sábado, 9 de abril de 2011

Different Gear, Still Speeding

Olá a todos. Para hoje, o MDC decidiu trazer-vos uma review dum álbum lançado no mês de Fevereiro. Falo-vos de “Different Gear, Still Speeding”, o álbum de “estreia” dos Beady Eye (os “ex-Oasis”, menos Noel Gallagher). Só o facto de a banda ser composta pelos antigos membros do grupo de Manchester, mas com a subtracção daquele que foi, sem dúvida, a figura-chave da subida ao estrelato do grupo (não podemos esquecer que Noel era o principal compositor e escritor de letras da banda) já causou grande expectativa. A dúvida era: será que Liam consegue mostrar ao mundo que não precisa do irmão para ter uma banda? Vejamos a resposta.

Começo por dizer que sou um fã confesso dos Oasis. É certo que tiveram os seus momentos menos bons, mas os dois primeiros álbuns (“Definitely Maybe”, de 1994 e “(What’s the Story) Morning Glory”, de 1995) não são nada menos do que brilhantes, e essenciais para perceber o que é que aconteceu na música, desde o nascimento (e queda) do Britpop à ascensão do Indie Rock (termo que uso com muitas reservas). Devo dizer que fiquei particularmente triste com o fim da banda. Eles tinham acabado de lançar um grande álbum (“Dig Out Your Soul”, 2008), que pôs fim à época de discos medianos que “atormentou” o grupo, e isso dava algum ânimo para o que viria a partir daí. No entanto, o facto de Liam ter preferido continuar com o grupo após o abandono do irmão não pode ser visto como uma grande surpresa: ele sempre tentou ser a figura proeminente da banda, e essa atitude vai nessa linha. Mas falando agora dos Beady Eye, e deste “Different Gear, Still Speeding”: devo dizer que este disco não é, de todo, a “bomba” que Liam anunciou. É óbvio que nunca se poderia esperar melhor do que o melhor dos Oasis (algo que Liam nos tentou vender, vezes e vezes sem conta), no entanto, a confiar nas palavras do frontman, esperava-se, pelo menos, melhor do que isto. Sejamos honestos: o álbum está muito mediano.

É óbvio que o disco tem boas música, diria até espectaculares, como “Four Letter Word” (música que abre o disco, e que faz lembrar os tempos áureos dos Oasis, com uma letra que parece referenciar o fim da “outra” banda: “Nothing ever lasts forever”), “Beatles & Stones” (que curiosamente, não soa nem a Beatles, nem a Rolling Stones, mas mais a The Who) ou “The Roller” (um “copy-paste” por parte dos Beady Eye de “Instant Karma”, de John Lennon, mas que é, de facto, uma música muito gira), mas infelizmente também tem músicas que me provocaram um tédio imenso. O exemplo mais claro desse aborrecimento está em canções como “Wind Up Dream” ou “Wigwam”, que me fizeram desesperar (e não estou a exagerar, juro). Pelo meio, o LP é polvilhado por músicas mais “medianas”, que não aquecem nem arrefecem, como “The Beat Goes On”(que tem claramente como inspiração “All The Young Dudes”, de David Bowie, mas falha em causar impacto) ou “Bring the Light” (para mim, aquele piano “estrangulou” por completo aquela que poderia ser uma grande canção). Mas o que é talvez o pior deste disco não é o número de canções boas ou más que tem: o seu maior defeito é a dificuldade que os Beady Eye tiveram, neste álbum, em estabelecer uma identidade musical que viva por si só. Neste “Different Gear, Still Speeding”, Liam e companhia soam a Oasis (nos bons e nos piores momentos), a Beatles, a Rolling Stones, a The Who, a Kinks, e a muitas outras coisas, mas não soam a Beady Eye, e isso é de lamentar.

Em suma, este disco tem grandes momentos, mas infelizmente também tem grandes falhas. Confesso que sinto alguma tristeza, porque realmente desejava que este álbum fosse um “passo em frente” para Liam, por quem sempre nutri muita simpatia (aquela atitude “Rock ‘N’ Roll” de quem diz tudo o que pensa sempre me causou fascínio). Mas espero que estes rapazes tenham tirado notas acerca do que fizeram de mal, e que para a próxima consigam realmente “brilhar” com um disco estrondoso. Ou isso, ou Liam pede desculpas a Noel e os Oasis voltam a reunir-se. Para mim, qualquer das duas opções está bem.

Nota Final: 6,0/10

João Morais

segunda-feira, 4 de abril de 2011

B Fachada @ Teatro Maria Matos

Boa noite a todos. Hoje, o MDC traz-vos uma pequena reportagem sobre o concerto de B Fachada, que teve lugar no passado Domingo, dia 3, no Teatro Municipal Maria Matos, em Lisboa. Este concerto fez parte da série de quatro espectáculos de apresentação do disco “B Fachada É Pra Meninos”, série essa que nasceu dum conceito, no mínimo, interessante. Os dois primeiros shows (dias 2 e 3) foram marcados para a tarde, e eram, literalmente, “Pra Meninos”, pois eram direccionados sobretudo a crianças. Os outros dois concertos (dia 3, e mais tarde anunciado um espectáculo também no dia 4, devido à imensa procura) já foram para “gente adulta”, e ocorreram à noite.

O concerto abriu com uma versão ao piano de “Os Índios da Meia-Praia”, original de Zeca Afonso, numa clara referência aos tempos difíceis que o país atravessa. Logo a seguir, tivemos “Só Te Falta Ser Mulher”, a já “clássica” canção de B Fachada (apesar de só ter sido lançada em 2009, no homónimo “B Fachada”) e que foi, sem dúvida, um momento especial. Mas foi a partir da terceira canção do alinhamento que “B Fachada É Pra Meninos” “ganhou vida”.

“Barrigão”, uma canção de tom calmo e terno, teve direito à participação especial da cantora Lula Pena, para poder ser cantada tal como está no disco. Seguiu-se “Tó-Zé”, que fez com que o público do Maria Matos ainda ameaçasse alguma “vivacidade”, mas esse fulgor logo se dissipou, pois estava visto que esta noite seria pautada por um registo mais intimista.

Seguiram-se “Casa do Manel”, “Dia de Natal”, “Questões de Moral”, “Conselhos de Avô” (que teve um episódio engraçado, com a banda a falhar a “entrada”) e “Agosto”, tudo canções de “...É Pra Meninos”, e que proporcionaram um regresso à infância no recinto do Teatro.

O corpo principal do show terminou com “Estar À Espera ou Procurar” e “Tempo Para Cantar”, mais dois “clássicos” do repertório de Fachada. Era para ser este o final do concerto (coitado do Bernardo, dizia que estava cansado”), no entanto artista ainda voltou ao palco por mais duas vezes: a primeira para tocar “Memórias de Paco Forcado” (um dos pontos altos de “Há Festa Na Moradia”, o EP do Verão de 2010), e a segunda para interpretar “Kit de Prestidigitação” (de 2009, do álbum “B Fachada”), o “bombom” da despedida.

Em suma, este concerto de B Fachada foi uma autêntica delícia. Devo aproveitar para referir as óptimas condições do Maria Matos, tanto de instalações como de acústica (o som, mesmo no fundo da sala, ouvia-se de forma soberba). Pena foi o espectáculo ter durado tão pouco tempo. Esperemos que haja mais, para saciar esta sede de concertos!

Setlist do concerto:

1. Os Índios da Meia-Praia

(versão do original de Zeca Afonso)

2. Só Te Falta Seres Mulher

3. Barrigão

4. Tó-Zé

5. Casa do Manel

6. Dia de Natal

7. Questões de Moral

8. Conselhos de Avô

9. Agosto

10. Estar À Espera Ou Procurar

11. Tempo Para Cantar

Encore 1:

12. Memórias de Paco Forcado

Encore 2:

13. Kit de Prestidigitação

(PS: Ao contrário do que costuma acontecer, a fotografia não é da autoria do MDC, pois não nos era permitido fotografar no recinto sem autorização prévia. Por isso, decidi utilizar uma fotografia presente no blog da MBari Música, e que é da autoria do Luis Martins, e que pode ser encontrada aqui: http://mbarimusica.blogspot.com/2011/04/b-fachada-no-teatro-maria-matos-fotos.html)

João Morais

sábado, 2 de abril de 2011

Angles

Boa noite a todos. Hoje, o Música Dot Com traz-vos a review a um dos álbuns mais esperados dos últimos anos, e que saiu no passado dia 24 de Março. Estou a falar, é claro, do quarto disco de originais dos The Strokes, “Angles”, que demorou cinco anos a suceder a “First Impressions of Earth”, de 2006. Será que saiu algo de bom, ou será que os rapazes de Nova Iorque perderam o jeito?

Para começar, é necessário um pouco de contextualização: sem dúvida que os The Strokes são uma das grandes bandas dos anos 00 do Rock, mas a verdade é que desde o seu primeiro álbum, “Is This It” (2001) que estão em declínio. O primeiro álbum foi brilhante (qualquer dia ainda aparece na rubrica “Álbuns da Minha Vida”, porque é MESMO bom), e veio dar um novo fôlego ao Rock numa altura de crise. O segundo disco, “Room On Fire” (2003) é um álbum de grande qualidade, com grandes músicas, como “Reptilia” ou “The End Has No End”. Não é tão bom quanto o primeiro, mas consegue ser, ainda assim, soberbo. E depois, veio “First Impressions of Earth”, um disco que dividiu opiniões. E apesar de eu conseguir gostar de muitas das canções do disco, é verdade que não tem tanto brilho quanto os outros dois. E agora chega este “Angles”, depois de um longo hiato que fez com que os fãs da banda (dos quais eu faço parte, orgulhosamente) receassem pela continuidade do grupo, medo esse reforçado pelo facto de quase todos os membros do grupo terem desenvolvido projectos alternativos, ou a solo. No entanto, cinco anos volvidos, e cá estamos nós. E devo dizer, que a espera podia ter sido mais bem recompensada.

Não querendo dizer que seja um álbum péssimo, a verdade é que os The Strokes conseguiram chegar a um nível ainda mais baixo. O álbum falha em ter um tema estruturante, e não sendo isso uma coisa má, a verdade é que nem todas as músicas conseguem aguentar-se por si próprias. Isto criou um álbum desequilibrado, com momentos muito bons, mas também com momentos de tédio. Mas vejamos o disco ao pormenor.

A abertura do LP, com “Machu Pichu”, é interessante, pois demonstra uma sonoridade mais dançante, um caminho ainda não explorado pela banda. Logo a seguir, cortamos com esta onda de “inovação” com “Under Cover of Darkness”, a faixa mais tipicamente Strokes que encontramos no disco, e que retém aquele “feeling” tão familiar, mas que nunca soa mal. Daqui, passamos para “Two Kinds of Happiness”, a faixa que começa sonolenta, mas que rapidamente evolui para um refrão extremamente frenético. Mas depois, chegamos a duas músicas que são momentos baixos do disco: “You’re So Right” e “Taken For A Fool”, faixas que poderiam ter sido bem melhores, mas que falham em causar impacto, e que chegam a causar aborrecimento, matando o ritmo que o disco estava a ganhar. Depois, “Games”, que retoma a tendência dançante de “Machu Pichu”, e que mostra que “Phrazes For The Young” (álbum a solo de Julian Casablancas, de 2009) e os seus sintetizadores foram, em parte, influência para este disco. Depois, “Call Me Back” surge como a balada “bipolar” do disco, alternando entre um ritmo calmo e outro “corrido”, mas que não convence. “Gratisfaction” e “Metabolism” chegam depois, e surgem com um contraste que, devo confessar, achei interessante: a primeira surge como uma faixa muito “upbeat”, e que transparece uma certa despreocupação, ao passo que a segunda mostra um lado mais negro da banda. Aliás, a imagem que se formulou na minha cabeça ao ouvir “Metabolism” foi a de que estava a escutar a “Heart In A Cage”, com retoques electrónicos e sem a rapidez cortante da guitarra. E por fim, temos “Life Is Simple In The Moonlight”, o meio termo entre uma balada e uma “explosão Rock”. Achei extremamente irónico o encerramento do disco com esta faixa, pois tal como esta música está dividida entre dois extremos, também o álbum está dividido entre a tentativa (talvez forçada) de mudar e a sonoridade já típica da banda nova-iorquina. Esta divisão entre “o que já foi” e “o que poderá ser” resultou em alguma confusão. Sinal disso é a irregularidade do disco, com canções bastante boas junto a faixas que facilmente poderiam ter sido retiradas, que ninguém dava por nada. “Inconsistente” é, para mim, a palavra que melhor define este “Angles”.

Concluindo, “Angles” não é um mau álbum, mas a sua irregularidade fez com que a espera de muitos fãs tenha saído “furada”. A potencialidade está lá, e a exploração por novas sonoridades também, mas na verdade, este disco está longe de ser memorável, pelas inúmeras falhas de que sofre. Esperemos que Casablancas e companhia não demorem mais cinco anos a lançar o sucessor para este disco, pois não foi desta que ficámos convencidos.

Nota Final: 7,3/10

João Morais

sábado, 26 de março de 2011

Computers & Blues

Saudações melómanas a todos. Hoje, o MDC decidiu “arrumar a casa”. O número de discos a avaliar começou a acumular-se (muito por culpa de falta de inspiração para escrever), e por isso, vamos começar esta “arrumação” com um disco que saiu no dia 7 de Fevereiro: “Computer & Blues”, de The Streets, o nome do projecto de UK Garage e Hip-Hop de Mike Skinner. Este quinto disco foi anunciado por Skinner como o último do projecto, pelo que eu, fã das suas obras, fiquei na expectativa. Depois de já ter ouvido várias vezes o CD, creio estar pronto para falar dele aqui. Vamos a isso?

Bem, para começar, a minha expectativa não saiu defraudada. O disco está uma obra muito boa, do início ao fim. Tem as suas falhas, é certo, mas consegue deixar uma marca difícil de apagar. Talvez seja por ser o último disco de The Streets, mas a verdade é que sinto uma energia neste álbum que não encontrei no anterior “Everything Is Borrowed” (2008), que não era mau, mas que não marcou uma grande impressão. Este “Computer & Blues”, por seu lado, consegue continuar fresco a cada vez que o ouço.

