sexta-feira, 13 de julho de 2012

Mixtape da Semana // Week 23 [Optimus Alive]

A poucas horas do início do sexto Optimus Alive, que terá mais uma vez lugar no Passeio Marítimo de Algés, fica aqui uma Mixtape da Semana com alguns dos concertos que o Música Dot Com não irá perder!

Entre os nomes que mais ansiosamente esperamos estão os Refused (New Noise), os retornados The Stone Roses (I Wanna Be Adored) e, como é óbvio, os grandes Radiohead (Morning Mr Magpie). Porém, as actuações dos The Parkinsons (Bad Girl), Tricky (Black Steel), The Cure (In Between Days) e The Kills (Last Day of Magic) também prometem ser mágicas (no pun intended)!

Esta Mixtape conta com as seguintes faixas:
·         I Wanna Be Adored The Stone Roses
·         Genesis Justice
·         Bad GirlThe Parkinsons
·         New Noise Refused
·         Black Steel Tricky
·         Undertow Warpaint
·         Morning Mr Magpie Radiohead
·         Sylvia The Antlers
·         Last Day of Magic The Kills
·         In Between Days The Cure 


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Reportagem: Optimus Primavera Sound 2012


Depois de uma magnífica estadia na bela cidade do Porto, e de alguns dias um mês para digerir as experiências e aclarar as ideias, aqui estou eu a apresentar-vos a reportagem MDC da primeira edição do Optimus Primavera Sound, versão nacional do mítico festival alternativo catalão, e que decorreu nos passados dias 7, 8, 9 e 10 de Junho, no Parque da Cidade.

Antes de me atirar à escrita sobre os concertos propriamente ditos, há que destacar dois aspectos essenciais, e que fizeram deste um festival único: o magnífico cenário, com a espectacular simbiose entre os três maiores palcos e a natureza que os rodeava (especial destaque para o All Tomorrow’s Parties), e o caloroso ambiente que se vivia ali, e que transformou o Parque da Cidade, por três dias, numa autêntica capital internacional da melomania.

Arrumado isto, falemos dos concertos propriamente ditos.

DIA 7

Palco Primavera Atlas Sound (19.00)
- Depois de uma gigantesca fila para levantar as pulseiras (faço aqui o mea culpa pela confusão que fiz) e de pedir informações ao Noiserv (que grande história que isto dá), o MDC chegou ao Parque da Cidade, ainda a tempo de apanhar parte da actuação de Bradford Cox. Porém, não se pode dizer que tenha sido um concerto muito inspirado; com um público bastante apagado e com Cox um bocado desligado de tudo e de todos, o show de Atlas Sound não deu sequer para aquecer, com muita pena minha.

Palco OptimusYann Tiersen (20.15)
- Deixando de lado o sr. Cox e as suas experimentações masturbatórias, decidi ir logo para o palco onde iria actuar Yann Tiersen. Num concerto repleto de canções viciantes e afiadas, e uma Pop dançável e extremamente enérgica, o francês só terá desiludido quem ainda tinha esperanças de ouvir pedaços das bandas-sonoras de Amélie ou Goodbye Lenin. Apesar da chuva, que fez questão de marcar a sua presença a meio da setlist, o espectáculo de Yann Tiersen foi, para mim, o ponto alto do primeiro dia.

Palco Primavera - The Drums (21.30)
- Já a lua fazia questão de aparecer quando subiu ao palco este grupo oriundo de Brooklyn. Apesar de muita gente já ter “cuspido” na actuação dos The Drums, eu não posso dizer que tenha saído dali desiludido. Com a sua Indie Pop alegre, catchy e a puxar os pés para a dança, o grupo liderado por Jonathan Pierce conseguiu assinar uma actuação sólida e imaculada, onde só ficou a faltar a Forever and Ever, Amen.

Palco OptimusSuede (22.45)
- Apesar de apreciar bastante os dois primeiros discos dos Suede (o homónimo de 1993 e Dog Man Star de 1994), não posso dizer que seja um grande fã da banda, nem que esperava ansiosamente este concerto. Porém, não há como nega-lo: hinos como Animal Nitrate, We Are the Pigs ou Beautiful Ones parecem ter sido talhados para as grandes audiências, e não há como escapar ao sing-along. Em suma, durante cerca de uma hora e meia o Parque da Cidade regressou aos anos 90.

Palco Primavera Mercury Rev (0.30)
- Não consigo colocar por palavras a desilusão que senti com a actuação dos Mercury Rev no Optimus Primavera Sound. Colado à grade, esperava a delicadeza e a doçura Dream Pop dos seus grandes êxitos, mas o que me saiu foi um Rock de bordel rasca e barato, regado com vinhaça reles. Tirando um ou outro momento em que conseguiram escapar deste ambiente desolador, não houve nada que me interessasse no concerto do grupo de Jonathan Donahue.

Palco OptimusThe Rapture (2.00)
- Confesso que fui para o concerto de The Rapture a medo e sem saber bem o que me esperava, isto porque “decidi” passar ao lado de In the Grace of Your Love, o disco de 2011 da banda norte-americana. Porém, só tenho a dizer que fiquei rendido aos nova-iorquinos depois do show que deram. Numa hora repleta de energia, groove e música extremamente catchy, o Dance Punk dos The Rapture conseguiu pôr toda a gente a dançar. E How Deep is Your Love, o “hino” do festival, foi cantado a plenos pulmões no Parque da Cidade.

DIA 8

Palco Primavera Linda Martini (17.00)
- Uma das bandas mais acarinhadas do panorama musical nacional, os Linda Martini são um daqueles nomes que brilha seja em que cartaz for, e o concerto no Optimus Primavera Sound foi mais uma prova disso. Trazendo no bolso um Alternative Rock carregado de energia, catarse e rebeldia, o quarteto lisboeta fez com que, durante 45 minutos, o Parque da Cidade se transformasse num cenário de combate. A guitarra partida, o crowdsurfing a rodos e o pó levantado dos moshpits foram a prova disso.

Palco OptimusWe Trust (18.00)
- These New Countries, o álbum de estreia de We Trust, o projecto do (também realizador) André Tentugal, foi considerado aqui pelo MDC como um dos melhores 20 discos de 2011 (ficou em 19º), e isso deveu-se à sua frescura e à beleza e delicadeza das suas composições. Porém, na transposição das músicas para o palco, confesso que não fiquei propriamente entusiasmado. Um concerto morno, com uma audiência mortiça, traduziu-se na minha migração para o Palco Club. Fica para a próxima.

Palco ClubOther Lives (18.15)
- Apanhei a actuação dos norte-americanos Other Lives já a meio, e apenas tive tempo para assistir a um par de canções, pelo que não há muito que eu possa dizer acerca deste concerto. Porém, uma coisa é certa: a Folk meio experimental e psicadélica do grupo liderado por Jesse Tabish não foi, de todo, talhada para um palco tão “urbano” quanto o Club.

Palco Primavera Yo La Tengo (19.00)
- Estaria a mentir se dissesse que sou um die-hard fan dos Yo La Tengo, mas a verdade é que este era um dos nomes do festival que eu mais ansiava por ver, tanto pela relevância histórica que a banda teve no Alternative Rock norte-americano dos anos 80 e 90 como pela qualidade das canções que lhes conheço. E não posso dizer que tenha ficado desiludido; num concerto recheado tanto de feedback e distorção abrasiva como de canções deliciosamente Pop e catchy, Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew conquistaram-me por completo, assim como às pessoas que se deslocaram ao Palco Primavera para os ver. Ouvi dizer por lá que “não se tendo Sonic Youth, tem-se Yo La Tengo”, mas a verdade é que este trio joga num campeonato só deles.

Palco ClubChairlift (20.45)
- Para fugir a Rufus Wainwright fui-me abrigar para o Palco Club, desta vez para ver se apanhava um bocadinho da actuação dos Chairlift. O duo, composto por Caroline Polachek e Patrick Wimberly (a quem se juntam, em palco, mais três músicos), veio a Portugal mostrar Something, um disco cheio de deliciosa Indie Pop que tem feito as maravilhas da crítica (incluindo aqui o MDC). Apesar de não ter estado muito tempo a ver o concerto, posso dizer que não fiquei desiludido com a música viciante e dançável dos Chairlift. Fico à espera de mais oportunidades para os ver, de preferência por inteiro.

Palco Primavera The Flaming Lips (21.30)
- Para coroar um dia que já estava a ser bastante incrível vieram os The Flaming Lips, e o seu reputado espectáculo de psicadelismo e fantasia. Sendo eu um grande fã da música do grupo, posso dizer que este era, sem dúvida, um dos concertos que eu mais esperava de todo o festival, tanto pela (magnífica) componente musical como pelo show visual que a banda de Wayne Coyne faz questão de dar ao público. E mais uma vez, Coyne e companhia excederam-se e deram a quem se deslocou ao Palco Primavera a “noite das suas vidas”. Bolas de espelhos, confettis, mãos gigantes que disparam lasers, dançarinas “tirolesas” a saltarem nas laterais do palco, crowdsurfing dentro de uma bolha de plástico, todas estes ingredientes juntaram-se à proficiência musical dos The Flaming Lips e ao delírio do público para fazer com que este fosse, sem dúvida, um dos pontos altos de todo o festival. Apesar de ter ficado triste por ter perdido os Black Lips, que ao mesmo tempo faziam a revolução Rock no Palco Club, a verdade é que Worm Mountain, Yoshimi Battles the Pink Robots, Pt. 1, Race for the Prize ou Do You Realize?? conseguiram levar-me aos céus. Um concerto de outro mundo, e um dos melhores a que já tive o prazer de assistir.

Palco All Tomorrow’s PartiesShellac (23.30)
- No que toca à produção de discos lo-fi, as coisas passam-se do seguinte modo: Steve Albini no céu, Steve Albini na terra, e deus não é perdido nem achado no assunto. Por isso, e porque sou um gigantesco fã dos projectos musicais do norte-americano (especialmente dos Big Black, seminal banda Noise dos anos 80), não podia perder a chance de o ver em palco a malhar forte e feio numa guitarra eléctrica, acompanhado Bob Weston (baixo) e Todd Trainer (bateria). Prayer To God, Squirrel Song, Steady as She Goes ou My Black Ass foram algumas das munições disparadas de rajada por um Albini frio, distante mas sempre muito, muito poderoso. Destaque também para The End of Radio (polvilhada com Transmission, dos Joy Division), que conseguiu mostrar-me algo que nunca pensava ser possível; como deixar uma plateia inteira em suspense apenas com um simples riff de baixo, umas estocadas na tarola e um magnífico discorrer de spoken word. Simplesmente espectacular.

Palco ClubBeach House (1.00)
- Novamente, a dor de fazer escolhas difíceis, desta vez entre The Walkmen no Palco Primavera ou Beach House no Palco Club. Tendo já visto o grupo de Hamilton Leithauser ao vivo, no SBSR do ano passado, decidi optar pela novidade e fui ver o grupo de Victoria Legrand e Alex Scally, que lançou há pouco tempo o mui belo Bloom (cuja review está para sair, “trust me”). E, apesar da má escolha de palco e do ambiente meio manhoso que se sentia no público, não posso dizer que me tenha sentido defraudado com a minha decisão. Numa hora absolutamente mágica, a música etérea e hipnotizante dos Beach House e o jogo de luzes sedutor deixou-me totalmente inebriado. É verdade que com outras condições teria sido um concerto ainda melhor, mas mesmo assim o espectáculo foi bastante especial.

Palco OptimusM83 (2.15)
- Cansado, ensonado e esfaimado, fiz ainda assim o esforço e fui ver os franceses M83 ao palco principal, como forma de encerrar a noite em grande. Contudo, não posso dizer que tenha ficado totalmente encantado (se bem que a culpa também pode ter sido do meu estado de espírito). Num concerto que me pareceu um pouco morno e demasiado curto, salvaram-se alguns pontos altos que aqueceram o público na noite fresca. E obviamente que Midnight City, com presença de um saxofonista, fez as maravilhas de muitos festivaleiros.

DIA 9
Palco Primavera Gala Drop (17.00)
- Depois da bem-sucedida “luta” por um bilhete para os concertos na Casa da Música do dia seguinte, seguiu-se um pulinho bem pequenino pelo Palco Primavera para ver os portugueses Gala Drop. Apresentando o psicadélico Broda, o mais recente EP do grupo e que foi gravado em conjunto com o guitarrista norte-americano Ben Chasny (Six Organs of Admittance), o grupo teve de lutar contra a chuva, que teimava em flagelar quem se encontrava no Parque da Cidade. Porém, daquilo que ouvi (e que não foi muito), posso dizer que fiquei agradado. Fico à espera de uma próxima oportunidade de os apanhar ao vivo.

Palco ClubVeronica Falls (18.15)
- Para alguma coisa havia de servir o amaldiçoado Palco Club, e serviu à justa para abrigar da chuva aqueles que se recusavam a enfrentar a mansa enxurrada que flagelava o Parque da Cidade. E para servir de banda-sonora perfeita para o cenário cinzento que se desenhava no recinto vieram os Veronica Falls, com a sua Indie Pop penumbrenta e sombria. Num concerto que animou as hostes q.b. (especialmente quando se tem em conta que mais de metade das pessoas presentes apenas estavam à espera que a chuva passasse), Found Love in a Graveyard e Beachy Head foram definitivamente pontos altos.

Palco Primavera Spiritualized (19.00)
- Um dos nomes mais esperados do 3º dia do festival, os Spiritualized do britânico Jason Pierce conseguiram chamar ao Palco Primavera uma enchente de pessoas que, temerárias, decidiram enfrentar a chuva que se recusava a ir embora. Em troca, a multidão recebeu da parte dos Spiritualized um concerto curto mas extremamente sólido, e que para além da apresentação do mais recente Sweet Heart Sweet Light (cuja review também está para sair) trouxe também alguns temas mais “clássicos”, como a (apropriada) Lord Let It Rain on Me, Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space, Come Together ou a cover dos saudosos Spacemen 3, Walkin’ With Jesus.

Palco OptimusKings of Convenience (23.00)
- Depois da desilusão do cancelamento de Death Cab for Cutie (que se deu, em parte, por culpa da organização) e de um pulinho pelo palco ao lado para ver os retornados The Afghan Whigs, lá fui eu de novo para o palco principal para ver outro nome “grande” do dia: os Kings of Convenience, que vieram substituir a islandesa Björk. E cá para nós, que ninguém nos ouve, acho que ficámos mais bem servidos com este duo sueco que trouxe, para além das cantigas de amigo e das melodias agridoces, muita boa disposição e animação ao Parque da Cidade. Homesick, Misread ou I’d Rather Dance with You foram, sem dúvida, pontos incontornáveis de um concerto maravilhoso.

Palco Primavera Saint Etienne (0.35)
- Tendo já perdido os Wavves e os Dirty Three nos palcos secundários, deixei-me ficar pela zona dos palcos principais para apanhar um bocado do concerto dos Saint Etienne. Apresentando o seu oitavo disco de estúdio, Words and Music by Saint Etienne, o trio britânico de Electronica trouxe um show rico em dança e euforia, onde só ficou a faltar a bola de espelhos. Destaque também para o glamour de um grupo de espanhóis a snifar coca mesmo ao meu lado. Priceless.

Palco OptimusThe xx (1.50)
- E foi com os The xx, um dos nomes mais esperados do festival, que se encerraram os concertos nos  palcos principais do Parque da Cidade. Num concerto intimista, etéreo e melancólico, o grupo trouxe na bagagem algumas das canções que irão integrar Coexist, o segundo disco do trio britânico e que tem data de lançamento marcada para 10 de Setembro. Porém, e isto é indiscutível, foram as canções de xx, o álbum de estreia de 2009, que fizeram com que a numerosa plateia se rendesse a Romy Croft, Oliver Sim e Jamie Smith. Para além disso, fica também registada a (na minha opinião) terrível interpretação de Crystalised, mas que não chegou para meter mácula num concerto onde Heart Skipped a Beat, Basic Space e VCR se fizeram ouvir pelos pulmões de milhares de pessoas.

DIA 10

Sala SuggiaThe Olivia Tremor Control (20.30)
- E foi em modo gourmet, no salão “nobre” da Casa da Música do Porto que teve lugar o último dia do Optimus Primavera Sound. Em palco, o grupo The Olivia Tremor Control (que é como quem diz “os The Beatles underground americanos dos anos 90”) trouxeram um show cheio de psicadelismo, energia e loucura. Misturando a acidez Rock com uma instrumentação deveras peculiar para uma banda Pop (violinos e flautas incluídas), o retornado grupo mostrou que, mesmo com a prolongada pausa, os anos mal passaram por eles. Destaque especialmente para I Have Been Floated, do (maravilhoso) Black Foliage: Animation Music Volume One, de 1999, e que contou com a participação especial de Jeff Mangum, que pouco tempo depois pisaria ele próprio, pela segunda vez, aquele palco.

Sala Suggia Jeff Mangum (22.00)
- Não escondo que, de todo o cartaz, este era o concerto que mais aguardava. Devoto incondicional dos Neutral Milk Hotel e fanboy assumido de In the Aeroplane Over the Sea (1998), admito que me senti como uma miúda de 12 anos quando vi o “regresso dos mortos” de Jeff Mangum e a sua posterior confirmação para este festival. E quando chegou o momento do cantautor em palco, notava-se que não era o único a sentir-se assim. Com um público totalmente rendido e em completa comunhão com o artista (que convidou a plateia a aproximar-se dele e a sentar-se no chão), Mangum trouxe uma setlist inspirada primariamente em ITAOTS; Two-Headed Boy (partes 1 e 2 back-to-back), Holland, 1945, ou Ghost fizeram com que toda a Sala Suggia cantasse a plenos pulmões, mais do que tinham cantado nos três dias anteriores. No entanto, houve mais canções para além das do icónico segundo álbum dos Neutral Milk Hotel. Servindo como “brindes” para uma audiência que esperou mais do que uma vida por este concerto, Song Against Sex, Little Birds ou Gardenhead/Leave Me Alone caíram que nem ginjas aos ouvidos dos fãs mais ferrenhos do artista (entre os quais eu, modestamente, me incluo). Para terminar uma actuação brilhante veio a delicada e tocante Oh Comely, numa interpretação capaz de levar muitos às lágrimas. Para mim (e apesar de terem havido outros concertos no Hard Club), o Optimus Primavera Sound não podia ter acabado de melhor forma. Porra, podia ter ali acabado o mundo que eu sairia de lá com um sorriso nos lábios.
Setlist

João Morais

PS:Todas as (difusas e escassas) fotos foram tiradas em colaboração com a Diana Carvalho <3

terça-feira, 26 de junho de 2012

Mixtape da Semana // Week 22

Como forma de regressar a um ritmo de publicação decente após a “ressaca” do Optimus Primavera Sound, o MDC decide trazer-vos de volta a Mixtape da Semana, a rubrica destinada a saciar os vossos ouvidos melómanos com músicas escolhidas pelo blog (ou não), e que já vai na sua 22ª edição.

Hoje, e como forma de dar as boas-vindas à silly season, à praia e ao bom tempo, o MDC compilou uma Mixtape dedicada ao Verão, com 10 canções incrivelmente quentes. Desde o Surf Rock dos The Beach Boys ao Stoner Rock dos Kyuss, passando pela Dream Pop dos The Pains of Beeing Pure at Heart, esta é mais uma playlist que não vão querer perder!

Esta Mixtape conta com as seguintes faixas:
·         Summertime ClothesAnimal Collective
·         Surfin’ USA The Beach Boys
·         Eyeoneye Andrew Bird
·         King of the Beach Wavves
·         N.O. Kyuss
·         Long Hot Summer Night The Jimi Hendrix Experience
·         It’s Summertime The Flaming Lips
·         Once at a Time We Trust
·         This Love is Fucking RightThe Pains of Being Pure at Heart
·         Summer Babe (Winter Version) - Pavement


terça-feira, 5 de junho de 2012

Mixtape da Semana // Week 21 [Optimus Primavera Sound]


Como forma de antecipar aquele que será, sem dúvida, um dos maiores eventos de música de 2012, o MDC decidiu dedicar a 21ª edição da Mixtape da Semana ao festival Optimus Primavera Sound, que se irá realizar no Porto nos dias 7, 8, 9 e 10 de Junho.
Assim, a playlist de hoje irá contar com alguns temas de 10 dos nomes que mais anseio por ver no festival. As actuações de Shellac (Prayer to God), Jeff Mangum dos Neutral Milk Hotel (Holland 1945) ou Beach House (Lazuli) são alguns dos concertos que não poderei perder por nada deste mundo!

Esta Mixtape conta com as seguintes faixas:
·         Holland 1945Neutral Milk Hotel
·         SugarcubeYo La Tengo
·         Do You Realize?? - The Flaming Lips
·         Prayer to GodShellac
·         The RatThe Walkmen
·         Crystalised The xx
·         Misread Kings of Convenience
·         LazuliBeach House
·         Come Together Spiritualized
·         Tiny VesselsDeath Cab for Cutie


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Capicua

Rapper oriunda da cidade do Porto, Capicua (nome artístico de Ana Fernandes) é vista por muitos como uma das grandes apostas para o futuro do Hip-Hop nacional, mesmo que já ande a trilhar o circuito underground há vários anos, com colaborações em EP’s e Mixtapes (mais ou menos) obscuras. O seu primeiro LP a solo, o homónimo Capicua, foi lançado pela Optimus Discos no dia 13 de Fevereiro, e é dele que vamos falar hoje.

Antes de começar a falar deste disco devo confessar que Capicua era para mim, até há bem pouco tempo, um nome totalmente desconhecido, e que do trabalho anterior a este LP pouco ou nada ouvi. No entanto, posso dizer que fiquei muito interessado neste projecto mal ouvi falar nele, e isso deve-se à lista de “superestrelas” da música nacional que estiveram envolvidas na sua produção: Sam the Kid, Makoto Yagyu (If Lucy Fell, Riding Pânico e PAUS) ou Pedro Geraldes (Linda Martini), entre outros. Só por isso, o meu entusiasmo subiu a níveis bem elevados, e depois de ouvir Capicua, o meu veredicto é de que fui totalmente recompensado.

Apesar de ser uma obra lançada em pleno ano de 2012, Capicua é um disco que impressiona pela forma como fala mais aos “clássicos” do Hip Hop do que aos seus contemporâneos. Não se pense, porém, que esta é uma obra saudosista, nostálgica ou a cheirar a mofo; pelo contrário, este LP aparece como um registo fresco e entusiasmante. A inspiração para os beats e samples é claramente retirada da Soul e do R&B mais clássico, e que confere a Capicua uma beleza tremenda.

Quanto à “entrega” da jovem rapper portuense, pode-se dizer que o flow de Capicua apresenta, nitidamente, uma inspiração naquilo que de melhor se faz no Hip Hop nacional. Ouvem-se, aqui e ali, influências vindas de Mind Da Gap, Sam the Kid ou Valete, e que atestam que Capicua é uma MC atenta e com bom gosto. A voz, uns tons abaixo do que é usual para uma mulher, consegue ainda assim reter bastante feminilidade, num traço muito sui generis faz com que Ana Fernandes seja bem única no panorama nacional.

Quanto aos temas abordados, uma das maiores armas de Capicua é, sem dúvida, a versatilidade. Escrevendo com facilidade sobre as mais variadas coisas, Ana Fernandes tanto mostra um lado mais interventivo e político (Os Heróis, Medo do Medo ou Terapia de Grupo) como uma faceta mais introspectiva e pessoal (Maria Capaz, Sagitário, Casa no Campo). Essa capacidade de se metamorfosear, aliada às rimas inteligentes e bem estruturadas, fazem com que Capicua tenha muito mais sumo e conteúdo do que a maioria do Hip Hop que vemos por aí nos dias que correm.

Na produção, para além dos artistas já citados, há que creditar também o belíssimo trabalho de nomes como D-one, Ghuna X ou Nelassassin, que através de belíssimos arranjos, beats e sequências conseguiram criar um grandioso pano de fundo para os versos de Ana Fernandes. Quanto a defeitos em Capicua, para além de algumas canções de que gostei menos e que quebram um pouco o ritmo do álbum, não posso dizer que haja muito por onde pegar para atacar o disco.

Quanto aos pontos altos deste LP, canções como a fresca e contagiante 1º Dia, a forte e carregada Hora Certa, a inteligente e bem-pensada Os Heróis, a sublime e descontraída A Volta e a groovy e contagiante A Última são, para mim, escolhas óbvias. Na hora de apontar as faixas que estão, a meu ver, menos conseguidas, as peças que me saltam logo da mente são Medo do Medo, Judas & Dalilas e Casa no Campo.

Resumindo, Capicua é uma excelente obra, e mostra que Ana Fernandes se arrisca a ser, ao invés de uma mera promessa, um valor mais do que seguro do Hip Hop nacional. Misturando um talento puro e um rap escorreito e bem conseguido com uma capacidade incrível de se rodear com músicos, técnicos e produtores capazes de levar a tarefa a bom porto, Capicua é um dos grandes discos nacionais do ano. Ficamos à espera de mais, muito mais, vindo desta menina.

Nota Final: 8,7/10

João Morais

PS: o link para o download (legal) do álbum é este:
http://optimusdiscos.com/discos/artistoptimusdiscos/capicua

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mixtape da Semana // Week 20


Depois de uma semana de interregno, a Mixtape da Semana volta para dar cor às vossas Segundas-Feiras. Hoje, e como forma de celebrar a sua 20ª edição, as escolhas da playlist estarão subordinadas à temática dos anos 80. Com nomes como Pixies (Nimrod’s Son), Spacemen 3 (Take Me to the Other Side) ou Devo (Whip It), esta é mais uma colecção de canções que não vão querer perder!

Esta Mixtape conta com as seguintes faixas:
·         This Charming ManThe Smiths
·         Nimrod’s SonPixies
·         ‘Cross the BreezeSonic Youth
·         Isolation Joy Division
·         Freak Scene Dinosaur Jr.
·         Made of StoneThe Stone Roses
·         Express YourselfN.W.A.
·         Take Me to the Other Side Spacemen 3
·         Just Can’t Get Enough Depeche Mode
·         Whip It - Devo


sábado, 19 de maio de 2012

Curtas #2


Paralytic Stalksof Montreal (7 Fev)
- Um dos lançamentos que eu mais esperava para 2012, Paralytic Stalks é o 11º disco do grupo norte-americano de Psychedelic Pop of Montreal, e é o sucessor do morno False Priest (2010). Deixando para trás as recentes “derivações” electrónicas que têm caracterizados as últimas obras do grupo, Paralytic Stalks mostra uns of Montreal de volta a um terreno mais analógico, orgânico e, a meu ver, feliz. Contudo, este álbum também sofre de um problema grave de inconsistência, que o impede de se “manter” durante muitas audições. Porém, Paralytic Stalks é um grande regresso em forma dos of Montreal, e traz com ele uma das grandes canções de 2012: Ye, Renew the Plaintiff.
Pontos altos:
- Dour Percentage
- We Will Commit Wolf Murder
- Ye, Renew the Plaintiff
Nota Final: 7,4/10

The Something Rain Tindersticks (20 Fev)
- Veteraníssima banda Indie britânica, os Tindersticks são um dos mais interessantes projectos de Chamber Pop que o país de sua majestade pariu nos últimos 20 anos. The Something Rain, lançado no início do ano, é já o nono disco que o grupo assina, e o terceiro desde a sua reunião em 2006, e mostra um avanço qualitativo em relação ao seu antecessor, Falling Down a Mountain (2010). Com a voz de penetrante de Stuart Staples a combinar de forma perfeita com a produção áspera e os arranjos instrumentais, The Something Rain apenas peca pela forma como, por vezes, as canções se alongam em demasia e perdem o apelo. Porém, convenhamos: os Tindersticks podem não ter o primor dos primeiros tempos, mas é certo que The Something Rain prova que já andaram mais longe.
Pontos altos:
- This Fire of Autumn
- Medicine
- Come Inside
Nota Final: 7,2/10

Put Your Back N 2 It Perfume Genius (21 Fev)
- Ao segundo álbum o singer-songrwriter norte-americano Perfume Genius (nome artístico de Mike Hadreas) traz-nos mais um disco Indie Pop repleto de sensibilidade e delicadeza e com um grande enfoque na combinação do piano com sintetizadores e outros arranjos orquestrais. Porém, tal como aconteceu o seu antecessor, Learning (2010), Put Your Back N 2 It falha em conquistar-me. É certo que a produção se mostra aqui muito bem conseguida, e o álbum faz passar um certo sentimento de solitude, intimismo e fragilidade de forma exemplar. Contudo, uma inconsistência terrível no que toca à composição das canções, um ritmo vagaroso e sonolento e uma certa unidimensionalidade fazem com que Put Your Back N 2 It não passe do nível mediano.
Pontos altos:
- Normal Song
- Dark Parts
- Hood
Nota Final: 5,2/10

Sounds From NowheresvilleThe Ting Tings (24 Fev)
- 4 anos se passaram desde o lançamento do disco de estreia We Started Nothing (2008). Esse álbum, que se tornou num autêntico fenómeno de sucesso às custas de That’s Not My Name, pouco mostrava além de uma imagem e postura roubadas a grupos como os Blood Red Shoes e um par de singles orelhudos que depressa se esqueceram. Pois bem, agora a dupla de Katie White e Jules De Martino volta à carga com o seu segundo LP, Sounds From Nowheresville, e que soa desesperadamente a uma tentativa de emular, sem sucesso, o impacto que o seu antecessor teve nas tabelas de vendas. Indie Pop repetitiva, pitadas de Electropop sensaboronas e uma dispersão excessiva de sons e ideias, é esta a receita deste Sounds From Nowheresville. Tendo passado despercebido pelas principais charts mundiais, este álbum é a prova viva de que, para os The Ting Tings, a justiça tardou mas não falhou.
Pontos altos:
- Hang It Up
- Soul Killing
- In Your Life
Nota Final: 3,5/10

