quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Curtas 2011 - Série IV


Circuital – My Morning Jacket (Maio)
- Com uma sonoridade de arraiais bem assentes na Folk mais psicadélica, os My Morning Jacket lançaram este ano o seu sexto álbum, Circuital, um disco que aposta forte na continuidade do som que deu fama ao grupo norte-americano. Contudo, apesar de ter apreciado o Folk do grupo no passado, este LP pareceu-me demasiado vagaroso e pouco entusiasmante, algo de que não estava à espera. É certo que algumas das faixas deste Circuital estão muito bem conseguidas, e conseguem levar o disco a bom porto, mas a verdade é que este sexto LP demonstra que os My Morning Jacket estão longe do seu pico criativo.
Pontos altos:
- Circuital
- Wonderful (the Way I Feel)
- Holdin’ on to Black Metal
Nota Final: 6,8/10

Parasol – Julie & the Carjackers (Novembro)
- Juntos desde 2009, os Julies & the Carjackers poderiam muito bem ser vistos como um projectos californiano de Indie Pop, devido à tropicalidade e exotismo da sua música, mas na verdade este duo é produto bem nacional. No seu LP de estreia, Parasol, João Correia e Bruno Pernadas trazem-nos uma música cheia de Sol e de Verão, que tem como ponto forte larga panóplia de instrumentos que usa nesta fusão de influências Jazz na Indie Pop acústica. Estes Julie & the Carjackers são um projecto bastante interessante, e este Parasol é um bom cartão de visita, que faz crescer água na boca.
Pontos altos:
- Wait by the Telephone
- One Thousand Stray Dogs
- Haystack
Nota Final: 7,9/10

Live Music – The Strange Boys (Outubro)
- 3º LP dos norte-americanos The Strange Boys, Live Music mostra-nos um Garage Rock Revival que tem como grandes influências o Country, o Blues e as paisagens do sul dos EUA. Cheio de pequenos detalhes que nos levam para uma garagem quente e suada do Texas, Live Music infelizmente não me conseguiu cativar com essa receita de Rock de pêlo na venta e suor em bica. Curiosamente, é quando os The Strange Boys saem dessa fórmula quadrada e abandonam as roupagens do Country e do Blues que conseguem realmente mostrar maior qualidade. Espero que para a próxima os The Strange Boys se encaminhem, pois este Live Music é muito, muito mediano.
Pontos altos:
- Punk’s Pajamas
- Omnia Boa
- Over the River and Through the Woulds
Nota Final: 5,6/10

Pés Frios – Doismileoito (Outubro)
- Depois da estreia em 2009, com o homónimo Doismileoito, este grupo nacional lança agora, três anos volvidos, Pés Frios, o seu segundo álbum, que nos traz mais 10 temas de Indie Rock em tons nacionais. Infelizmente, este segundo álbum dos Doismileoito sabe um pouco a desilusão, estando longe dos tempos áureos do seu antecessor. É verdade que este disco tem momentos fortes e canções muito bem desenvolvidas, mas produção mais polida e a orientação mais Pop do álbum deixam um pouco a desejar. Porém, este Pés Frios não é, de todo, um mau LP, e irá certamente deixar muitos fãs do grupo satisfeitos.
Pontos altos:
- Conta Contigo
- Pés Frios
- Cão
Nota Final: 7,3/10

Hello Sadness – Los Campesinos! (Novembro)
- Com um enganador título, Hello Sadness é o quarto disco dos galeses Los Campesinos! e prima pela Indie Pop de travo alegre e feliz que está presente nas 10 canções que preenchem o LP. Com uma produção mais polida e limpa que os seus antecessores, e com alguns sintetizadores a polvilharem, aqui e ali, o disco, Hello Sadness pode não ser uma obra perfeita, mas é um óptimo disco para quem está à procura de música Pop leve, fresca e viciante.
Pontos altos:
- Songs About Your Girlfriend
- The Black Bird, the Dark Slope
- Baby I Got the Death Rattle
Nota Final: 7,5/10

The Future is Medieval – Kaiser Chiefs (Junho)
- Com uma técnica de distribuição e marketing muito sui generis, que tentava subverter as regras no jogo no que toca à maneirca como compramos e consumimos a música, este The Future is Medieval é o quarto LP dos britânicos Kaiser Chiefs, surgindo três anos depois do seu antecessor, o polémico Off With Their Heads (2008). Porém, se a estratégia de vendas do quinteto inglês é ambiciosa, o mesmo não se pode dizer da sonoridade do álbum em si, que mostra uns Kaiser Chiefs que estagnaram numa Indie Pop muito batida e aborrecida. Apesar de algumas peças conseguirem quebrar a monotonia, e de se notar um possível experimentalismo com os sintetizadores e com a Electronica, este The Future is Medieval é a prova de que os Kaiser Chiefs precisam urgentemente de atinar.
Pontos altos:
- Long Way From Celebrating
- Dead or in Serious Trouble
- Kinda Girl You Are
Nota Final: 5,0/10

Days – Real Estate (Outubro)
- Depois da muita aclamada estreia em 2009, com o homónimo Real Estate, este quinteto norte-americano decidiu apostar na continuidade com Days, uma obra onde o Indie Rock de estética Lo-Fi  é rei, e onde as paisagens calmas e contemplativas, fruto do reverb, proliferam livremente. Contudo, nem tudo é rosas neste Days, e a verdade é que, ao fim de algum tempo, este álbum tende a tornar-se um bocado maçudo, devido à homogeneidade (quase) extrema deste LP. Porém, se há coisa que este registo mostra é que os Real Estate encontraram uma fórmula vencedora, que tem dado bons resultados.
Pontos altos:
- Green Aisles
- It’s Real
- Younger Than Yesterday
Nota Final: 7,8/10

