sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Curtas 2011 - Série VI

Audio, Video, Disco – Justice (Outubro)
- Depois de terem tomado o mundo de assalto em 2009, com a estrondosa estreia de , os franceses Justice regressaram este ano com o seu segundo álbum de originais, Audio, Video, Disco, que aposta numa sonoridade mais próxima do Rock de estádio, numa estética que contraste com o negrume do primeiro disco de originais. Contudo, esta aproximação ao Electronic Rock do duo francês de Electro House acaba por me desapontar um bocado, pois estava à espera de um sucessor mais condigno para . Não sendo um mau álbum, acaba por ser demasiado mediano. Parece que a espera foi um pouco em vão.
Pontos altos:
- Civilization
- On’n’On
- New Lands
Nota Final: 6,5/10

Barra 90 – Jorge Cruz (Novembro)
- Jorge Cruz é um artista com créditos mais que provados na música Pop portuguesa. Depois dos Supernada e de uma discreta (mas frutuosa) carreira a solo,Cruz decidiu formar os Diabo Na Cruz, banda Rock (onde entra B Fachada) que muito sucesso tem feito nos últimos anos. Contudo, este ano, Jorge Cruz decidiu lançar um álbum feito a partir de canções que escreveu e compôs nos anos 90, quando ainda vivia na Praia da Barra, em Aveiro. Esse disco, intitulado Barra 90, traz-nos uma Pop leve que, através da combinação de instrumentação acústica com experimentações electrónicas, traz ao de cima ambientes intimistas e retrospectivos. Certamente, um dos 10 melhores discos nacionais de 2011.
Pontos altos:
- Tornados
- Entre Iguais
- 36
Nota Final: 8,2/10

SBTRKT – SBTRKT (Junho)
- Produtor londrino de Electronica, Aaron Jerome, mais conhecido por SBTRKT, estreou-se este ano nos LP’s, com o disco homónimo SBTRKT, que traz uma mistura de Post-Dubstep com sons muito influenciados pela Soul e pelo R&B. Apontado por muitos como um dos melhores discos de 2011, SBTRKT é fresco, dinâmico, hipnótico e viciante, e com uma sonoridade extremamente dançável, consegue ser um dos meus álbuns favoritos deste ano. Este disco levou a que muitos comparassem a obra de Jerome com a do seu congénere britânico James Blake, mas a verdade é que, a meu ver, SBTRKT está milhas à frente de James Blake.
Pontos altos:
- Hold On
- Trials of the Past
- Go Band
Nota Final: 8,8/10

Black Up – Shabazz Palaces (Junho)
- Oriundos de Seattle, cidade conhecida pelo Grunge e pelo frio, os Shabazz Palaces trazem-nos no seu disco de estreia, Black Up, um Hip-Hop minimalista, com uma estética sombria e com uma Electronica calculista e bem conseguida. Contudo, o ponto mais forte deste Black Up é sem dúvida a lírica, sofisticada e bem desenvolvida, que é eficiente na sua tarefa de cativar o ouvinte. Contudo, isto não evita que a inconsistência da sonoridade mine a qualidade geral do álbum. Resumindo, Black Up é uma boa estreia, mas poderia ter sido ainda melhor. Vejamos o que fazem os Shabazz Palaces depois disto.
Pontos altos:
- Free Press and Curl
- The King’s New Clothes Were Made by His Own Hands
- Swerve... the Reeping of All That is Worthwhile (Noir Not Understanding)
Nota Final: 7,0/10

Exmilitary – Death Grips (Abril)
- Mais um colectivo de Hip-Hop, desta vez vindos da California, os Death Grips lançaram este ano o seu primeiro LP, Exmilitary, uma colecção de 13 canções que primam pela abordagem pouco ortodoxa dentro do seu género. Rico em samples vindos de géneros como o Rockabilly (Spread Eagle Cross the Block “sampla” Rumble, de Link Wray), Hardcore Punk (Klink vai buscar o riff a Rise Above, dos Black Flag) e até do Prog Rock (I Want it, I Need it (Death Heated) é ousado o suficiente para ir “roubar” a Interstellar Overdrive dos Pink Floyd), este Exmilitary pode dissuadir um pouco ao início, mas a verdade é que a sua estética agressiva, a sua sonoridade fria e impessoal e o seu conceito arrojado e inovador fazem com que seja impossível ignorar este primeiro disco dos Death Grips.
Pontos altos:
- Takyon (Death Yon)
- Klink
- Thru the Walls
Nota Final: 7,8/10

Mirror Traffic – Stephen Malkmus & the Jicks (Agosto)
- Considerado por muitos como o “padrinho” do Indie Rock dos anos 00 devido ao seu (fantástico) trabalho nos anos 90 com os Pavement, Stephen Malkmus está num ponto da sua carreira onde não precisa de provar nada a ninguém. Depois da tour de reunião com a sua antiga banda, Malkmus pôs mãos à obra e criou este magnífico Mirror Traffic, um dos mais aclamados discos de 2011, que nos traz um Alternative Rock com um toque já bem familiar.
Balançando entre um lado mais acústico e uma faceta ligada à corrente, este quinto LP com os Jicks mostra-nos Stephen Malkmus a fazer aquilo que faz melhor, e é por isso que faz dele uma obra tão boa.
Pontos altos:
- Senator
- Stick Figures in Love
- Tune Grief
Nota Final: 8,5/10

Demolished Thoughts – Thurston Moore (Maio)
- Terceiro álbum a solo do guitarrista e vocalista dos seminais Sonic Youth, Demolished Thoughts traz-nos um Thurston Moore num registo diferente daquele a que estamos habituados. Praticando um interessante Acoustic Rock cheio de influências do Folk e com uma produção (a cargo de Beck) que faz uso extensivo de arranjos de cordas, este Demolished Thoughts parte de um conceito ambicioso, e concretizado quase na totalidade. É certo que por vezes o disco perde intensidade e torna-se menos cativante, mas Thuston Moore nunca perde o controlo em Demolished Thoughts, e isso faz deste LP uma obra para ouvir e reflectir.
Pontos altos:
- Circulation
- Orchard Street
- Mina Loy
Nota Final: 7,4/10

Go Tell Fire to the Mountain – WU LYF (Junho)
- Oriundos de Manchester, estes quatro misteriosos rapazes que respondem pelo nome de WU LYF (sigla para World Unite Lucifer Youth Foundation) praticam um Indie Rock abrasivo, directo e catártico, que mostra uma forte influência de bandas como os Modest Mouse ou The War on Drugs. Apesar de não ser fácil de gostar à primeira da voz de Ellery Roberts, factor que pode afastar alguns ouvintes, a verdade é que o Indie Rock de inspirações Noise Pop que os WU LYF apresentam neste Go Tell Fire to the Mountain é do melhor que o Reino Unido já exportou este ano.
Pontos altos:
- Cave Song
- We Bros
- Dirt
Nota Final: 8,0/10

Colour Trip – Ringo Deathstarr (Março)
- Mais um álbum de estreia ,desta vez dos texanos Ringo Deathstarr, Colour Trip é um conjunto de 11 canções que mostram um Noise Rock e um Shoegaze dignos de uns The Jesus and Mary Chain ou de uns My Bloody Valentine. Com uma música rica em distorção e feedback, este LP dos Ringo Deathstarr é uma bela obra que, através das suas canções pujantes e dos seus vocais etéreos, conseguiu conquistar-me quase por completo. Pode não ser um álbum perfeito, mas este Colour Trip mostra que o grupo de Alex Gehring sabe bem o que faz.
Pontos altos:
- Do it Every Time
- Kaleidoscope
- Tambourine Girl
Nota Final: 8,4/10

w h o k i l l – tUnE-yArDs (Abril)
- Segundo disco deste projecto experimental da norte-americana Merrill Garbus, w h o k i l l sucede ao muito aclamado BiRd-BrAiNs (2009), e traz uma sonoridade muito diferente da que vimos no seu antecessor. Fundindo Indie Pop com influências Jazz e electrónicas e até de World Music, tUnE-yArDs consegue criar, neste seu segundo LP uma obra extremamente rica e com um conceito experimental verdadeiramente inovador e interessante. É certo que por vezes Garbus se deixa levar pelo seu experimentalismo, o que torna a música tão densa que é quase impossível retirar algum proveito dela. Contudo, este w h o k i l l não deixa de ser um grande disco, da qual se conseguem extrair poderosas sensações.
Pontos altos:
- My Country
- Riotriot
- Killa
Nota Final: 7,9/10

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Curtas 2011 - Série V


What Did You Expect From The Vaccines? – The Vaccines (Março)
- Tendo conquistado meio mundo com o seu Indie Rock juvenil e despreocupado, What Did You Expect From the Vaccines? foi sem dúvida uma das estreias mais aguardadas de 2011, e com boas razões. Com uma estética fortemente influenciada pelo Punk, e com uma sonoridade pueril, despretensiosa e animada, a urgência da música dos The Vaccines revelou ser uma das melhores descobertas que este ano teve para oferecer. É certo que está longe de ser perfeito, e que problemas de inconsistência e homogeneidade exagerada pejam este LP, mas este What Did You Expect From the Vaccines? é um auspicioso início de carreira, que faz crescer a expectativa em relação ao que estes quatro rapazes londrinos.
Pontos altos:
- A Lack of Understanding
- Nørgaard
- Post Break-Up Sex
Nota Final: 8,0/10

Dye It Blonde – Smith Westerns (Janeiro)
- Depois de uma aclamada estreia em 2009, com o homónimo The Smith Westerns, que primava pelo extenso uso do Lo-Fi cru e agressivo numa sonoridade Garage Rock, este trio norte-americano de Indie Rock decidiu mudar o jogo para o seu segundo LP, Dye It Blonde, que mostra uns Smith Westerns com um estilo mais Pop, de produção limpa e clara e com claras influências vindas do Glam Rock. Apesar das alterações não serem profundas ao ponto de fazer com que o som dos Smith Westerns seja irreconhecível, e de ainda se notar alguma crueza neste Garage Rock de “cara lavada”, a verdade é que a mudança é grande o suficiente para retirar algum do entusiasmo ao som do grupo, algo que eu lamento.
Pontos altos:
- Imagine Pt. 3
- Fallen in Love
- Dance Away
Nota Final: 6,7/10

Kaputt – Destroyer (Janeiro)
- Banda canadiana de Indie Pop liderada por Dan Bejar, os Destroyer lançaram este ano o seu nono LP, Kaputt, disco que tem sido alvo de grande aclamação por parte da crítica desde que chegou às lojas, em Janeiro. Considerado por muitos como o melhor álbum de 2011, Kaputt traz uma sonoridade calma e terna, que através do seu pendor acústico e das incursões pelos sintetizadores etéreos pinta relaxantes e contemplativos quadros sonoros. É certo que considero que o hype que se gerou à volta deste álbum foi um pouco exagerado, pois este Kaputt mostra, a meu ver, alguma inconsistência, mas a verdade é que este nono disco de originais do conjunto canadiano é uma autêntica delícia.
Pontos altos:
- Chinatown
- Savage Night at the Opera
- Kaputt
Nota Final: 8,4/10

Smoke Ring For My Halo – Kurt Vile (Março)
- Ex-membro dos The War on Drugs, Kurt Vile abandonou a companhia de Adam Granduciel para se dedicar a uma carreira que, ao quarto LP, começa a dar frutos. Estando presente em quase todos os tops de final de ano da crítica especializada, Smoke Rings For My Halo traz uma sonoridade Folk rica em distorção e influências retiradas do Roots Rock de Bruce Springsteen, que se traduzem num som quente e acolhedor digno de uma qualquer garagem do frio estado de Pennsylvania. Não posso dizer que este álbum seja o meu favorito para 2011, mas é certamente um LP a que irei retornar no futuro.
Pontos altos:
- Jesus Fever
- Runner Ups
- In My Time
Nota Final: 8,2/10

No Color – The Dodos (Março)
- Ao quarto LP, este duo de Indie Folk vindo de San Francisco continua a dar cartas no género a que se dedica desde 2005. Com uma sonoridade que permanece estreitamente ligada a uma instrumentação mais acústica, os The Dodos trazem-nos, com este No Color, um álbum forte, fervilhante e que, ironicamente, se vai pintando com cores alegres e exuberantes que mostram o experimentalismo e o arrojo de Meric Long e Logan Kroeber. Contudo, apesar de admirar a tentativa de manter fresca a fórmula do grupo, este No Color está longe do melhor que os The Dodos já fizeram, nomeadamente o disco de 2008, Visiter. Porém, se procuram música volátil e empolgante, este No Color é bom para vocês.
Pontos altos:
- Good
- When Will You Go
- Don’t Stop
Nota Final: 7,7/10

