – Sim, uns meses antes disso eu entrei prá bateria, e demos apenas um concerto como trio, em Murches. Depois, quando o João Ricardo entrou, o Garcia passou para a guitarra.

E porquê o nome “The Kafkas”?
JG – Não sei, acho que é um nome muito Rock, que fica no ouvido. É um bocado “The Kafkas; tanto “K”, ‘bora lá!” [Risos].
JR – Admite lá que foi o primeiro nome que te veio à cabeça! [Risos]
JG – Não foi não! Achei um nome fixe, a sério!
DF – Eu acho que o nome surgiu quando eu e o Garcia vimos alguma coisa relacionada com o Metamorfose, e achámos piada ao nome “Franz Kafka”.

João Garcia, João Ricardo, Fábio Silva e Daniel Figueiredo - The Kafkas
Quais são as vossas principais referências no mundo da música?
JG – Epá, Arctic Monkeys, The Strokes, Franz Ferdinand...
JRThe Kooks.
JG – Nós gostamos de The Kooks, mas não sei se influencia assim tanto... Mas por exemplo, a All the Way vai buscar um pouco a Bloc Party, acho eu. E uma música que acho que nos inspira enquanto banda é a Golden Brown, se bem que não vejo os The Stranglers como uma influência para os The Kafkas. É tudo muito variado...
FS – Acho que os MGMT são um grupo que nos influencia um bocado, tanto que até fazemos uma cover da Electric Feel nos nossos concertos.
JG – Sim, também é verdade.

Acham que o facto de viverem num subúrbio de Lisboa tem alguma influência na vossa música?
JG – Tem, claro que sim.
FS – Vê a Where the Sun Sets.
JG – Ya, se quiseres até te posso mostrar a letra. “Where the sun sets” é aqui, em Cascais.
DF – Eu acho que o nosso estilo de música depende do nosso modo de vida.
JG – Eia, caramba, arrasaste agora com essa “bomba”, Daniel. [Risos] NEXT!
DF – É verdade. As pessoas com estilos de vida diferentes tendem a gostar de tipos diferentes de música, e as pessoas que conheço com o mesmo modo de vida que nós gostam mais ou menos deste género musical.

Qual é a vossa opinião sobre a música em Portugal?
JG – Eu acho que em Portugal a música desenvolve-se pouco, e é sempre a mesma coisa.
FS – E há pouca divulgação daquilo que é bom.
JR – Parece que em Portugal há uma “elite” na música, e ninguém consegue entrar dentro desse círculo.
JG – E tens que copiar o que essa “elite” faz se queres sequer chegar lá perto.
DF – Eu acho que, recentemente, há cada vez mais projectos interessantes e inovadores a aparecer no nosso país, como o B Fachada ou os Deolinda, por exemplo. O problema é que depois essas bandas e artistas não conseguem “dar o salto” para o estrangeiro.

Acham que existem dificuldades na vida de uma banda que está agora a dar os primeiros passos?
JG – Existem, sim. É um bocado complicado uma pessoa conseguir infiltrar-se no “circuito” e arranjar concertos, especialmente quando não se tem material gravado.
JR – Sim, sem dúvida. Mas esperamos que comecem a aparecer mais oportunidades, agora que temos a maquete gravada.
 Como é que funciona o vosso processo criativo?
FS – Por vezes acontece quando estamos a ensaiar; alguém tem uma ideia bonita, e os outros acompanham. Outras vezes alguém pensa numa melodia em casa, a coisa vem em bruto, e nós tratamos de a “polir”, para ficar bonita.
DF – Sim, e depois disso ele escreve. [aponta para o João Garcia]
JG – Sim, eu escrevo as músicas... mas só depois da melodia estar feita. Quanto muito, a letra vem ao mesmo tempo que a música, nunca antes.

Gostavam de tocar em algum sítio em especial?
DF – Glastonbury!
JR – Quanto tempo tens para a entrevista? É que eu podia estar aqui o dia todo a dizer sítios onde gostava de tocar...
FS – Pode parecer um cliché, mas eu adorava tocar no palco secundário do Super Bock Super Rock...
[Riem-se todos]
JG – Ó Fábio, sonhas alto, tu! [Risos]
DF – Mesmo em Portugal, há milhões de sítios melhores que o palco secundário do SBSR, pá! [Risos]
FS – Eu estava a falar em curto prazo, como é óbvio!
JG – Eu curtia bué tocar no Big Day Out, na Austrália...
JR – Eu gostava de tocar no Japão!

Última pergunta: gostavam de poder fazer da música um ofício a tempo inteiro?
JG – Sim! Podes ter a certeza que assim íamos trabalhar todos os dias!
FS – Sim, mas eu gostava que a música fosse mais do que um trabalho. Gostava que a nossa vida girasse à volta da música, mas não é por querer ganhar rios de dinheiro. Claro que dava jeito ganhar alguma guita, porque toda a gente quer ter a sua vida bem arranjada, e as suas coisas, mas isso seria apenas um bónus, e não o objectivo principal.


Para download das canções e novidades sobre a banda: