sábado, 26 de março de 2011

Computers & Blues

Saudações melómanas a todos. Hoje, o MDC decidiu “arrumar a casa”. O número de discos a avaliar começou a acumular-se (muito por culpa de falta de inspiração para escrever), e por isso, vamos começar esta “arrumação” com um disco que saiu no dia 7 de Fevereiro: “Computer & Blues”, de The Streets, o nome do projecto de UK Garage e Hip-Hop de Mike Skinner. Este quinto disco foi anunciado por Skinner como o último do projecto, pelo que eu, fã das suas obras, fiquei na expectativa. Depois de já ter ouvido várias vezes o CD, creio estar pronto para falar dele aqui. Vamos a isso?

Bem, para começar, a minha expectativa não saiu defraudada. O disco está uma obra muito boa, do início ao fim. Tem as suas falhas, é certo, mas consegue deixar uma marca difícil de apagar. Talvez seja por ser o último disco de The Streets, mas a verdade é que sinto uma energia neste álbum que não encontrei no anterior “Everything Is Borrowed” (2008), que não era mau, mas que não marcou uma grande impressão. Este “Computer & Blues”, por seu lado, consegue continuar fresco a cada vez que o ouço.

O disco abre (e abre muito bem, devo dizê-lo) com “Outside Inside”, que marca logo a “passada” do disco. Skinner não quer só acabar; quer acabar em grande. Para isso, cria um álbum que, apesar de não ter uma temática concreta, única e transversal (para isso, Skinner criou “A Grand Don’t Come For Free”, o álbum conceptual de 2004), está “emaranhado” numa teia melancólica, que faz com que o disco soe muito coeso e unido. Essa melancolia é particularmente evidente em músicas como “Puzzled By People” , “Soldiers” ou “OMG”, que aliam letras mais tristonhas com instrumentais belos, que me levaram à introspecção. No entanto, a tristeza é ainda mais evidente em “We Can Never Be Friends”, a balada de amor derrotista, de som mais acústico. Contudo, não fiquem com a impressão que o disco é só tristeza: como disse, o álbum não tem um tema explícito, pelo que há músicas que escapam à regra: “Roof of Your Car” e “Without Thinking” são músicas que fogem à “aura” geral do LP e que se aguentam de forma esplêndida. No entanto, como eu disse, o álbum está “emaranhado”, o que quer dizer que, apesar de por vezes nos afastarmos, mais tarde ou mais cedo (e aqui é mais cedo) vamos voltar a ouvir a tal tristeza. Porém, ao aproximarmo-nos do final do CD, chegamos àquela que é, para mim, a melhor música do álbum, e que foge por completo a este “esquema”: “Trust Me”, uma faixa muito “upbeat”, com um ritmo muito alegre, e que prepara o terreno de forma brilhante para “Lock the Locks”, que fecha com “chave de ouro” este “Computer & Blues”.

Não se pense, porém, que este álbum está livre de falhas. Uma das mais sérias críticas que tenho a apontar é um problema que já vem de trás: a incapacidade que The Streets tem de fazer discos que não caiam no erro de ter uma ou outra música de enchimento, desnecessárias e aborrecidas. Para mim, neste “Computer & Blues”, músicas como “Blip On a Screen” ou “Those That Don’t Know” podiam ser perfeitamente dispensadas, pois só vêm cortar o ritmo a um disco pejado de canções gloriosas. Apesar de o disco ser muito bom, há que assinalar esta “falha”.

Resumindo, este “Computers & Blues” é uma óptima maneira de fechar o projecto The Streets, pois encerra de forma magnânima uma saga de cinco álbuns, iniciada em 2002. Neste disco, Skinner mostra uma vez mais aquilo que já devia ser uma certeza: é um produtor extremamente capaz, que consegue criar texturas musicais verdadeiramente belas. Só me resta desejar que Mike decida um dia voltar a trás com a sua palavra. Nós, fãs, agradeceríamos. E muito.