Fala Mansa – Norberto Lobo (Maio)
- Apontado pela Blitz como o melhor disco português de 2011, Fala Mansa é o terceiro longa-duração do guitarrista Norberto Lobo, e mostra uma clara evolução do artista. Mantendo a estética simples e despida que caracterizou Mudar de Bina (2007) e Pata Lenta (2009), Lobo consegue ainda assim inovar, e trazer para este Fala Mansa instrumentos inéditos na sua obra, como pianos e sintetizadores, que ajudar a criar neste álbum magníficos cenários bucólicos, quase cinematográficos. Apesar de algumas vezes me ter perdido com o experimentalismo exacerbado de Norberto, a verdade é que a pura beleza deste Fala Mansa é mais que evidente. Não me arrisco a dizer já que é o melhor álbum nacional do ano, mas anda lá perto.
Pontos altos:
- Charleston Para Jack
- Balada Para Lhasa
- Aconchego Solar
 Nota Final: 8,7/10

Kiss Each Other Clean – Iron & Wine (Janeiro)
- Nascido Samuel Beam, este cantautor norte-americano vindo do estado do South Carolina tem produzido alguns dos discos mais aclamados pela crítica dos últimos anos, como é o caso de Our Endless Numbered Days (2004) ou The Sheperd’s Dog (2007), pelo que Iron & Wine  tinha uma tarefa difícil de superar com este Kiss Each Other Clean. Porém, se é verdade que este quarto LP do artista não está ao nível das magníficas obras que o antecedem, também é certo que as tendências Folk e as influências Jazz/Funk da Pop que Beam nos traz neste disco não deixam de encantar pela sua beleza e intimismo com que estão imbuída. Apesar de não ser perfeito, este Kiss Each Other Clean é um álbum que mostra bem a assinatura de Iron & Wine, e conseguirá agradar aos fãs ao mesmo que tempo que serve de porta de entrada para novos ouvintes.
Pontos altos:
- Monkeys Uptown
- Big Burned Hand
- Your Fake Name is Good Enough for Me
Nota Final: 8,0/10

The English Riviera – Metronomy (Abril)
- Tendo valido ao grupo uma nomeação aos mui prezados Mercury Prize deste ano, este The English Riviera é um corte quase completo com o trabalho anterior do grupo de Joseph Mount, que abandona a Electronica para uma Indie Pop virada para a New Wave dos anos 80, algo que beneficiou (e muito) a sonoridade do grupo. É certo que as tendências electrónicas permanecem, com os sintetizadores Electropop a marcar presença, mas aqui estão muito mais comedidas, e submetidas às ordens do baixo gingão e dançante Gbenga Adelekan. Contudo, depois de ouvir este The English Riviera fiquei com a impressão que os Metronomy podiam ter feito melhor, tendo aqui ideias que não foram, a meu ver, desenvolvidas ao máximo do seu potencial. No entanto, é deles uma das melhores faixas do ano, The Bay, simplesmente magnífica.
Pontos altos:
- Everything Goes My Way
- The Look
- The Bay
Nota Final: 7,0/10

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Curtas 2011 - Série III


New Brigade – Iceage (Janeiro)
- Primeiro LP dos dinamarqueses Iceage, este New Brigade traz-nos um Punk anárquico, rápido e barulhento, com forte influência do Hardcore ou Noise de grupos como os Minor Threat, Black Flag ou até Big Black. Não se pode dizer que este seja um disco propriamente inovador, mas a sujidade, rapidez e energia deste New Brigade farão certeza a delícia dos fãs da distorção e do feedback ensurdecedor do Noise Rock. Sem ser um disco perfeito, é sem dúvida das melhores descobertas que fiz neste 2011.
Pontos altos:
- New Brigade
- Broken Bone
- You’re Blessed
Nota Final: 8,6/10

Burst Apart – The Antlers (Abril)
- Depois do magnífico Hospice (2009), álbum conceptual dos The Antlers que falava sobre a aceitação da morte de alguém querido, o grupo de Peter Silberman decidiu inovar para o quarto álbum, e lançou este ano Burst Apart, um LP que apesar de manter uma lírica introspectiva (e possivelmente depressiva) marca a diferença do seu antecessor pela sonoridade mais upbeat e animada do Indie Pop da banda norte-americana. Contudo, devo dizer que apesar de admirar a inovação, este Burst Apart não consegue chegar aos calcanhares do disco que o precede, ficando-se pelo patamar do “bom”. Ainda assim, os fãs do trio norte-americano irão apreciar, com certeza, este álbum.
Pontos altos:
- No Widows
- Every Night My Teeth Are Falling Out
- Corsicana
Nota Final: 7,3/10