O disco abre (e abre muito bem, devo dizê-lo) com “Outside Inside”, que marca logo a “passada” do disco. Skinner não quer só acabar; quer acabar em grande. Para isso, cria um álbum que, apesar de não ter uma temática concreta, única e transversal (para isso, Skinner criou “A Grand Don’t Come For Free”, o álbum conceptual de 2004), está “emaranhado” numa teia melancólica, que faz com que o disco soe muito coeso e unido. Essa melancolia é particularmente evidente em músicas como “Puzzled By People” , “Soldiers” ou “OMG”, que aliam letras mais tristonhas com instrumentais belos, que me levaram à introspecção. No entanto, a tristeza é ainda mais evidente em “We Can Never Be Friends”, a balada de amor derrotista, de som mais acústico. Contudo, não fiquem com a impressão que o disco é só tristeza: como disse, o álbum não tem um tema explícito, pelo que há músicas que escapam à regra: “Roof of Your Car” e “Without Thinking” são músicas que fogem à “aura” geral do LP e que se aguentam de forma esplêndida. No entanto, como eu disse, o álbum está “emaranhado”, o que quer dizer que, apesar de por vezes nos afastarmos, mais tarde ou mais cedo (e aqui é mais cedo) vamos voltar a ouvir a tal tristeza. Porém, ao aproximarmo-nos do final do CD, chegamos àquela que é, para mim, a melhor música do álbum, e que foge por completo a este “esquema”: “Trust Me”, uma faixa muito “upbeat”, com um ritmo muito alegre, e que prepara o terreno de forma brilhante para “Lock the Locks”, que fecha com “chave de ouro” este “Computer & Blues”.

Não se pense, porém, que este álbum está livre de falhas. Uma das mais sérias críticas que tenho a apontar é um problema que já vem de trás: a incapacidade que The Streets tem de fazer discos que não caiam no erro de ter uma ou outra música de enchimento, desnecessárias e aborrecidas. Para mim, neste “Computer & Blues”, músicas como “Blip On a Screen” ou “Those That Don’t Know” podiam ser perfeitamente dispensadas, pois só vêm cortar o ritmo a um disco pejado de canções gloriosas. Apesar de o disco ser muito bom, há que assinalar esta “falha”.

Resumindo, este “Computers & Blues” é uma óptima maneira de fechar o projecto The Streets, pois encerra de forma magnânima uma saga de cinco álbuns, iniciada em 2002. Neste disco, Skinner mostra uma vez mais aquilo que já devia ser uma certeza: é um produtor extremamente capaz, que consegue criar texturas musicais verdadeiramente belas. Só me resta desejar que Mike decida um dia voltar a trás com a sua palavra. Nós, fãs, agradeceríamos. E muito.

Nota Final: 8,9/10

João Morais

domingo, 20 de março de 2011

Resultados da Votação

Boa noite. Peço desculpa pelas horas tardias a que estou a postar isto, mas a verdade é que só agora me foi possível começar a escrever para o blog (vida atarefada, esta). Contudo, o que tenho para dizer é isto: após dois meses e meio de votação, o inquérito acerca do vosso álbum favorito do Top 10 de 2010 do MDC chegou ao fim, e o resultado é, surpresa das surpresas, coincidente com o do Música Dot Com: “The Suburbs”, dos Arcade Fire, que foi votado por 31% dos votantes (5 votos, numa sondagem que reuniu um universo eleitoral de 16 pessoas) é o vencedor, seguido de perto de Kanye West, e o seu “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, com 25% (4 votos). A fechar o Top 3, temos o “nosso” B Fachada, com o seu “B Fachada É Pra Meninos”, que angariou 18% (3 votos). Empatados no 4º lugar estão 4 bandas (curioso, huh?): Broken Social Scene, com “Forgiveness Rock Record”, Black Keys, com “Brothers”, MGMT, com “Congratulations” e Deerhunter, com “Halcyon Digest”. Estes 4 grupos tiveram cada um 6% dos votos (um voto cada, portanto). No quinto lugar, sem nenhum voto, estão as três obras restantes: “This Is Happening”, “Before Today” e "The Drums", dos LCD Soundsystem, dos Ariel Pink’s Haunted Graffiti e dos The Drums, respectivamente.

Em jeito de reflexão, devo revelar a minha tristeza pelo facto da votação ter tido uma fraca participação. No entanto, num país onde a abstenção eleitoral ultrapassa os 50%, confesso que não fico surpreendido. Espero que na próxima poll (a revelar nos próximos dias), haja mais gente a votar, pois isso é um sinal de aproximação das pessoas ao blog, algo que eu prezo muito. Até ao próximo post, oiçam boa música!