Nota Final: 8,9/10

João Morais

domingo, 20 de março de 2011

Resultados da Votação

Boa noite. Peço desculpa pelas horas tardias a que estou a postar isto, mas a verdade é que só agora me foi possível começar a escrever para o blog (vida atarefada, esta). Contudo, o que tenho para dizer é isto: após dois meses e meio de votação, o inquérito acerca do vosso álbum favorito do Top 10 de 2010 do MDC chegou ao fim, e o resultado é, surpresa das surpresas, coincidente com o do Música Dot Com: “The Suburbs”, dos Arcade Fire, que foi votado por 31% dos votantes (5 votos, numa sondagem que reuniu um universo eleitoral de 16 pessoas) é o vencedor, seguido de perto de Kanye West, e o seu “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, com 25% (4 votos). A fechar o Top 3, temos o “nosso” B Fachada, com o seu “B Fachada É Pra Meninos”, que angariou 18% (3 votos). Empatados no 4º lugar estão 4 bandas (curioso, huh?): Broken Social Scene, com “Forgiveness Rock Record”, Black Keys, com “Brothers”, MGMT, com “Congratulations” e Deerhunter, com “Halcyon Digest”. Estes 4 grupos tiveram cada um 6% dos votos (um voto cada, portanto). No quinto lugar, sem nenhum voto, estão as três obras restantes: “This Is Happening”, “Before Today” e "The Drums", dos LCD Soundsystem, dos Ariel Pink’s Haunted Graffiti e dos The Drums, respectivamente.

Em jeito de reflexão, devo revelar a minha tristeza pelo facto da votação ter tido uma fraca participação. No entanto, num país onde a abstenção eleitoral ultrapassa os 50%, confesso que não fico surpreendido. Espero que na próxima poll (a revelar nos próximos dias), haja mais gente a votar, pois isso é um sinal de aproximação das pessoas ao blog, algo que eu prezo muito. Até ao próximo post, oiçam boa música!

Resultados:


1. Arcade Fire - "The Suburbs" - 5 votos (31%)

2. Kanye West - "My Beautiful Dark Twisted Fantasy" - 4 votos (25%)

3. B Fachada - “B Fachada É Pra Meninos” - 3 votos (18%)

4. Broken Social Scene - “Forgiveness Rock Record” - 1 voto (6%)

5. Black Keys - “Brothers” - 1 voto (6%)

6. MGMT - "Congratulations" - 1 voto (6%)

7. Deerhunter - "Halcyon Digest" - 1 voto (6%)

8. LCD Soundsystem - "This Is Happening" - 0 votos (0%)

9. Ariel Pink's Haunted Graffiti - "Before Today" - 0 votos (0%)

10. The Drums - "The Drums" - 0 votos (0%)


João Morais

quinta-feira, 17 de março de 2011

Gogol Bordello @ Campo Pequeno

Olá a todos. Hoje o MDC traz-vos uma pequena análise ao concerto dos Gogol Bordello, que teve lugar no Campo Pequeno, no passado dia 7 de Março. Este foi um concerto que fez parte da promoção do mais recente disco do grupo, “Trans-Continental Hustle”, álbum lançado em Abril do ano passado. Falemos do espectáculo, pois então.

A abertura do “show” foi feita pelo grupo de sul-americanos residentes em Barcelona, Che Sudaka, que infelizmente não fui capaz de ver (a minha sina no Campo Pequeno no que às bandas de abertura diz respeito continua a ser a mesma...), no entanto, dava para se sentir que este grupo tinha posto a plateia (casa quase cheia) em “ponto de rebuçado” para a festa que se seguiria. Entrando em palco às 22h20m, a trupe de Eugene Hütz é recebida em apoteose pelo público, sedento de festa.

Foi com “Tribal Connection” (do álbum de 2007, “Super Taranta!”) que foi inaugurada a setlist, que procurava combinar canções dos discos mais antigos com o mais recente “Trans-Continental Hustle” (das 21 canções da noite, apenas 8 eram do mais recente disco, o que mostra um certo equilíbrio). Quanto à qualidade de som, devo constatar que estava muito melhor do que no concerto dos Interpol (se bem que num concerto destes, esse tipo de questões é o que menos interessa).

“Not a Crime” e “Wonderlust King” foram as canções que iniciaram uma loucura que durou até ao resto da noite. Se nas primeiras duas músicas os saltos e “moshs” foram residuais, a partir daí começaram a ser constante (excepção feita a canções como “My Companjera”, que é de facto uma balada com um ritmo mais lento, e que me permitiu recuperar o fôlego). Após uma série de canções do disco mais recente, (que de facto foi feito para “brilhar” ao vivo, mais do que para apelar aos críticos) veio “American Wedding”, “Pala Tute” (mais uma música do disco de 2010) e “Start Wearing Purple”, um dos maiores êxitos da banda, e que terminou a primeira parte do concerto.

No entanto, Lisboa teve direito a um encore de luxo, com 4 canções, entre as quais a fabulosa “Think Locally, Fuck Globally”, que levou toda a gente ao rubro, mesmo apesar do cansaço que já se começava a sentir. Após uma saída de palco que parecia terminar o concerto, os Gogol Bordello voltaram, com Eugene Hütz a tocar, enrolado na bandeira portuguesa, “Alcohol”, um verdadeiro hino àquele que foi o combustível deste concerto (durante o show o vocalista foi dando vários goles duma garrafa de vinho, que eu assumi que fosse do Porto). A noite chegou ao fim com uma cover dos Mano Negra, “Mala Vida”, com os membros dos Che Sudaka a juntarem-se aos Gogol em palco, e que fechou a noite da forma como tinha começado: em festa!

Setlist do concerto:

  1. Tribal Connection
  2. Ultimate
  3. Not a Crime
  4. Wonderlust King
  5. My Companjera
  6. Last One Goes The Hope
  7. Trans-Continental Hustle
  8. Immigraniada (We Comin' Rougher)
  9. Break The Spell
  10. Raise The Knowledge
  11. When Universes Collide
  12. American Wedding
  13. Pala Tute
  14. Start Wearing Purple
  15. Break The Spell (Reprise)

Encore 1:

  1. Think Locally, Fuck Globally
  2. Sun Is On My Side
  3. Mishto!
  4. Sacred Darling

Encore 2:

  1. Alcohol
  2. Mala Vida

(cover dos Mano Negra, com os Che Sudaka)

PS: A votação para o vosso álbum favorito de 2010 acaba amanhã, por isso, se ainda não votaram, apressem-se e votem!

João Morais

quarta-feira, 9 de março de 2011

The King of Limbs

Boa noite a todos. Após uma “pausazinha” de Carnaval,o MDC está de volta, com a review do mais recente disco duma banda muito especial: os Radiohead, e o seu “The King of Limbs”. Se bem se lembram, um álbum novo dos Radiohead foi visto pelo Música Dot Com como uma das grandes expectativas para 2011. Será que os ingleses conseguiram manter-se à altura do desafio dum novo disco? Vejamos.

Falemos primeiro da forma como este disco nos chegou às mãos. “The King of Limbs” trocou, sem dúvida, as voltas a toda a gente, ao nível do anúncio, promoção (ou falta dela, neste caso) e distribuição. Apesar de agora já não ser virtualmente grátis, como foi “In Rainbows”, “TKoL” ainda segue uma linha bastante irreverente no que toca à comercialização da música. Com o anúncio do disco a ser feito na Segunda-Feira, dia 14 de Fevereiro, marcado para 19, Sábado seguinte, e adiantado para a Sexta-Feira, dia 18, os Radiohead conseguiram surpreender toda a gente. Apesar de eu ter dito que esperava um novo álbum deles ainda este ano, devo confessar que não estava à espera que fosse lançado desta maneira, e tão cedo. Por isso, posso dizer que foi um choque para mim. No entanto, mais do que o choque, veio a surpresa. As modalidades de compra, divididas entre compra digital simples (MP3 ou WAV) e uma edição “jornal” com disco em vinil é algo que me intriga. O que será, em concreto, a edição em “jornal”? Bem, isso só o tempo dirá. Contudo, uma coisa é certa: os Radiohead chegaram a um ponto de segurança notável, onde conseguem fazer a sua música, e sem alarido, “libertá-la” para os fãs a ouvirem. E é aqui, no “ouvir”, que está o mais interessante do disco: a música em concreto.