The Whole Love – Wilco (Setembro)
- Dois anos depois de Wilco (The Album) (2009), os Wilco trazem-nos o seu oitavo disco de estúdio, The Whole Love, um álbum que traz algumas alterações à sonoridade tipicamente Alternative Rock do grupo de Jeff Tweedy, como a experimentação com sintetizadores e outros instrumentos electrónicos em certos momentos, e alguma inclinação para sons mais acústicos noutros. Contudo, isto acaba por se traduzir num disco muito disperso, e algo inconsistente, e que mostra uns Wilco, a meu ver, em baixo de forma e longe dos seus tempos áureos de Yankee Hotel Foxtrot (2002). Confesso que esperava mais dos Wilco, mas este The Whole Love não deixa de ter os seus bons momentos.
Pontos altos:
- Dawned on Me
- Standing O
- Whole Love
Nota Final: 7,0/10

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Noel Gallagher’s High Flying Birds (Outubro)
- Dois anos após o fim dos Oasis, os irmãos Gallagher decidiram lançar os seus respectivos discos; Liam com os Beady Eye em Fevereiro, com Different Gear, Still Speeding (6,0 segundo a review do MDC) e Noel com os seus High Flying Birds, com o disco homónimo Noel Gallagher’s High Flying Birds em Outubro, que nos traz uma sonoridade bastante parecida com a dos Oasis por alturas de Don’t Believe the Truth (2005), com uma estética acústica bastante vincada, e com letras muito bem desenvolvidas. Sendo certo que Noel venceu esta primeira batalha com o seu irmão Liam, a verdade é que este LP deixa muito a desejar quando se pensa no potencial que os Oasis tinham logo após Dig Out Your Soul (2008). Contudo, este não é um mau lançamento, antes pelo contrário.
Pontos altos:
- The Death of You and Me
- AKA... What a Life!
- Stranded on the Wrong Beach
Nota Final: 7,5/10

Veronica Falls – Veronica Falls (Setembro)
- Vindos do Reino Unido, os Veronica Falls são um quarteto formado em 2009, em Londres, e que lançou este ano o seu primeiro álbum, o homónimo Veronica Falls, uma conjunto de 12 canções que abraçam o Noise Pop, com os vocais doces e gentis de Roxanne Clifford e James Hoare a fazerem um belo contraste com as letras negras, que tanto abordam a vida e o amor como a perda e a morte. Arrisco-me a dizer que toda a aclamação que este disco tem recebido é mais que merecida, e que esta é, se não a melhor, uma das melhores estreias de 2011, e que estará sem dúvida nos meus 20 discos favoritos deste ano.
Pontos altos:
- Right Side of My Brain
- Beachy Head
- Wedding Day
Nota Final: 8,8/10

Skying – The Horrors (Julho)
- Ao 3º disco de originais, os britânicos The Horrors decidiram deixar de lado a faceta mais negra da sua estética Post-Punk e decidiram alargar a palete de influências a sonoridades vindas da Dream Pop e Psychedelia, cortando com a tendência que marcou Strange House (2007) e Primary Colours (2009). O resultado é Skying, um disco sólido e bem conseguido, que consegue aliar a variedade de som a uma consistência de qualidade que é rara de se encontrar, o que talvez explique o porquê de ser considerado por tantos como o melhor disco de 2011. Eu não iria tão longe, mas admito que é um álbum muito bem feito, que recomendo veemente.
Pontos altos:
- I Can See Through You
- Endless Blue
- Moving Further Away
Nota Final: 8,2/10

Infectious Affectional – X-Wife (Maio)
- Quarto LP do trio portuense de Indie Rock, Infectious Affectional traz-nos mais uma dose de Post-Punk ao bom estilo dos X-Wife, desta vez contagiado pelo Dance Punk de bandas como os LCD Soundsystem ou !!!, resultando num disco em que as guitarradas de João Vieira se fundem de forma perfeita com o sintetizador de Rui Maia. Indiscutivelmente o disco mais dançável da obra dos X-Wife, Infectious Affectional é certamente uma delícia de se ouvir, tanto numa tarde no quarto como à noite numa festa. Um orgulho nacional, este trio.
Pontos altos:
- Keep On Dancing
- That’s Right
- Never Ever
Nota Final: 8,0/10

Cults – Cults (Junho)
- Um dos duos Indie mais badalados dos últimos tempos, os Cults têm sido alvo de um imenso hype desde o lançamento deste LP, o homónimo disco de estreia Cults, que nos traz 11 canções muito aclamadas pela crítica. Contudo, eu creio que toda esta euforia seja “muita parra, pouca uva”. Depois de ouvir este Cults, confesso que não fiquei impressionado com o Indie Pop de Brian Oblivion e Madeline Follin, que me pareceu muito pouco desenvolvido e apelativo. É certo que este LP tem algumas qualidades que vêm ao de cima num punhado de canções, mas no geral, este é um álbum bastante mediano.
Pontos altos:
­- Abducted
- Never Saw the Point
- Bumper
Nota Final: 5,2/10

Keep You Close – dEUS (Setembro)
- Em Keep You Close, os belgas dEUS decidiram deixar de lado os sons mais crus e abrasivos de Vantage Point (2008) e apostar por uma sonoridade mais meiga e radio-friendly, com bases numa produção mais polida e em orquestrações clássicas a marcar a sua presença aqui e ali. Contudo, não posso dizer que veja estas alterações com bons olhos, pois a meu ver o que faz de Vantage Point um grande álbum é mesmo essa crueza e frontalidade, que se perderam neste novo disco. Não quero com isto dizer que Keep You Close é um mau LP, mas fica um pouco aquém das possibilidades do grupo de Tom Barman. Definitivamente, um registo para os fãs, e pouco mais.
Pontos altos:
- The Final Blast
- Constant Now
- Second Nature
Nota Final: 6,8/10

Destroyed. – Moby (Maio)
- Moby é, sem dúvida, um artista bastante prolífico, e os números comprovam-no; 10 álbuns lançados, com o primeiro em 1992, Moby, e com o décimo a ser este Destroyed., que nos traz um Moby que aposta em batidas electrónicas frias e secas, bastante próximas de uma música Ambient apostada em criar cenários gélidos muito cinematográficos. Com um número vasto de convidados para fazer os vocais, Moby recorre também ao vocoder neste Destroyed., o que ajuda a estabelecer uma estética robótica neste disco, que me agradou bastante. Contudo, a verdade é que a extensão do álbum dita que haja alguma inconsistência, fruto de alguns fillers que polvinham o LP, aliado a algumas canções que infelizmente demoram demasiado tempo a “descolar”. Porém, este Destroyed. é uma bela aposta para quem gosta da Electronica mais contemplativa de Moby.
Pontos altos:
­- Be the One
- The Day
- Lacrimae
Nota Final: 7,2/10

sábado, 24 de dezembro de 2011

Curtas 2011 - Série II


The Sea of MemoriesBush (Setembro)
- Dez anos depois de Golden State, os Bush de Gavin Rossdale regressaram a estúdio para gravar o seu sexto álbum, num retorno que tinha tudo para correr mal, mas que acabou por se traduzir em The Sea of Memories, um álbum surpreendentemente bom. Trazendo alguma frescura ao Alternative Rock dos Bush, este LP aposta em músicas fortes e enérgicas e em canções bastante viciantes e bem construídas. Apesar de defeitos como a inconsistência e a perda de fôlego a meio impedirem que este disco seja uma obra-prima, este The Sea of Memories é um bom álbum, bem capaz de relançar a carreira do grupo. Confesso que fiquei com algumas expectativas para um próximo lançamento.
Pontos altos:
- The Mirror of Signs
- She’s a Stallion
- Stand Up
Nota Final: 7,2/10
 It’s Been A Long Night – Sean Riley & the Slowriders (Maio)
- Ao 3º disco de originais, o grupo coimbrense liderado por Afonso Rodrigues decidiu não arriscar muito, e manteve a aposta no seu Folk Rock temperado com Blues tão característico dos Sean Riley & the Slowriders. É certo que em It’s Been A Long Night nota-se que a produção, a cargo de Nelson Carvalho, está mais limpa e cuidada do que em Farewell (2007) e Only Time Will Tell (2009), mas este disco é uma clara aposta na manutenção de uma sonoridade que tem tido bons resultados. Apesar de não ser o meu disco favorito do quarteto, It’s Been A Long Night mostra uns Sean Riley & the Slowriders em grande forma, algo que eu espero que se mantenha.
Pontos altos:
- Silver
- Travelling Fast
- Night Owls
Nota Final: 7,8/10
 Arabia Mountain – Black Lips (Junho)
- Experimentada banda do Garage Punk norte-americano dos últimos 10 anos, os Black Lips  decidiram trabalhar com o famosíssimo Mark Ronson (Kaiser Chiefs ou Amy Winehouse estão no seu currículo) para gravar e produzir o seu sexto disco de originais. O resultado desta experiência foi Arabia Mountain, o álbum com produção mais polida e cuidada de sempre da história da banda. Contudo, ao nível da sonoridade, este continua a ser um disco típico dos Black Lips, com o Garage Punk de revivalismo inspirado nos The Kinks e na British Invasion a marcar uma presença forte. Jovial e enérgico, este Arabia Mountain não justifica, a meu ver, o hype que gerou, mas é uma bela obra.
Pontos altos:
- Modern Art
- Bicentennial Man
- New Direction
Nota Final: 7,5/10

Hurry Up, We’re Dreaming – M83 (Outubro)
- Para o sexto álbum, os M83 apostaram numa obra megalómana: um álbum duplo que, segundo as palavras de Anthony Gonzalez, explora a temática dos sonhos. Trazendo a característica Dream Pop de influência Electronica a que o grupo já nos habitou, Hurry Up, We’re Dreaming revela-se num belíssimo conjunto de 22 canções, mostrando uma ambição que nos lembra Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995), dos The Smashing Pumpkins. É certo que este disco do quinteto francês tem alguma inconsistência e alguns fillers, fruto da sua lona extensão, mas a verdade é que este Hurry Up, We’re Dreaming não deixa de ser um belíssimo LP por causa disso. Um grande disco de 2011.
Pontos altos:
- Midnight City
- This Bright Flash
- New Map
Nota Final: 8,4/10

Lulu – Lou Reed + Metallica (Outubro)
- Sendo eu fã confesso de Metallica e de Lou Reed, custa-me dizer que este Lulu foi das piores coisas que me passou pelos ouvidos neste 2011. A cooperação entre os grandes do Thrash Metal e o decano do Rock não parecia acertada ao início, e os medos da comunidade musical revelaram-se certeiros quando este álbum saiu. Admito que o conceito de misturar spoken word de Lou Reed com o instrumental dos Metallica, com letras inspiradas num musical alemão do século XIX parecia interessante à partida, mas acabou por soar a algo demasiado insípido e pouco apelativo. Enfim, fica para a próxima.
Pontos altos:
- The View
- Cheat on Me
- Junior Dad
Nota Final: 3,7/10