Resultados:


1. Arcade Fire - "The Suburbs" - 5 votos (31%)

2. Kanye West - "My Beautiful Dark Twisted Fantasy" - 4 votos (25%)

3. B Fachada - “B Fachada É Pra Meninos” - 3 votos (18%)

4. Broken Social Scene - “Forgiveness Rock Record” - 1 voto (6%)

5. Black Keys - “Brothers” - 1 voto (6%)

6. MGMT - "Congratulations" - 1 voto (6%)

7. Deerhunter - "Halcyon Digest" - 1 voto (6%)

8. LCD Soundsystem - "This Is Happening" - 0 votos (0%)

9. Ariel Pink's Haunted Graffiti - "Before Today" - 0 votos (0%)

10. The Drums - "The Drums" - 0 votos (0%)


João Morais

quinta-feira, 17 de março de 2011

Gogol Bordello @ Campo Pequeno

Olá a todos. Hoje o MDC traz-vos uma pequena análise ao concerto dos Gogol Bordello, que teve lugar no Campo Pequeno, no passado dia 7 de Março. Este foi um concerto que fez parte da promoção do mais recente disco do grupo, “Trans-Continental Hustle”, álbum lançado em Abril do ano passado. Falemos do espectáculo, pois então.

A abertura do “show” foi feita pelo grupo de sul-americanos residentes em Barcelona, Che Sudaka, que infelizmente não fui capaz de ver (a minha sina no Campo Pequeno no que às bandas de abertura diz respeito continua a ser a mesma...), no entanto, dava para se sentir que este grupo tinha posto a plateia (casa quase cheia) em “ponto de rebuçado” para a festa que se seguiria. Entrando em palco às 22h20m, a trupe de Eugene Hütz é recebida em apoteose pelo público, sedento de festa.

Foi com “Tribal Connection” (do álbum de 2007, “Super Taranta!”) que foi inaugurada a setlist, que procurava combinar canções dos discos mais antigos com o mais recente “Trans-Continental Hustle” (das 21 canções da noite, apenas 8 eram do mais recente disco, o que mostra um certo equilíbrio). Quanto à qualidade de som, devo constatar que estava muito melhor do que no concerto dos Interpol (se bem que num concerto destes, esse tipo de questões é o que menos interessa).

“Not a Crime” e “Wonderlust King” foram as canções que iniciaram uma loucura que durou até ao resto da noite. Se nas primeiras duas músicas os saltos e “moshs” foram residuais, a partir daí começaram a ser constante (excepção feita a canções como “My Companjera”, que é de facto uma balada com um ritmo mais lento, e que me permitiu recuperar o fôlego). Após uma série de canções do disco mais recente, (que de facto foi feito para “brilhar” ao vivo, mais do que para apelar aos críticos) veio “American Wedding”, “Pala Tute” (mais uma música do disco de 2010) e “Start Wearing Purple”, um dos maiores êxitos da banda, e que terminou a primeira parte do concerto.

No entanto, Lisboa teve direito a um encore de luxo, com 4 canções, entre as quais a fabulosa “Think Locally, Fuck Globally”, que levou toda a gente ao rubro, mesmo apesar do cansaço que já se começava a sentir. Após uma saída de palco que parecia terminar o concerto, os Gogol Bordello voltaram, com Eugene Hütz a tocar, enrolado na bandeira portuguesa, “Alcohol”, um verdadeiro hino àquele que foi o combustível deste concerto (durante o show o vocalista foi dando vários goles duma garrafa de vinho, que eu assumi que fosse do Porto). A noite chegou ao fim com uma cover dos Mano Negra, “Mala Vida”, com os membros dos Che Sudaka a juntarem-se aos Gogol em palco, e que fechou a noite da forma como tinha começado: em festa!

Setlist do concerto:

  1. Tribal Connection
  2. Ultimate
  3. Not a Crime
  4. Wonderlust King
  5. My Companjera
  6. Last One Goes The Hope
  7. Trans-Continental Hustle
  8. Immigraniada (We Comin' Rougher)
  9. Break The Spell
  10. Raise The Knowledge
  11. When Universes Collide
  12. American Wedding
  13. Pala Tute
  14. Start Wearing Purple
  15. Break The Spell (Reprise)

Encore 1:

  1. Think Locally, Fuck Globally
  2. Sun Is On My Side
  3. Mishto!
  4. Sacred Darling

Encore 2:

  1. Alcohol
  2. Mala Vida

(cover dos Mano Negra, com os Che Sudaka)

PS: A votação para o vosso álbum favorito de 2010 acaba amanhã, por isso, se ainda não votaram, apressem-se e votem!

João Morais

quarta-feira, 9 de março de 2011

The King of Limbs

Boa noite a todos. Após uma “pausazinha” de Carnaval,o MDC está de volta, com a review do mais recente disco duma banda muito especial: os Radiohead, e o seu “The King of Limbs”. Se bem se lembram, um álbum novo dos Radiohead foi visto pelo Música Dot Com como uma das grandes expectativas para 2011. Será que os ingleses conseguiram manter-se à altura do desafio dum novo disco? Vejamos.