Nada É Possível Supernada (26 Mar)
- Um dos álbuns mais esperados da última década da música portuguesa (e acreditem, isto não é exagero), Nada É Possível é o primeiro disco dos Supernada, banda encabeçada pelo mítico Manel Cruz (Ornatos Violeta, Pluto, Foge Foge Bandido). Trazendo uma sonoridade de fusão de géneros como o Alternative Rock, o Funk, o Hard Rock e até alguns toques de Psychedelic Rock, Nada É Possível é um álbum sujo, pesado e áspero, e que assume desde o início um tom experimental que lhe confere uma grande imprevisibilidade. Porém, e devido à grande antecipação e ao prolongado tempo de espera por este álbum, não consigo deixar de sentir que este álbum me desiludiu um pouco. A assimetria qualitativa entre as canções e uma certa dispersão in extremis que se faz sentir em alguns momentos fazem com que Nada É Possível não seja, para mim, um disco tão bom quanto devia ser. Contudo, estão aqui indícios suficientes para ficar à espera de um segundo álbum dos Supernada. É esperar.
Pontos altos:
- Perigo de Explosão
- Letras Loucas
- Pai Natal
Nota Final: 7,7/10

terça-feira, 8 de maio de 2012

Discos com Graça: Ten

Corria o ano de 1991 e o panorama musical americano via-se mandingado pelo fenómeno Grunge, que despertou no início do 90’s. Bandas como Nirvana, Soundgarden, Alice In Chains, entre outras, iam crescendo na cidade de Seattle, dando início a um marco que influenciou, indubitavelmente, uma série de gerações. Celebravam-se doses altíssimas de sarcasmo, angústia, apatia com a vida e um imenso desejo pela liberdade. Incrassava-se a rebeldia juvenil que se via, incessantemente, a ser combalida por uma vida demasiado monótona que ia, a cada dia, desdourando os sonhos dos jovens americanos. Todo este espírito de revolta que avassalava esta geração pode ser categorizado como o espírito que serviu de génese para o movimento Punk. De facto, o Grunge é uma mistura complexa que se alicerça, e em muito, no Punk.

O Grunge é, musicalmente, um Alternative Rock que se funde com os ideais de Punk e é pintado por tonalidades agrestes de um Post-Harcore ou de um Heavy Metal comedido. Enquanto bandas como, por exemplo, Alice In Chains e Soundgarden decidiram explorar mais a sua vertente Heavy Metal, outras descaíram para outros rumos, menos latebrosos e mais apelativos. Falamos, por exemplo e mesmo a propósito, dos Pearl Jam.

Os Pearl Jam provêm dos célebres Mother Love Bone, banda do mítico Andrew Wood. Após a separação dos MLB, Jeff Ament e Stone Grossard juntaram-se com Dave Krusen, Mike McCready e o carismático Eddie Vedder e formaram, então, os Pearl Jam. Estávamos em 1990 e viviam-se os tempos primordiais da banda.

Comandados pela voz emblemática, bela e maravilhosa do ínclito Eddie, sob os riffs viscerais de Stone e Mike, sob a atmosfera intrigante provocada por uma bassline interventiva a cabo de Ament e embriagados por uma bateria, ao encargo de Krusen, que se parece querer comburir nas paisagens ardentes que se vão pintando ao longo do registo, chega-nos, em 1991, o primeiro LP da banda norte-americana. Eram tempos de Ten. Concitava-se o movimento Grunge num grito de rebeldia, o seu primeiro, que se alentava por não querer deixar passar ninguém incólume. Ten foi condimentado meses antes do auge do Grunge, auge, esse, assinalado pela lenda incontornável de Nevermind, álbum lançado pelos Nirvana em Setembro de 1991.

Num álbum absolutamente soberbo, a banda, liderada por Eddie Vedder, edificou uma das obras-primas mais belas que tive a oportunidade de ouvir. Datado de Agosto de 1991, Ten foi arquitectado com 11 faixas e conta com um total de, aproximadamente, 54 minutos. Condimentado na língua de Shakespeare e tendo como editora a Epic, a produção ficou encarregue a Rick Parashar. Vamos, então, proceder à análise deste monstro da época dos 90’s.

O registo tem início com um uma introdução arrepiante, dando presságio para fazermos uma vénia, que vem aí uma coisa do outro mundo. É Once que nos chega aos ouvidos. Ensopada por riffs que nos datam os tempos áureos do Hard Rock, somos, de imediato, enfeitiçados pela magia que se esconde nas cordas vocais de Eddie Vedder. Acerca da vertente lírica que compõe esta faixa, pode-se dizer que ela incide em temas como, por exemplo, o suicídio.

Sempre com um lirismo bastante instruído, a banda de Seattle aborda, ao longo de todo o registo, temáticas centradas em sentimentos menos bons. De facto, Eddie Vedder, o cerne da génese para as criações líricas dos Pearl Jam, é um songwriter que explora a sua vertente mais instrospectiva, abordando temas como a solidão, depressão, o seu ego que se vai revelando ábio, ou problemas de carácter mais social, como críticas constantes aos políticos. A segunda faixa do registo, e um dos grandes êxitos da banda, Even Flow, é uma crítica às políticas americanas.

Contudo, é nas suas vivências pessoais que Eddie mais incide para escrever. O mega-êxito Alive é o maior exemplo disso. Alive, a terceira faixa do registo, é nada mais do que uma canção biográfica que nos revela a raiva e frustração de Vedder por este ter vivido grande parte da sua vida enganado, iludido na mentira do seu padrasto ser o seu pai biológico. Espelha-se um dos grandes momentos do álbum quando se escuta esta faixa, onde tudo parece estar numa perfeita e artística simbiose. Vocais de excelência a fundirem-se com uma instrumentalidade demolidora, num momento amplamente complanado por riffs que nos compelem uma vontade imensa de descodificar o que se perde na paisagem apetrechado do ludro, fruto dos versos intrigantes de Vedder. Momento sublime.