Bad as Me – Tom Waits (Outubro)
- Com quase 40 anos de carreira, e com 17 álbuns de originais editados até à data, Tom Waits é já um veterano do Rock, tendo uma posição já bem firmada no panteão, juntamente com figuras como Bob Dylan ou Neil Young. Contudo, o norte-americano de 62 mantém-se criativo como sempre, e sete anos depois de Real Gone (2004) lança este Bad as Me, um álbum que nos traz a voz distinta e icónica do músico, e que nos mostra um Rock com gostinho a Blues que Waits faz tão bem. Cheio de influências do Jazz, Rockabilly e Rythm & Blues, Bad as Me pode não ser o melhor que o artista já fez, mas é sem dúvida uma prova que Tom Waits se mantém tão relevante e actual como sempre.
Pontos altos:
- Chicago
- Bad as Me
- Satisfied
Nota Final: 8,1/10


Rome – Danger Mouse & Daniele Lupi (Maio)
- Partindo de uma premissa bastante interessante, de fundir o som das bandas-sonoras dos Western Spaghetti  com música Pop mais actual, Rome é o resultado da colaboração do músico e produtor norte-americano Danger Mouse (dos Gnarls Barkley) e do compositor italiano Daniele Lupi, que levou a pioneira ideia. Com instrumentações belas e cinematográficas, que pintam paisagens musicas muito apelativas, Rome conta ainda com as participações especiais de Jack White (The White Stripes, The Raconteurs) e Norah Jones, que juntaram as suas vozes a alguns dos temas presentes, e que enriqueceram este belo trabalho. Em suma, Rome não é perfeito, mas Danger Mouse e Daniele Lupi conseguiram criar aqui um trabalho sólido, original e bem conseguido, e isso é de louvar.
Pontos altos:
- Season’s Trees
- Two Against One
- The Matador Has Fallen
Nota Final: 8,0/10

Wild Flag – Wild Flag (Setembro)
- Composto por antigos membros de bandas consagradas do Alternative Rock norte-americano (Sleater-Kinney, Helium e The Minders), as Wild Flag são um “super-grupo” feminino que lançou este ano o seu primeiro disco, o homónimo Wild Flag, que traz um Indie Rock com uma grande influência de sonoridades Punk e Post-Punk, que se traduz em canções rápidas, frenéticas e imbuídas numa “aura” juvenil com muito boa onda. Apesar de não conseguir chegar ao nível dos discos “históricos” das bandas que antecederam este grupo, a verdade é que esta é uma das estreias mais interessantes deste ano.
Pontos altos:
- Boom
- Short Version
- Racehorse
Nota Final: 7,9/10

Hysterical – Clap Your Hands Say Yeah (Setembro)
- 3º disco deste grupo de Brooklyn, Hysterical traz-nos uma versão mais mitigada e radio-friendly da Indie Pop a que os Clap Your Hands Say Yeah nos habituaram. Com uma produção mais polida, e com forte aposta em orquestrações clássicas, longe estão os tempos de experimentalismo e arrojo do disco de estreia homónimo de 2005, onde a música dos Clap Your Hands Say Yeah faziam lembrar os Talking Heads. É verdade que, em momentos, este Hysterical parece recordar esses momentos áureos da banda, mas infelizmente este disco mostra um grupo muito mais Pop, com a voz de Alec Ounsworth a trocar os seus vocais pitorescos por um registo mais normal. Confesso que esperava mais deste quinteto.
Pontos altos:
- Same Mistake
- Into Your Alien Arms
- Ketamine and Ecstasy
Nota Final: 6,2/10

Strange Mercy – St. Vincent (Setembro)
- Sucessor do muito aclamado Actor (2009), Strange Mercy é o terceiro disco da norte-americana St. Vincent, e traz-nos mais um trago de Baroque Pop de fino recorte que caracteriza a sonoridade que a artista tem vindo a desenvolver desde Marry Me (2007). Com recurso a influências vindas do Alternative Rock e até do Jazz, este disco traz-nos também letras de tom introspectivo, e uma estética geral bastante intimista que me agradou bastante. Contudo, nem tudo é brilhante neste Strange Mercy, e alguns dos seus defeitos, como a inconsistência e a falta de apelo de algumas canções, impedem-me de poder dizer que este é um LP perfeito. Porém, este 3º disco de Annie Clark é bastante bom, e poderá traduzir-se numa boa descoberta para os mais distraídos.
Pontos altos:
- Cruel
- Surgeon
- Year of the Tiger
Nota Final: 8,0/10

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Slave Ambient


Em 2003, Adam Granduciel Kurt Vile, ambos da cidade de Philadelphia, decidiram juntar-se e criar um grupo de Folk Rock, os The War on Drugs. Após um elogiado disco de estreia, Wagonwheel Blues (2008), Vile saiu da banda, para perseguir uma bem sucedida carreira a solo. Agora, quase três anos depois do primeiro LP, surge o segundo registo do grupo, Slave Ambient, que chegou às lojas no passado dia 15 de Agosto, e que será hoje alvo de crítica.

Ao ouvir Wagonwheel Blues, encontrei uma banda cuja sonoridade se assemelhava à obra a solo de Kurt Vile: uma mistura do Folk e Folk Rock com a distorção e efeitos vindos do Shoegaze de bandas como os My Bloody Valentine ou The Jesus and Mary Chain. Confesso que apreciei, mas não posso dizer que Wagonwheel Blues tenha sido uma obra prima, pois a meu ver sofria de desequilíbrios de qualidade tremendos. Contudo, o mesmo não se passa com Slave Ambient.