Falemos primeiro da forma como este disco nos chegou às mãos. “The King of Limbs” trocou, sem dúvida, as voltas a toda a gente, ao nível do anúncio, promoção (ou falta dela, neste caso) e distribuição. Apesar de agora já não ser virtualmente grátis, como foi “In Rainbows”, “TKoL” ainda segue uma linha bastante irreverente no que toca à comercialização da música. Com o anúncio do disco a ser feito na Segunda-Feira, dia 14 de Fevereiro, marcado para 19, Sábado seguinte, e adiantado para a Sexta-Feira, dia 18, os Radiohead conseguiram surpreender toda a gente. Apesar de eu ter dito que esperava um novo álbum deles ainda este ano, devo confessar que não estava à espera que fosse lançado desta maneira, e tão cedo. Por isso, posso dizer que foi um choque para mim. No entanto, mais do que o choque, veio a surpresa. As modalidades de compra, divididas entre compra digital simples (MP3 ou WAV) e uma edição “jornal” com disco em vinil é algo que me intriga. O que será, em concreto, a edição em “jornal”? Bem, isso só o tempo dirá. Contudo, uma coisa é certa: os Radiohead chegaram a um ponto de segurança notável, onde conseguem fazer a sua música, e sem alarido, “libertá-la” para os fãs a ouvirem. E é aqui, no “ouvir”, que está o mais interessante do disco: a música em concreto.

À primeira “vista”, consegue-se fazer logo uma observação fácil: o álbum é curto. 8 músicas são pouco para uma banda que já nos habituou a discos com um comprimento considerável. No entanto, com os Radiohead, já se sabe: a qualidade está acima da quantidade, e este disco é a prova viva disso. Apesar de todos os rumores que circulam por aí duma “segunda parte” de “The King of Limbs”, a verdade é que se estas 8 faixas são tudo o que temos, então não estamos mal servidos. E nestas 8 faixas, encontramos uns Radiohead que contrariam o que se esperava deles. Enquanto que “In Rainbows” foi um regresso a uma música mais “orgânica” e “terra-a-terra”, com instrumentos mais “normais” para uma banda Rock, “The King of Limbs” mostra novamente um som mais etéreo e sonhador, reminiscente de “Kid A” e “Amnesiac”. Pode-se dizer, por isso, que “TKoL” mostra uma ruptura com a sonoridade de “In Rainbows”, se bem que se podem notar alguns pontos de contacto (especialmente na secção rítmica).

Analisando com mais cuidado, devo dizer que o álbum, no geral, agradou-me, apesar de “The King of Limbs” não ser de audição fácil. Como já é costume com os Radiohead, a primeira vez que ouvi o disco foi um pouco confusa. Apesar de não ter desgostado, não morri de amores pelo álbum. No entanto, despertou em mim uma curiosidade que me fez ouvir de novo, e encontrar texturas sonoras que me fizeram adorar o disco (a forma como a bateria e o baixo jogam entre si, ou as influências Jazz estão dentro destas “texturas” maravilhosas que escapam a um ouvido mais distraído). Por volta da terceira audição, rendi-me às evidências: os Radiohead são mestres naquilo que fazem. No entanto, devo confessar uma desilusão: falta um pouco mais de Jonny Greenwood neste disco. A guitarra dele, apesar de presente, não se faz ouvir com tanta intensidade em “TKoL” como se fez escutar em “In Rainbows”, e isso é uma pena, porque ele é um dos melhores guitarristas da actualidade.Contudo, o álbum tem muitas coisas boas que conseguem apagar esta lacuna.

Nas faixas iniciais (“Bloom”, “Morning Mr Magpie”, “Little by Little” e “Feral”) conseguimos ouvir “drumbeats” loopados, à boa moda de “15 Step” (o tal ponto de contacto), mas que aqui dão-nos uma sensação de ansiedade, que é, aliás, um dos temas que mais consegui captar deste álbum. Após este início mais mexido, passamos a “Lotus Flower”, o single de estreia do disco, e que é, de longe, a canção mais “acessível” do álbum. É “catchy” o suficiente para nos pôr a trautear a canção pouco depois de a termos ouvido. Uma faixa simples e eficaz. Depois passamos às músicas que eu menos gostei no disco: “Codex” e “Give Up the Ghost”. Não quero com isto dizer que são más, porque não são, mas parecem um pouco deslocadas, numa altura em que o ritmo do disco estava em claro “crescendo”. Isto alia-se ao que eu tinha dito sobre a tal “ansiedade”: ficamos com a expectativa que o disco desemboque numa “bomba”, mas esta nunca chega. E depois, assistimos a um corte no ritmo que mata esta intensidade que o disco poderia ter. A meu ver, há aqui um problema de estrutura, que poderia ter sido mitigado com uma outra ordem nas canções, que permitisse ao disco “crescer” livremente sem entraves. Uma falha do disco, a meu ver, e que pesa no meu veredicto final. Apesar de tudo, o disco acaba em grande, com “Separator” a dar-nos a sensação que algo fica por dizer, com umas enormes reticências a pairarem no horizonte. É nisto que os Radiohead são bons: a despertarem em nós coisas que não esperávamos vindas dum disco e música. Se é certo que “The King of Limbs” tem os seus pontos menos bons, este não é um deles, muito pelo contrário.