Chromatic – You Can’t Win, Charlie Brown (Maio)
- Álbum de estreia deste sexteto nacional (que conta com David Santos, mais conhecido por Noiserv), Chromatic é uma aposta na experimentação, combinando a Baroque Pop e Folk de grupos como os Fleet Foxes com os desvarios electrónicos da Neo-Psychedelia dos Animal Collective num molde de Psych-Folk nunca antes visto em Portugal. Com uma faceta acústica bem evidente, e com um psicadelismo “orgânico”, fruto da utilização pouco ortodoxa de instrumentos de sopro e de percussão mais tradicionais, este Chromatic é um disco singelo e pastoril, que muito me agradou. Apesar de se perder a meio, e de por vezes ser demasiado difuso, este álbum dos You Can’t Win, Charlie Brown é uma bela obra portuguesa.
Pontos altos:
- Over the Sun/Under the Water
- I’ve Been Lost
- Green Grass #2
Nota Final: 7,3/10

Within and Without – Washed Out (Julho)
- Mais um dos muitos projectos Chillwave que ganharam fama em 2011, Washed Out é o pseudónimo musical de Ernest Greene, um norte-americano que lançou este ano o seu primeiro disco, Within and Without. Misturando Synthpop e componentes mais dançáveis no género de que é pioneiro, Washed Out criou, em Within and Without, um álbum perfeito para qualquer ocasião, desde um relaxante descanso depois de um dia de trabalho a uma ida à praia. A razão para a sua polivalência é a facilidade com que Greene consegue atingir o equilíbrio entre uma estética mais relaxada e etérea e uma componente mais festiva e animada. Uma estreia em grande, que é ainda mais espectacular por incluir Amor Fati, uma daquelas faixas que (felizmente) não me sai da cabeça.
Pontos altos:
- Amor Fati
- Far Away
- You and I
Nota Final: 8,4/10

Space Is Only Noise – Nicolas Jaar (Janeiro)
- Norte-americano de origem chilena, Nicolas Jaar lançou este ano um álbum que se mostra como sério candidato ao prémio de disco mais hiper-inflacionado dos últimos tempos, Space Is Only Noise. Trazendo uma Electronica de pendor minimalista e cerebral, este LP de estreia do músico caracteriza-se pelas camadas de loops e samples que o compõem, que se vão acumulando para pintar uma sonoridade de tons frios e cinzentos. Contudo, apesar de ser visto por muitos como o melhor que 2011 tem para oferecer, o interessante conceito de Space Is Only Noise não me convenceu, pois pareceu-me, ao fim de algum tempo de audição, um pouco monótono e aborrecido. Mais uma vez, o hype não se justifica.
Pontos altos:
- Keep Me There
- Space is Only Noise if You Can See
- Specters of the Future
Nota Final: 4,3/10

Share the Joy – Vivian Girls (Abril)
- 3º disco deste trio feminino de Indie Rock, Share the Joy traz-nos o regresso das Vivian Girls após o desaire de Everything Goes Wrong (2009). Pegando na estética simples e de inspiração Noise Pop e Punk que fez do seu primeiro disco (Vivian Girls, de 2008) a pérola que é, as Vivian Girls conseguiram “atinar” e trazer uma abordagem mais fresca e directa neste novo LP. Apesar de eu ter alguns problemas residuais com a voz nasalada de Cassie Ramone, e do disco às vezes poder tornar-se algo sonolento e repetitivo, este Share the Joy não deixa de ser um álbum bom, que agradará qualquer fã de Indie Rock bem distorcido e intenso.
Pontos altos:
- Dance (if You Wanna)
- Sixteen Ways
- Light in Your Eyes
Nota Final: 7,1/10

These New Countries – We Trust (Outubro)
- Primeiro disco deste projecto musical do realizador português André Tentugal, These New Countries é uma obra digna de admiração, devido à complexidade das melodias que o compõe, e pela ousadia e arrojo com que aborda a Indie Pop. Com uma produção limpa e polida que complementa muito bem a delicadeza do som, These New Countries é um LP que traz uma música de fino recorte que é raro de se ver em Portugal. Sem dúvida um dos melhores discos nacionais de 2011, este álbum vem afirmar que We Trust é um nome a ter em conta no panorama da música portuguesa dos próximos tempos.
Pontos altos:
- Time (Better Not Stop)
- Reasons
- Freedom Bound
Nota Final: 8,5/10