À semelhança do primeiro álbum, Slave Ambient também aposta no cruzamento do Folk e do Folk Rock com o Shoegaze e a Dream Pop. Porém, se em Wagonwheel Blues encontrávamos um maior aproximação à Folk e uma instrumentação mais forte, neste segundo disco os The War on Drugs apostaram pelo outro lado do espectro, surgindo com um LP muito mais inclinado para os ambientes etéreos e hipnóticos da Dream Pop.

Contudo, no departamento vocal, Granduciel continua a soar a um meio caminho entre Bob Dylan e Bruce Springsteen, um autêntico regalo para quem, como eu, gosta dessas vozes “carismáticas”. Ao nível da produção, existe um maior cuidado do que no disco de estreia, mas continuamos a ter um clima muito “sonhador” em todo o registo, algo que me agradou bastante. A homogeneidade de Slave Ambient também é, sem dúvida, um factor muito positivo.

Porém, devo dizer que nem tudo esteve do meu agrado neste álbum. Um dos principais problemas é, a meu ver, o facto de existirem alguns “interlúdios” instrumentais entre canções, que destoam do ambiente geral do resto do disco, e que chegam a cortar várias vezes o andamento do LP.

Outro problema é o facto de alguma das canções deste Slave Ambient me soarem um pouco desinspiradas. Não digo que sejam más, mas simplesmente não estão ao nível de outras, e eu falho em sentir uma ligação com elas, o que a meu ver retira algum do brilho deste disco.

Como melhores faixas deste disco, destaco a alegre Brothers, a fervilhante Your Love Is Calling My Name, e a minha preferida do álbum, Baby Missiles, que passa um sentimento de urgência que faz dela uma canção muito forte. As peças menos boas são, a meu ver I Was There, The Animator ou City Reprise #12, que padecem de todas as falhas que enunciei anteriormente.

Em suma, Slave Ambient é um belo disco, que mostra uma franca melhoria em relação ao seu antecessor, Wagonwheel Blues. Apesar de manter alguma da estética do álbum de estreia, este LP mostra uma banda que não tem medo de mudar a sua sonoridade e arriscar, e isso é algo que valorizo muito. Esperemos que essa coragem se mantenha para ver se da próxima vez os The War on Drugs conseguem surpreender ainda mais.

Nota Final: 8,2/10


João Morais


[Este texto foi originalmente publicado no Espalha Factos, podendo ser lido aqui]

sábado, 17 de dezembro de 2011

Curtas 2011 - Série I


Com o final de ano a aproximar-se chega também a altura de olhar para os últimos 12 meses e analisar os discos que “escaparam” das malhas das reviews, para poder ter um panorama mais completo do que foi a música de 2011. Para o MDC esse trabalho é longo e árduo, e por isso inicio aqui uma rubrica que será recorrente nos próximos dias, o Curtas 2011, que visa dar uma breve vista de olhos pelos álbuns que, infelizmente, foram negligenciados aquando do seu lançamento, mas que se vêem agora justiçados.