À primeira “vista”, consegue-se fazer logo uma observação fácil: o álbum é curto. 8 músicas são pouco para uma banda que já nos habituou a discos com um comprimento considerável. No entanto, com os Radiohead, já se sabe: a qualidade está acima da quantidade, e este disco é a prova viva disso. Apesar de todos os rumores que circulam por aí duma “segunda parte” de “The King of Limbs”, a verdade é que se estas 8 faixas são tudo o que temos, então não estamos mal servidos. E nestas 8 faixas, encontramos uns Radiohead que contrariam o que se esperava deles. Enquanto que “In Rainbows” foi um regresso a uma música mais “orgânica” e “terra-a-terra”, com instrumentos mais “normais” para uma banda Rock, “The King of Limbs” mostra novamente um som mais etéreo e sonhador, reminiscente de “Kid A” e “Amnesiac”. Pode-se dizer, por isso, que “TKoL” mostra uma ruptura com a sonoridade de “In Rainbows”, se bem que se podem notar alguns pontos de contacto (especialmente na secção rítmica).

Analisando com mais cuidado, devo dizer que o álbum, no geral, agradou-me, apesar de “The King of Limbs” não ser de audição fácil. Como já é costume com os Radiohead, a primeira vez que ouvi o disco foi um pouco confusa. Apesar de não ter desgostado, não morri de amores pelo álbum. No entanto, despertou em mim uma curiosidade que me fez ouvir de novo, e encontrar texturas sonoras que me fizeram adorar o disco (a forma como a bateria e o baixo jogam entre si, ou as influências Jazz estão dentro destas “texturas” maravilhosas que escapam a um ouvido mais distraído). Por volta da terceira audição, rendi-me às evidências: os Radiohead são mestres naquilo que fazem. No entanto, devo confessar uma desilusão: falta um pouco mais de Jonny Greenwood neste disco. A guitarra dele, apesar de presente, não se faz ouvir com tanta intensidade em “TKoL” como se fez escutar em “In Rainbows”, e isso é uma pena, porque ele é um dos melhores guitarristas da actualidade.Contudo, o álbum tem muitas coisas boas que conseguem apagar esta lacuna.

Nas faixas iniciais (“Bloom”, “Morning Mr Magpie”, “Little by Little” e “Feral”) conseguimos ouvir “drumbeats” loopados, à boa moda de “15 Step” (o tal ponto de contacto), mas que aqui dão-nos uma sensação de ansiedade, que é, aliás, um dos temas que mais consegui captar deste álbum. Após este início mais mexido, passamos a “Lotus Flower”, o single de estreia do disco, e que é, de longe, a canção mais “acessível” do álbum. É “catchy” o suficiente para nos pôr a trautear a canção pouco depois de a termos ouvido. Uma faixa simples e eficaz. Depois passamos às músicas que eu menos gostei no disco: “Codex” e “Give Up the Ghost”. Não quero com isto dizer que são más, porque não são, mas parecem um pouco deslocadas, numa altura em que o ritmo do disco estava em claro “crescendo”. Isto alia-se ao que eu tinha dito sobre a tal “ansiedade”: ficamos com a expectativa que o disco desemboque numa “bomba”, mas esta nunca chega. E depois, assistimos a um corte no ritmo que mata esta intensidade que o disco poderia ter. A meu ver, há aqui um problema de estrutura, que poderia ter sido mitigado com uma outra ordem nas canções, que permitisse ao disco “crescer” livremente sem entraves. Uma falha do disco, a meu ver, e que pesa no meu veredicto final. Apesar de tudo, o disco acaba em grande, com “Separator” a dar-nos a sensação que algo fica por dizer, com umas enormes reticências a pairarem no horizonte. É nisto que os Radiohead são bons: a despertarem em nós coisas que não esperávamos vindas dum disco e música. Se é certo que “The King of Limbs” tem os seus pontos menos bons, este não é um deles, muito pelo contrário.