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Curtas 2011 - Série IV


Circuital – My Morning Jacket (Maio)
- Com uma sonoridade de arraiais bem assentes na Folk mais psicadélica, os My Morning Jacket lançaram este ano o seu sexto álbum, Circuital, um disco que aposta forte na continuidade do som que deu fama ao grupo norte-americano. Contudo, apesar de ter apreciado o Folk do grupo no passado, este LP pareceu-me demasiado vagaroso e pouco entusiasmante, algo de que não estava à espera. É certo que algumas das faixas deste Circuital estão muito bem conseguidas, e conseguem levar o disco a bom porto, mas a verdade é que este sexto LP demonstra que os My Morning Jacket estão longe do seu pico criativo.
Pontos altos:
- Circuital
- Wonderful (the Way I Feel)
- Holdin’ on to Black Metal
Nota Final: 6,8/10

Parasol – Julie & the Carjackers (Novembro)
- Juntos desde 2009, os Julies & the Carjackers poderiam muito bem ser vistos como um projectos californiano de Indie Pop, devido à tropicalidade e exotismo da sua música, mas na verdade este duo é produto bem nacional. No seu LP de estreia, Parasol, João Correia e Bruno Pernadas trazem-nos uma música cheia de Sol e de Verão, que tem como ponto forte larga panóplia de instrumentos que usa nesta fusão de influências Jazz na Indie Pop acústica. Estes Julie & the Carjackers são um projecto bastante interessante, e este Parasol é um bom cartão de visita, que faz crescer água na boca.
Pontos altos:
- Wait by the Telephone
- One Thousand Stray Dogs
- Haystack
Nota Final: 7,9/10

Live Music – The Strange Boys (Outubro)
- 3º LP dos norte-americanos The Strange Boys, Live Music mostra-nos um Garage Rock Revival que tem como grandes influências o Country, o Blues e as paisagens do sul dos EUA. Cheio de pequenos detalhes que nos levam para uma garagem quente e suada do Texas, Live Music infelizmente não me conseguiu cativar com essa receita de Rock de pêlo na venta e suor em bica. Curiosamente, é quando os The Strange Boys saem dessa fórmula quadrada e abandonam as roupagens do Country e do Blues que conseguem realmente mostrar maior qualidade. Espero que para a próxima os The Strange Boys se encaminhem, pois este Live Music é muito, muito mediano.
Pontos altos:
- Punk’s Pajamas
- Omnia Boa
- Over the River and Through the Woulds
Nota Final: 5,6/10

Pés Frios – Doismileoito (Outubro)
- Depois da estreia em 2009, com o homónimo Doismileoito, este grupo nacional lança agora, três anos volvidos, Pés Frios, o seu segundo álbum, que nos traz mais 10 temas de Indie Rock em tons nacionais. Infelizmente, este segundo álbum dos Doismileoito sabe um pouco a desilusão, estando longe dos tempos áureos do seu antecessor. É verdade que este disco tem momentos fortes e canções muito bem desenvolvidas, mas produção mais polida e a orientação mais Pop do álbum deixam um pouco a desejar. Porém, este Pés Frios não é, de todo, um mau LP, e irá certamente deixar muitos fãs do grupo satisfeitos.
Pontos altos:
- Conta Contigo
- Pés Frios
- Cão
Nota Final: 7,3/10

Hello Sadness – Los Campesinos! (Novembro)
- Com um enganador título, Hello Sadness é o quarto disco dos galeses Los Campesinos! e prima pela Indie Pop de travo alegre e feliz que está presente nas 10 canções que preenchem o LP. Com uma produção mais polida e limpa que os seus antecessores, e com alguns sintetizadores a polvilharem, aqui e ali, o disco, Hello Sadness pode não ser uma obra perfeita, mas é um óptimo disco para quem está à procura de música Pop leve, fresca e viciante.
Pontos altos:
- Songs About Your Girlfriend
- The Black Bird, the Dark Slope
- Baby I Got the Death Rattle
Nota Final: 7,5/10