Father, Son, Holy GhostGirls (Setembro)
- Após o hype de Album (2009), LP de estreia dos Girls que fundia o Lo-fi  tipicamente Indie com um leque vasto de influências como The Beach Boys, Elvis Costello ou Spiritualized, o grupo de Christopher Owens voltou este ano a estúdio para lançar este Father, Son, Holy Ghost, um disco que traz algumas mudanças na sonoridade da banda. Uma produção mais polida e com muito menos Lo-fi, e um som fortemente influenciado pelos anos 60 e 70 (veja-se Die, que “tresanda” a Fleetwood Mac) traduzem-se num disco que é, a meu ver, mais fraco que o seu antecessor, mas que ainda assim consegue ser um belo registo, merecedor de atenção por parte dos melómanos fãs de Indie Rock.
Pontos altos:
- Die
- Vomit
- Jamie Marie
Nota Final: 7,0/10
Gloss Drop – Battles (Junho)
- Reflexo da saída do vocalista e multi-instrumentalista Tyondai Braxton, este Gloss Drop revela-se como um álbum maioritariamente instrumental, se bem que pontualmente polvilhado de (brilhantes) participações especiais de vocalistas convidados (como Gary Numan em My Machines ou Matias Aguayo em Ice Cream). No geral, o Math Rock dos nova-iorquinos Battles surge em Gloss Drop mais fluído e solto do que em Mirrored (2007), traduzindo-se num LP bastante experimental, mas com uma enorme consistência ao nível da qualidade. Fica-se à espera do que estes norte-americanos terão para dizer no próximo disco, mas a verdade é que este Gloss Drop colocou a fasquia num patamar bastante elevado.
Pontos altos:
- Ice Cream
- Wall Street
- White Electric
Nota Final: 8,3/10
James Blake – James Blake (Fevereiro)
- Visto por várias publicações de música como o disco do ano, este primeiro LP do britânico James Blake veio surpreender muita gente com a forma como juntou Electronica e Post-Dubstep com Soul e R&B, cortando com a tendência que tinha vindo a seguir nos EP’s que antecederam este James Blake. Contudo, apesar da inovação ser bastante interessante, não posso dizer que este registo me tenha conquistado por inteiro. É certo que estão aqui presentes canções de grande nível, com uma sensibilidade tocante, mas a verdade é que, a meu ver, algumas das faixas com maior potencial acabaram por ser “esmagadas” pelo experimentalismo cego da sua Electronica e o uso constante do Auto-Tune. Em suma, não é uma má estreia, mas acabou por me parecer apenas uns furos acima do mediano.
Pontos altos:
- The Wilhelm Scream
- Limit to Your Love
- To Care (Like You)
Nota Final: 6,8/10
The Hunter – Mastodon (Setembro)
- Quinto álbum de um dos nomes mais sonantes do Sludge Metal, The Hunter mostra uns Mastodon que decidiram fazer algumas reestruturações na sua fórmula clássica. Mudando um cânone cujas origens remontam a Remission (2002), The Hunter afasta os épicos conceptuais “Prog-escos” de 15 minutos e aposta em 13 canções curtas, fortes e directas. Contudo, existe uma certa continuidade, tanto na sonoridade de base (que se mantém numa fusão entr o Sludge e o Progressive Metal) como nas líricas (que preservam a estética baseada em grandes clássicos da literatura e mitologias ancestrais), que irá de certo agradar à “velha guarda” dos fãs do grupo. Resumindo, The Hunter é um belíssimo disco que veio trazer uma certa frescura a uma fórmula vencedora.
Pontos altos:
- Black Tongue
- Blasteroid
- Dry Bone Valley
Nota Final: 8,0
Metals – Feist (Outubro)
- Que seria difícil suceder ao hiper-aclamado The Reminder (2007), já toda a gente sabia. Infelizmente, eu não estava à espera de ficar tão desiludido com o quarto disco da canadiana Leslie Feist. Apesar de louvar a tentativa de inovação, e da exploração de ambientes mais negros e introspectivos, a verdade é que este Metals não consegue passar da mediocridade, pois acaba por se tornar demasiado monótono e sonolento, devido ao excessivo uso do “piano choradinho”, que falha em complementar bem as canções. Embora estejam também presentes algumas peças de grande qualidade, que de facto mostram o quão talentosa Feist, a verdade é que este Metals acaba por ser, na minha opinião, um grande retrocesso em relação ao trabalho demonstrado em The Reminder.
Pontos altos:
- A Commotion
- Undiscovered First
- Comfort Me
Nota Final: 5,5/10
The Year of HibernationYouth Lagoon (Setembro)
- Projecto nascido da mente de Trevor Powers, Youth Lagoon é um dos nomes que mais hype tem gerado dentro da cena Indie norte-americana. Com uma estética Chillwave bem presente, The Year of Hibernation prima pelo tom intimista e tocante que a mistura da Lo-fi, Synthpop e Dream Pop conferem à sonoridade deste disco. Contudo, esta pequena pérola de 8 faixas não é perfeita, pelo que se nota alguma homogeneidade no registo, que faz com que às vezes pareça que não há quase diferença entre canções. Contudo, esta é uma bela estreia de Powers, que irá fazer as delícias de muito aficionado do Chillwave. Destaque também para 17, um dos grandes temas de 2011.
Pontos altos:
- Afternoon
- 17
- Daydream
Nota Final: 7,7/10
Bon Iver, Bon IverBon Iver (Junho)
- Começando como projecto a solo do norte-americano Justin Vernon, que se tornou num dos grandes nomes do Indie em 2008 com o brilhante For Emma, Forever Ago, Bon Iver (agora em formato banda) regressou este ano com o duplamente homónimo Bon Iver, Bon Iver, um disco que conseguiu surpreender toda a gente, pela inesperada transição directa do Folk para o Baroque Pop, o que acaba por ser, para mim, tanto bom quanto mau. Apesar de apreciar a constante inovação e renovação por parte dos artistas, a verdade é que a ruptura de um intimismo solitário do duo cantautor/guitarra para uma panóplia imensa de sons e instrumentos acaba por, em algumas ocasiões, “encher” o som e matar a “sinceridade” que eu tanto apreciei em For Emma, Forever Ago. Conclusão: Bon Iver, Bon Iver é um bom disco, mas confesso que esperava melhor.
 Pontos altos:
- Perth
- Holocene
- Calgary
Nota Final: 7,3/10
GoblinTyler, The Creator (Maio)
- Um dos principais membros dos Odd Future (ou OFWGKTA), grupo de rappers e produtores de Alternative Hip-Hop californianos, Tyler, The Creator é, provavelmente, o artista mais polémico de 2011, quer pelas acusações de misoginia e homofobia de que é alvo, que pelos polémicos videoclips que imagina para as suas canções. Este ano, lançou o sucessor de Bastard (2009), Goblin, o seu segundo disco a solo, e cuja sonoridade se mantém bem assente em letras provocantes e em ritmos electrónicos gélidos, mas que acaba por falhar em suceder condignamente ao “primogénito”, devido à sua gritante irregularidade ao nível da qualidade. É certo que algumas canções são bastante boas, mas no geral confesso-me desiludido com este Goblin.
Pontos altos:
- Yonkers
- She
- Sandwitches
Nota Final: 5,3/10
Era Extraña – Neon Indian (Setembro)
- Para quem não conhece, os Neon Indian são um dos grandes nomes do movimento Chillwave (a par de projectos como Toro Y Moi ou Washed Out), criado pelas mãos de Alan Palomo, e que se estreou em 2009, com o mui badalado Psychic Chasms. Agora, em 2011, surge o segundo disco da banda, Era Extraña, que continua na linha de fusão do Indie Pop com a Lo-fi que imperava em Psychic Chasms, mas de forma mais sólida e consistente, algo que me agradou imenso. Os vocais etéreos, as batidas frenéticas, as distorções hipnóticas,os samples de antigos jogos de arcada (oiça-se Arcade Blues), tudo se conjuga muito bem neste belíssimo Era Extraña.
Pontos altos:
- Polish Girl
- Hex Girlfrend
- Halogen (I Could Be A Shadow)
Nota Final: 8,0/10
Ceremonials – Florence + the Machine (Outubro)
- Confesso que não morri de amores por Lungs (2009), álbum de estreia da britânica Florence Welch e da sua máquina que conseguiu arrebatar os corações de muito boa gente. Por isso, não é de estranhar que não tenha ficado propriamente entusiasmado com o lançamento do seu sucessor, Ceremonials, mas ainda assim decidi dar-lhe uma chance e ouvi-lo. O resultado; apesar de ainda não me ter convertido ao culto de seguidores da ruiva que reina no mundo da Indie Pop, a verdade é que este segundo LP mostra uma sonoridade mais madura, com uma produção mais aprumada e com instrumentações mais bem conseguidas. É preciso dar crédito aonde ele é merecido, e a verdade é que Ceremonials conseguiu subir a fasquia para os Florence +  the Machine, mesmo que o som do grupo continue a soar-me bastante mediano. Talvez para a próxima eu me deixe conquistar, mas até lá, continuamos assim.
Pontos altos:
- Shake It Out
- No Light, No Light
- Spectrum
Nota Final: 5,8/10