Em suma, os Radiohead assinam em “The King of Limbs” um álbum que é a “cara deles”. Com uma clara progressão para territórios que cada vez mais quebram as barreiras do género, Thom Yorke e companhia afirmam-se como uma das bandas mais relevantes do nosso tempo. Apesar das falhas, “The King of Limbs” não deixa de ser um bom disco, que recomendo, especialmente aos fãs da banda, que vão encontrar “familiaridades sonoras desconhecidas” (uma contradição tipicamente “Radiohead-esca”) neste álbum. Espero é que não demorem muito a lançar mais álbuns, porque um disco tão curto não chega para matar saudades.

Nota Final: 8,4/10

João Morais

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

De Stijl

Boa noite, caros leitores. Após uma interrupção prolongada, o Música Dot Com volta hoje pra vos trazer a avaliação, não de um álbum recente, mas sim de um disco que me marcou especialmente, e que escolhi devido ao fim recente da banda que o gravou: falo de “De Stijl”, dos White Stripes. Para quem não sabe, este grupo tornou-se, ao longo dos anos, um dos meus projectos musicais favoritos, e por isso, em jeito de tributo, irei falar-vos do meu disco favorito daquela que era a banda principal de Jack White. Iniciemos, pois então!

Para começar, devo já avisar: este disco não tem grandes singles. Não tem um “Seven Nation Army” ou um “Icky Thump”. Mas tem a alma, a força e a rebeldia suficientes para conquistar verdadeiros amantes da música (como eu). Apesar de não ser tão cru como o seu antecessor (“The White Stripes”, de 1999), “De Stjil” ainda mantém muito do Lo-Fi que está presente no primeiro disco. A produção pode ser um pouco mais polida, mas não é “limpa” o suficiente para tapar a “sujidade” do Punk Blues de Detroit, o que me agrada muito. No disco, consegue-se ouvir um misto entre baladas acústicas de fácil digestão e canções pujantes, cheias de força e com grande rebeldia no som, num balanço que não é fácil de atingir, mas que aqui Jack White consegue na perfeição. Músicas como “Little Bird”, “Let’s Build a Home” ou “Hello Operator”, cheias de vitalidade, conseguem dar-nos a volta ao estômago, tal é energia que trazem, enquanto que “Apple Blossom”, “Sister, Do You Know My Name?” e “I’m Bound to Pack It Up” trazem uma certa calma que nos relaxa, e nos deixa numa “zona de conforto” que nos leva a ficar surpreendidos quando estas músicas mais calminhas acabam e começa mais uma grande malha.

Em termos de género, é fácil descrever o álbum: uma mistela de Blues americano com Punk primitivo e de garagem, junto a uma ética DYI que torna as coisas muito simples, e até, diria eu, um toquezinho de inspiração de Beatles (eu, como grande fã dos Fab Four, tento sempre ouvi-los em todo o lado. Manias minhas). A bateria de Meg White, já se sabe, é muito simples e básica, mas é sólida o suficiente para chegar aonde é necessário. A guitarra de Jack White é muito mais solta e variada, e consegue ultrapassar em larga escala o que é o “mínimo”, mostrando que Jack é um grande guitarrista, com solos de cortar a respiração, misturados com riffs cheios de potência que nos deixam “à beira da cadeira”.

Se quiserem ouvir este disco, e não sabem por onde começar, recomendo-vos já três das minhas músicas favoritas do álbum: “You’re Pretty Good Looking (For a Girl)”, que abre o disco de forma magistral, “Death Letter”, a cover do cantor Son House, nome de referência do Country Blues americano, e “Let’s Build a Home”, uma faixa muito rápida de 1 minuto e 58 segundos, mas que consegue fazer as delícias de quem gosta de música rápida e servida sem rodeios. Se ouvirem estas canções e gostarem, estou certo que acharão em “De Stijl” um álbum de referência.

Em suma, “De Stijl” é, para mim, um dos poucos álbuns que posso considerar totalmente perfeitos. Pode não ser o álbum mais conhecido ou o mais aclamado da discografia dos White Stripes, mas a mim enche-me as medidas e a cada vez que o ouço, sinto que estou a ouvir algo de muito especial. A notícia do fim dos White Stripes deixou-me triste, mas pelo menos, nós, os fãs da banda e de música em geral temos em discos como este uma forma de ultrapassar essas “dores”.

João Morais

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ritual

Ora boas noites, meus caros leitores. Depois de alguns tempos a recarregar baterias e a ganhar inspiração, hoje volto à carga com a review de um álbum fresquinho: “Ritual”, dos britânicos White Lies. Dois anos depois de “To Lose My Life...”, o aclamado álbum de estreia, será que os White Lies conseguiram criar algo de jeito? Veremos.