The Future is Medieval – Kaiser Chiefs (Junho)
- Com uma técnica de distribuição e marketing muito sui generis, que tentava subverter as regras no jogo no que toca à maneirca como compramos e consumimos a música, este The Future is Medieval é o quarto LP dos britânicos Kaiser Chiefs, surgindo três anos depois do seu antecessor, o polémico Off With Their Heads (2008). Porém, se a estratégia de vendas do quinteto inglês é ambiciosa, o mesmo não se pode dizer da sonoridade do álbum em si, que mostra uns Kaiser Chiefs que estagnaram numa Indie Pop muito batida e aborrecida. Apesar de algumas peças conseguirem quebrar a monotonia, e de se notar um possível experimentalismo com os sintetizadores e com a Electronica, este The Future is Medieval é a prova de que os Kaiser Chiefs precisam urgentemente de atinar.
Pontos altos:
- Long Way From Celebrating
- Dead or in Serious Trouble
- Kinda Girl You Are
Nota Final: 5,0/10

Days – Real Estate (Outubro)
- Depois da muita aclamada estreia em 2009, com o homónimo Real Estate, este quinteto norte-americano decidiu apostar na continuidade com Days, uma obra onde o Indie Rock de estética Lo-Fi  é rei, e onde as paisagens calmas e contemplativas, fruto do reverb, proliferam livremente. Contudo, nem tudo é rosas neste Days, e a verdade é que, ao fim de algum tempo, este álbum tende a tornar-se um bocado maçudo, devido à homogeneidade (quase) extrema deste LP. Porém, se há coisa que este registo mostra é que os Real Estate encontraram uma fórmula vencedora, que tem dado bons resultados.
Pontos altos:
- Green Aisles
- It’s Real
- Younger Than Yesterday
Nota Final: 7,8/10

Fala Mansa – Norberto Lobo (Maio)
- Apontado pela Blitz como o melhor disco português de 2011, Fala Mansa é o terceiro longa-duração do guitarrista Norberto Lobo, e mostra uma clara evolução do artista. Mantendo a estética simples e despida que caracterizou Mudar de Bina (2007) e Pata Lenta (2009), Lobo consegue ainda assim inovar, e trazer para este Fala Mansa instrumentos inéditos na sua obra, como pianos e sintetizadores, que ajudar a criar neste álbum magníficos cenários bucólicos, quase cinematográficos. Apesar de algumas vezes me ter perdido com o experimentalismo exacerbado de Norberto, a verdade é que a pura beleza deste Fala Mansa é mais que evidente. Não me arrisco a dizer já que é o melhor álbum nacional do ano, mas anda lá perto.
Pontos altos:
- Charleston Para Jack
- Balada Para Lhasa
- Aconchego Solar
 Nota Final: 8,7/10

Kiss Each Other Clean – Iron & Wine (Janeiro)
- Nascido Samuel Beam, este cantautor norte-americano vindo do estado do South Carolina tem produzido alguns dos discos mais aclamados pela crítica dos últimos anos, como é o caso de Our Endless Numbered Days (2004) ou The Sheperd’s Dog (2007), pelo que Iron & Wine  tinha uma tarefa difícil de superar com este Kiss Each Other Clean. Porém, se é verdade que este quarto LP do artista não está ao nível das magníficas obras que o antecedem, também é certo que as tendências Folk e as influências Jazz/Funk da Pop que Beam nos traz neste disco não deixam de encantar pela sua beleza e intimismo com que estão imbuída. Apesar de não ser perfeito, este Kiss Each Other Clean é um álbum que mostra bem a assinatura de Iron & Wine, e conseguirá agradar aos fãs ao mesmo que tempo que serve de porta de entrada para novos ouvintes.
Pontos altos:
- Monkeys Uptown
- Big Burned Hand
- Your Fake Name is Good Enough for Me
Nota Final: 8,0/10

The English Riviera – Metronomy (Abril)
- Tendo valido ao grupo uma nomeação aos mui prezados Mercury Prize deste ano, este The English Riviera é um corte quase completo com o trabalho anterior do grupo de Joseph Mount, que abandona a Electronica para uma Indie Pop virada para a New Wave dos anos 80, algo que beneficiou (e muito) a sonoridade do grupo. É certo que as tendências electrónicas permanecem, com os sintetizadores Electropop a marcar presença, mas aqui estão muito mais comedidas, e submetidas às ordens do baixo gingão e dançante Gbenga Adelekan. Contudo, depois de ouvir este The English Riviera fiquei com a impressão que os Metronomy podiam ter feito melhor, tendo aqui ideias que não foram, a meu ver, desenvolvidas ao máximo do seu potencial. No entanto, é deles uma das melhores faixas do ano, The Bay, simplesmente magnífica.
Pontos altos:
- Everything Goes My Way
- The Look
- The Bay
Nota Final: 7,0/10