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ritual Union


Vindos da Suécia, os Little Dragon são um quarteto de Trip Hop Electronica que começou a sua carreira em 1996. Os seus primeiros dois discos, Little Dragon (2007) e Machine Dreams (2009), foram muito bem recebidos pela crítica, que elogiou a forma como os vocais delicados de Yukimi Nagano e a mistura de géneros tão díspares como aSoul, o Downtempo ou a Synthpop se fundiam para criar uma sonoridade única. Hoje, em análise, temos o terceiro LP da banda, Ritual Union, saído a 25 de Julho.

Confesso, apenas recentemente comecei a “mergulhar” no catálogo desta banda sueca. No entanto, após algumas audições, percebi porque é que este grupo é tido em tão grande conta, tanto pela crítica como por outros artistas (prova disso é a colaboração com os Gorillaz em Plastic Beach). Ao ouvir os primeiros dois álbuns, confesso que o som dosLittle Dragon me deixou num estado absoluto de relaxamento e despreocupação, e isso é algo que felizmente transita para este Ritual Union.

A voz de Yukumi Nagano, apesar de manter a delicadeza dos discos anteriores, surge aqui mais incisiva, mostrando uma faceta menos conhecida da cantora. As letras também acompanham essa evolução. Apesar de ainda haver espaço para o intimismo e gentileza de Little Dragon Machine Dreams, aqui vemos mais angústia e amargura na escrita dos temas, uma maturidade que me agradou.

Contudo, o maior trunfo deste Ritual Union é sem dúvida o som propriamente dito. As batidas que caracterizaram os anteriores lançamentos dos Little Dragon ainda estão bem presentes, continuando a trazer à memória uns Massive Attack (particularmente da era Mezzanine). Porém, a sonoridade no seu todo vem carregada de mais sintetizadores e com um ambiente que encontra clara inspiração na New Wave britânica dos anos 80. Isto, aliado a uma produção bem equilibrada, resulta num disco que me agradou bastante.

No entanto, Ritual Union não escapa sem alguns defeitos, a começar pela falta de consistência, que  a meu ver mina a potencialidade que este disco tinha de ser uma obra brilhante. Se é verdade que neste álbum estão presentes peças extraordinárias, também não estarei a mentir quando digo que estão aqui presentes canções que não me agradaram nem um bocadinho.

Outro problema é a maneira como essas canções, para mim inferiores, estão todas concentradas no final do disco, o que faz com que estas “matem” o andamento esplendidamente construído até aí, encerrando mal o disco. Aliás, Seconds foi, na minha opinião, a pior escolha para fechar o LP, pois deixou-me a sensação de que este Ritual Union não ficou bem resolvido.

Como canções obrigatórias, indico a vibrante Please Turn, a faixa-título Ritual Union, que abre o disco muito bem, com uma evolução que desemboca num clímax sonoro incrível, ou aquela que é, a meu ver, a melhor faixa deste álbum, Shuffle A Dream, uma espectacular  música, em que o sintetizador ritmado consegue contagiar qualquer um. As piores do LP são, para mim, NightlightWhen I Go Out ou Seconds, músicas muito inferiores àquilo que já vi este grupo sueco fazer.

Concluindo, Ritual Union é uma bela obra, que mantém o nível de qualidade a que os Little Dragon nos têm habituado. Preservando a identidade musical que os distinguiu, este disco irá com certeza trazer mais fãs à banda, ao mesmo tempo que deixa os antigos seguidores felizes. Contudo, está longe de ser perfeito, tendo defeitos que o impedem de vôos mais altos. No entanto, não deixa de ser um agradável álbum de Trip Hop e Electronica, muito relaxante, que recomendo vivamente.

Nota Final: 7,8/10

João Morais

(Este texto foi originalmente publicado no Espalha Factos e pode ser visto aqui)