Outro dos momentos do álbum é a sensacional Black, a balada do registo. Conferida por uma sonoridade calma e bastante agradável, é nesta faixa que, em meu ver, mais imerge o génio de Vedder. Liricamente, é aqui que Eddie exsurge-se com egrégio vate. Somos invadidos por uma composição lírica laudativa e abrasados pela voz icónica e jamais irrepreensível de Eddie Vedder. O momento que assinala a passagem «I know someday you'll have a beautiful life/ I know you'll be a star/ in somebody else's sky/ but why?/  why?/ why can't it be/ can't it be mine?» é absolutamente assombroso. Black é, tal como um sonho mágico, incorpóreo de tão grandioso que consegue ser.

Seguidamente chega-nos Jeremy, um dos clássicos mais vincados da banda. Assinalando um excelente momento musical, Jeremy conta-nos a história de um rapaz que se suicidou durante uma aula porque era constantemente troçado pelos colegas e pelo professor. O vestígio lírico que salienta este aspecto é a constante invasão que nos é feita com o verso «Jeremy spoke in class today», e falou num grito rebelde, fustigado pelos maus tratos de que era vítima. Só assim lhe seria dado descanso, uma espécie de alerta que os Pearl Jam fazem ao sentido cívico nas escolas.

Outro dos pontos dignos de grande realce do registo, surge-nos com Garden, uma das minhas músicas favoritas da discografia dos Pearl Jam. A meu ver, esta faixa é um pouco semelhante a Alive, pois é musicada seguindo os mesmos padrões: riffs monstruosos a ebulirem com a emoção com que Vedder enche os seus pulmões para soltar gritos viscerais, e que nos vão concitando ao longo deste pedaço musical. Envolto por um lirismo rico, não fosse Eddie quem tivesse escrito este Garden, este jardim é regado pelas melhores fontes, e colorido pelas flores mais belas sob uma atmosfera de céu cinzento e tarde chuvosa, com o vento a soprar forte. Perfeito.

Depois de Garden, chega-nos a melancólica Deep, a música que, na minha opinião, é a mais emotiva e pesada de Ten. Desde os gritos estridentes de Eddie, à sonoridade apetrechada pela noção do incôndito e da entropia, da desordem pura. Com pequenos aromas de Post-Hardcore ou Hard Rock, esta é a música mais Grunge de Ten. Um trecho musical bastante apetecível e de audição obrigatória.

O meu momento favorito do registo é Release, a faixa que serve de desenlace para Ten. À medida que o elóquio de Eddie se vai descingindo por uma conversa com o seu pai, este vai-se enchendo de emoção e fervendo de sentimento a cada nota musical que é tocada. Ao longo deste pedaço musical, existe uma voz, a voz de Vedder, a implorar por perdão. Não invoca um perdão de Deus, ou de uma entidade celestial, implora apenas o perdão do seu pai biológico por ter chamado ‘pai’ ao padrasto. Ao longo da faixa, o ouvinte é levado a levitar por paisagens reinadas por questões morais e retóricas que Vedder vai fazendo a si próprio. Além de genial, esta faixa é, também ela, bastante penetrante. O registo termina com uma obra de arte, uma das preciosidades de toda a década de 90.

Em compêndio, Ten é um álbum que prima em todos os níveis. Desde a componente instrumental à componente vocal, desde os lirismos soberbos à alma com que Vedder extravasa emoção, trata-se de um LP que faz parte dos meus discos favoritos de sempre. Apesar de conter momentos musicais que não me dizem grande coisa, como por exemplo Oceans, Why Go ou Porch, todos os defeitos são aniquilados quando escutamos faixas como Black, Garden ou Release.

Sem desdourar com o passar do tempo, e com o pesar dos 90’s na bagagem, Ten é daqueles discos que merece e vale a pena ouvir inteiramente desde o início ao fim, porque é um regalo para os nossos ouvidos a todos os níveis. Sem mais retórica, é hora de o escutar.

Emanuel Graça

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mixtape da Semana // Week 18

Como forma de vos ajudar a aguentar mais uma semana fatigante o Música Dot Com traz-vos, mais uma vez, a Mixtape da Semana, que, na sua 18ª edição, traz-vos dez novas músicas de grande qualidade.

A temática da playlist de hoje é “energia”, pelo que as escolhas de hoje são todas rápidas, frenéticas e contagiantes. Com nomes como Jay Reatard (Blood Visions), The Raconteurs (Salute Your Solution) ou Feromona (Mustang), esta é mais uma Mixtape a não perder.

Esta Mixtape conta com as seguintes faixas:
·         Blood VisionJay Reatard
·         Go with the FlowQueens of the Stone Age
·         Salute Your SolutionThe Raconteurs
·         Great Expectations The Gaslight Anthem
·         Sex Pistols EMI
·         White Limo Foo Fighters
·         Mustang Feromona
·         Just Like Heaven Dinosaur Jr.
·         All Along the Watchtower Jimi Hendrix
·         We Were Aborted The Cribs