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Curtas 2011 - Série III


New Brigade – Iceage (Janeiro)
- Primeiro LP dos dinamarqueses Iceage, este New Brigade traz-nos um Punk anárquico, rápido e barulhento, com forte influência do Hardcore ou Noise de grupos como os Minor Threat, Black Flag ou até Big Black. Não se pode dizer que este seja um disco propriamente inovador, mas a sujidade, rapidez e energia deste New Brigade farão certeza a delícia dos fãs da distorção e do feedback ensurdecedor do Noise Rock. Sem ser um disco perfeito, é sem dúvida das melhores descobertas que fiz neste 2011.
Pontos altos:
- New Brigade
- Broken Bone
- You’re Blessed
Nota Final: 8,6/10

Burst Apart – The Antlers (Abril)
- Depois do magnífico Hospice (2009), álbum conceptual dos The Antlers que falava sobre a aceitação da morte de alguém querido, o grupo de Peter Silberman decidiu inovar para o quarto álbum, e lançou este ano Burst Apart, um LP que apesar de manter uma lírica introspectiva (e possivelmente depressiva) marca a diferença do seu antecessor pela sonoridade mais upbeat e animada do Indie Pop da banda norte-americana. Contudo, devo dizer que apesar de admirar a inovação, este Burst Apart não consegue chegar aos calcanhares do disco que o precede, ficando-se pelo patamar do “bom”. Ainda assim, os fãs do trio norte-americano irão apreciar, com certeza, este álbum.
Pontos altos:
- No Widows
- Every Night My Teeth Are Falling Out
- Corsicana
Nota Final: 7,3/10

The Whole Love – Wilco (Setembro)
- Dois anos depois de Wilco (The Album) (2009), os Wilco trazem-nos o seu oitavo disco de estúdio, The Whole Love, um álbum que traz algumas alterações à sonoridade tipicamente Alternative Rock do grupo de Jeff Tweedy, como a experimentação com sintetizadores e outros instrumentos electrónicos em certos momentos, e alguma inclinação para sons mais acústicos noutros. Contudo, isto acaba por se traduzir num disco muito disperso, e algo inconsistente, e que mostra uns Wilco, a meu ver, em baixo de forma e longe dos seus tempos áureos de Yankee Hotel Foxtrot (2002). Confesso que esperava mais dos Wilco, mas este The Whole Love não deixa de ter os seus bons momentos.
Pontos altos:
- Dawned on Me
- Standing O
- Whole Love
Nota Final: 7,0/10

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Noel Gallagher’s High Flying Birds (Outubro)
- Dois anos após o fim dos Oasis, os irmãos Gallagher decidiram lançar os seus respectivos discos; Liam com os Beady Eye em Fevereiro, com Different Gear, Still Speeding (6,0 segundo a review do MDC) e Noel com os seus High Flying Birds, com o disco homónimo Noel Gallagher’s High Flying Birds em Outubro, que nos traz uma sonoridade bastante parecida com a dos Oasis por alturas de Don’t Believe the Truth (2005), com uma estética acústica bastante vincada, e com letras muito bem desenvolvidas. Sendo certo que Noel venceu esta primeira batalha com o seu irmão Liam, a verdade é que este LP deixa muito a desejar quando se pensa no potencial que os Oasis tinham logo após Dig Out Your Soul (2008). Contudo, este não é um mau lançamento, antes pelo contrário.
Pontos altos:
- The Death of You and Me
- AKA... What a Life!
- Stranded on the Wrong Beach
Nota Final: 7,5/10

Veronica Falls – Veronica Falls (Setembro)
- Vindos do Reino Unido, os Veronica Falls são um quarteto formado em 2009, em Londres, e que lançou este ano o seu primeiro álbum, o homónimo Veronica Falls, uma conjunto de 12 canções que abraçam o Noise Pop, com os vocais doces e gentis de Roxanne Clifford e James Hoare a fazerem um belo contraste com as letras negras, que tanto abordam a vida e o amor como a perda e a morte. Arrisco-me a dizer que toda a aclamação que este disco tem recebido é mais que merecida, e que esta é, se não a melhor, uma das melhores estreias de 2011, e que estará sem dúvida nos meus 20 discos favoritos deste ano.
Pontos altos:
- Right Side of My Brain
- Beachy Head
- Wedding Day
Nota Final: 8,8/10