Em suma, os Radiohead assinam em “The King of Limbs” um álbum que é a “cara deles”. Com uma clara progressão para territórios que cada vez mais quebram as barreiras do género, Thom Yorke e companhia afirmam-se como uma das bandas mais relevantes do nosso tempo. Apesar das falhas, “The King of Limbs” não deixa de ser um bom disco, que recomendo, especialmente aos fãs da banda, que vão encontrar “familiaridades sonoras desconhecidas” (uma contradição tipicamente “Radiohead-esca”) neste álbum. Espero é que não demorem muito a lançar mais álbuns, porque um disco tão curto não chega para matar saudades.

Nota Final: 8,4/10

João Morais

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

De Stijl

Boa noite, caros leitores. Após uma interrupção prolongada, o Música Dot Com volta hoje pra vos trazer a avaliação, não de um álbum recente, mas sim de um disco que me marcou especialmente, e que escolhi devido ao fim recente da banda que o gravou: falo de “De Stijl”, dos White Stripes. Para quem não sabe, este grupo tornou-se, ao longo dos anos, um dos meus projectos musicais favoritos, e por isso, em jeito de tributo, irei falar-vos do meu disco favorito daquela que era a banda principal de Jack White. Iniciemos, pois então!

Para começar, devo já avisar: este disco não tem grandes singles. Não tem um “Seven Nation Army” ou um “Icky Thump”. Mas tem a alma, a força e a rebeldia suficientes para conquistar verdadeiros amantes da música (como eu). Apesar de não ser tão cru como o seu antecessor (“The White Stripes”, de 1999), “De Stjil” ainda mantém muito do Lo-Fi que está presente no primeiro disco. A produção pode ser um pouco mais polida, mas não é “limpa” o suficiente para tapar a “sujidade” do Punk Blues de Detroit, o que me agrada muito. No disco, consegue-se ouvir um misto entre baladas acústicas de fácil digestão e canções pujantes, cheias de força e com grande rebeldia no som, num balanço que não é fácil de atingir, mas que aqui Jack White consegue na perfeição. Músicas como “Little Bird”, “Let’s Build a Home” ou “Hello Operator”, cheias de vitalidade, conseguem dar-nos a volta ao estômago, tal é energia que trazem, enquanto que “Apple Blossom”, “Sister, Do You Know My Name?” e “I’m Bound to Pack It Up” trazem uma certa calma que nos relaxa, e nos deixa numa “zona de conforto” que nos leva a ficar surpreendidos quando estas músicas mais calminhas acabam e começa mais uma grande malha.

Em termos de género, é fácil descrever o álbum: uma mistela de Blues americano com Punk primitivo e de garagem, junto a uma ética DYI que torna as coisas muito simples, e até, diria eu, um toquezinho de inspiração de Beatles (eu, como grande fã dos Fab Four, tento sempre ouvi-los em todo o lado. Manias minhas). A bateria de Meg White, já se sabe, é muito simples e básica, mas é sólida o suficiente para chegar aonde é necessário. A guitarra de Jack White é muito mais solta e variada, e consegue ultrapassar em larga escala o que é o “mínimo”, mostrando que Jack é um grande guitarrista, com solos de cortar a respiração, misturados com riffs cheios de potência que nos deixam “à beira da cadeira”.

Se quiserem ouvir este disco, e não sabem por onde começar, recomendo-vos já três das minhas músicas favoritas do álbum: “You’re Pretty Good Looking (For a Girl)”, que abre o disco de forma magistral, “Death Letter”, a cover do cantor Son House, nome de referência do Country Blues americano, e “Let’s Build a Home”, uma faixa muito rápida de 1 minuto e 58 segundos, mas que consegue fazer as delícias de quem gosta de música rápida e servida sem rodeios. Se ouvirem estas canções e gostarem, estou certo que acharão em “De Stijl” um álbum de referência.

Em suma, “De Stijl” é, para mim, um dos poucos álbuns que posso considerar totalmente perfeitos. Pode não ser o álbum mais conhecido ou o mais aclamado da discografia dos White Stripes, mas a mim enche-me as medidas e a cada vez que o ouço, sinto que estou a ouvir algo de muito especial. A notícia do fim dos White Stripes deixou-me triste, mas pelo menos, nós, os fãs da banda e de música em geral temos em discos como este uma forma de ultrapassar essas “dores”.