Ora, para começar, devo dizer que os White Lies são uma banda recente para mim. Antes deste “Ritual”, nunca lhes tinha prestado atenção. No entanto, depois de me terem informado desta banda, comecei a ouvir o material deles, e confesso que gostei, e não foi pouco. O primeiro álbum entrou bem nos ouvidos, e por isso, fiquei entusiasmado quando fui ouvir o sucessor, “Ritual”. E foi uma das raras ocasiões em que a excitação que eu gerei foi recompensada. Vou começar por dizer já isto: “Ritual” afigura-se como um dos discos que marca 2011. Eu sei, é uma afirmação ousada para esta altura do ano, mas o álbum soou-me incrivelmente bem, pelo que devo partilhar esta minha “previsão”.

Quando comparamos com o primeiro disco, vê-se que os White Lies não quiseram mudar a fórmula, optando por manter o estilo de “To Lose My Life...”. Com uma música negra e fria, este álbum está carregado de emoção, que transparece logo quando ouvimos o disco pela primeira vez, e que faz lembrar uma mistura entre Joy Division e uma sonoridade épica. O resultado é extraordinário. Se há música menos boas (“Peace & Quiet”, “Turn the Bells”), estas são imediatamente contra-balançadas com canções imersas num esplendor incomparável (“Bigger Than Us” ou “Holy Ghost”, momentos altos deste disco), que nos dão a sensação que algo de grande está para vir. O sempre presente baixo, a bateria bem ritmada, de forma quase militar, a guitarra simplista e o sintetizador frio ajudam a criar o clima, mas o toque final é a voz de Harry McVeigh, que surge como um lamento penumbroso e sentido, que nos consome por completo.

Em suma, “Ritual” pode não ser um álbum perfeito, mas foi para mim uma experiência inesquecível. Apesar de ter algumas músicas que não me conseguiram cativar por completo, o álbum no seu geral é algo de único. Se derem uma hipótese a este disco, não irão ficar desiludidos. Espero é que os White Lies não demorem muito a voltar a “picar o ponto”, com um disco tão bom, ou melhor!

Nota Final: 8,7/10

João Morais

domingo, 16 de janeiro de 2011

Valhalla Dancehall

Boa noite a todos. Hoje o Música Dot Com traz-vos a primeira review de 2011: “Valhalla Dancehall”, dos British Sea Power. Este é já o quinto disco de originais do grupo britânico de Indie Rock, e saiu no dia 10 deste mês. Será que 2011 começa bem de lançamentos? Vejamos.

Para começar, devo dizer que os British Sea Power são uma banda que me agrada. Com uma sonoridade variada (com “cheirinhos” de bandas como os Pixies, Joy Division, The Cure ou Arcade Fire), são uma banda que não desilude com os seus discos. Apesar do antecessor de “Valhalla Dancehall”, “Man of Aran” ter sido um pouco inferior aos restantes álbuns, esta é uma banda sólida, com nome feito e com experiência nestas andanças da indústria musical. Por isso, fiquei na expectativa quando soube do lançamento deste quinto álbum, ainda no ano passado. E felizmente, as minhas expectativas não saíram defraudadas. Os British Sea Power não perderam a “estrelinha” e conseguiram criar um álbum de qualidade, e que supera “Man of Aran”.

Falando do disco em si, “Valhalla Dancehall” tem uma sonoridade já característica da banda, mas também tem, em momentos, algum experimentalismo electrónico (especialmente em “Living Is So Easy” e “Heavy Water”), com os sintetizadores a marcarem presença. Também notei uma produção um pouco crua, que me satisfez. Os British Sea Power não perderam muito tempo a “polir” o disco, e isso traz ao registo uma força “roqueira” que é muito do meu agrado. A juntar às guitarras a rasgar, ao baixo competente e à bateria forte e bem colocada, este disco tem todos os ingredientes para ser uma bela obra. No entanto, também há que assinalar as falhas, sendo a inconsistência a mais óbvia. Enquanto que neste álbum encontramos músicas de grande qualidade como “Who’s In Control” ou “Stunde Null”, lado a lado estão faixas menos conseguidas como “Georgie Ray” ou “Luna”, que cortam o ritmo ao disco nos momentos em que este parece “levantar vôo”. Isso mostra outro defeito: uma escolha infeliz do posicionamento das canções no disco. Pode parecer uma coisa picuinhas para criticar, mas por vezes uma má articulação das canções no álbum pode fazer com que a obra não tenha a força que poderia ter.

Em suma, “Valhalla Dancehall” é um bom disco. Pode não ser uma obra-prima, mas não desilude, e vem deixar muitos fãs (incluindo eu) satisfeitos. Com um som interessante, este é um disco que eu recomendo. Posso dizer que, a começar assim, 2011 vai ser um bom ano.

Nota Final: 7,8/10

João Morais