Skying – The Horrors (Julho)
- Ao 3º disco de originais, os britânicos The Horrors decidiram deixar de lado a faceta mais negra da sua estética Post-Punk e decidiram alargar a palete de influências a sonoridades vindas da Dream Pop e Psychedelia, cortando com a tendência que marcou Strange House (2007) e Primary Colours (2009). O resultado é Skying, um disco sólido e bem conseguido, que consegue aliar a variedade de som a uma consistência de qualidade que é rara de se encontrar, o que talvez explique o porquê de ser considerado por tantos como o melhor disco de 2011. Eu não iria tão longe, mas admito que é um álbum muito bem feito, que recomendo veemente.
Pontos altos:
- I Can See Through You
- Endless Blue
- Moving Further Away
Nota Final: 8,2/10

Infectious Affectional – X-Wife (Maio)
- Quarto LP do trio portuense de Indie Rock, Infectious Affectional traz-nos mais uma dose de Post-Punk ao bom estilo dos X-Wife, desta vez contagiado pelo Dance Punk de bandas como os LCD Soundsystem ou !!!, resultando num disco em que as guitarradas de João Vieira se fundem de forma perfeita com o sintetizador de Rui Maia. Indiscutivelmente o disco mais dançável da obra dos X-Wife, Infectious Affectional é certamente uma delícia de se ouvir, tanto numa tarde no quarto como à noite numa festa. Um orgulho nacional, este trio.
Pontos altos:
- Keep On Dancing
- That’s Right
- Never Ever
Nota Final: 8,0/10

Cults – Cults (Junho)
- Um dos duos Indie mais badalados dos últimos tempos, os Cults têm sido alvo de um imenso hype desde o lançamento deste LP, o homónimo disco de estreia Cults, que nos traz 11 canções muito aclamadas pela crítica. Contudo, eu creio que toda esta euforia seja “muita parra, pouca uva”. Depois de ouvir este Cults, confesso que não fiquei impressionado com o Indie Pop de Brian Oblivion e Madeline Follin, que me pareceu muito pouco desenvolvido e apelativo. É certo que este LP tem algumas qualidades que vêm ao de cima num punhado de canções, mas no geral, este é um álbum bastante mediano.
Pontos altos:
­- Abducted
- Never Saw the Point
- Bumper
Nota Final: 5,2/10

Keep You Close – dEUS (Setembro)
- Em Keep You Close, os belgas dEUS decidiram deixar de lado os sons mais crus e abrasivos de Vantage Point (2008) e apostar por uma sonoridade mais meiga e radio-friendly, com bases numa produção mais polida e em orquestrações clássicas a marcar a sua presença aqui e ali. Contudo, não posso dizer que veja estas alterações com bons olhos, pois a meu ver o que faz de Vantage Point um grande álbum é mesmo essa crueza e frontalidade, que se perderam neste novo disco. Não quero com isto dizer que Keep You Close é um mau LP, mas fica um pouco aquém das possibilidades do grupo de Tom Barman. Definitivamente, um registo para os fãs, e pouco mais.
Pontos altos:
- The Final Blast
- Constant Now
- Second Nature
Nota Final: 6,8/10

Destroyed. – Moby (Maio)
- Moby é, sem dúvida, um artista bastante prolífico, e os números comprovam-no; 10 álbuns lançados, com o primeiro em 1992, Moby, e com o décimo a ser este Destroyed., que nos traz um Moby que aposta em batidas electrónicas frias e secas, bastante próximas de uma música Ambient apostada em criar cenários gélidos muito cinematográficos. Com um número vasto de convidados para fazer os vocais, Moby recorre também ao vocoder neste Destroyed., o que ajuda a estabelecer uma estética robótica neste disco, que me agradou bastante. Contudo, a verdade é que a extensão do álbum dita que haja alguma inconsistência, fruto de alguns fillers que polvinham o LP, aliado a algumas canções que infelizmente demoram demasiado tempo a “descolar”. Porém, este Destroyed. é uma bela aposta para quem gosta da Electronica mais contemplativa de Moby.
Pontos altos:
­- Be the One
- The Day
- Lacrimae
Nota Final: 7,2/10