João Morais

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ritual

Ora boas noites, meus caros leitores. Depois de alguns tempos a recarregar baterias e a ganhar inspiração, hoje volto à carga com a review de um álbum fresquinho: “Ritual”, dos britânicos White Lies. Dois anos depois de “To Lose My Life...”, o aclamado álbum de estreia, será que os White Lies conseguiram criar algo de jeito? Veremos.

Ora, para começar, devo dizer que os White Lies são uma banda recente para mim. Antes deste “Ritual”, nunca lhes tinha prestado atenção. No entanto, depois de me terem informado desta banda, comecei a ouvir o material deles, e confesso que gostei, e não foi pouco. O primeiro álbum entrou bem nos ouvidos, e por isso, fiquei entusiasmado quando fui ouvir o sucessor, “Ritual”. E foi uma das raras ocasiões em que a excitação que eu gerei foi recompensada. Vou começar por dizer já isto: “Ritual” afigura-se como um dos discos que marca 2011. Eu sei, é uma afirmação ousada para esta altura do ano, mas o álbum soou-me incrivelmente bem, pelo que devo partilhar esta minha “previsão”.

Quando comparamos com o primeiro disco, vê-se que os White Lies não quiseram mudar a fórmula, optando por manter o estilo de “To Lose My Life...”. Com uma música negra e fria, este álbum está carregado de emoção, que transparece logo quando ouvimos o disco pela primeira vez, e que faz lembrar uma mistura entre Joy Division e uma sonoridade épica. O resultado é extraordinário. Se há música menos boas (“Peace & Quiet”, “Turn the Bells”), estas são imediatamente contra-balançadas com canções imersas num esplendor incomparável (“Bigger Than Us” ou “Holy Ghost”, momentos altos deste disco), que nos dão a sensação que algo de grande está para vir. O sempre presente baixo, a bateria bem ritmada, de forma quase militar, a guitarra simplista e o sintetizador frio ajudam a criar o clima, mas o toque final é a voz de Harry McVeigh, que surge como um lamento penumbroso e sentido, que nos consome por completo.

Em suma, “Ritual” pode não ser um álbum perfeito, mas foi para mim uma experiência inesquecível. Apesar de ter algumas músicas que não me conseguiram cativar por completo, o álbum no seu geral é algo de único. Se derem uma hipótese a este disco, não irão ficar desiludidos. Espero é que os White Lies não demorem muito a voltar a “picar o ponto”, com um disco tão bom, ou melhor!

Nota Final: 8,7/10

João Morais

domingo, 16 de janeiro de 2011

Valhalla Dancehall

Boa noite a todos. Hoje o Música Dot Com traz-vos a primeira review de 2011: “Valhalla Dancehall”, dos British Sea Power. Este é já o quinto disco de originais do grupo britânico de Indie Rock, e saiu no dia 10 deste mês. Será que 2011 começa bem de lançamentos? Vejamos.

Para começar, devo dizer que os British Sea Power são uma banda que me agrada. Com uma sonoridade variada (com “cheirinhos” de bandas como os Pixies, Joy Division, The Cure ou Arcade Fire), são uma banda que não desilude com os seus discos. Apesar do antecessor de “Valhalla Dancehall”, “Man of Aran” ter sido um pouco inferior aos restantes álbuns, esta é uma banda sólida, com nome feito e com experiência nestas andanças da indústria musical. Por isso, fiquei na expectativa quando soube do lançamento deste quinto álbum, ainda no ano passado. E felizmente, as minhas expectativas não saíram defraudadas. Os British Sea Power não perderam a “estrelinha” e conseguiram criar um álbum de qualidade, e que supera “Man of Aran”.

Falando do disco em si, “Valhalla Dancehall” tem uma sonoridade já característica da banda, mas também tem, em momentos, algum experimentalismo electrónico (especialmente em “Living Is So Easy” e “Heavy Water”), com os sintetizadores a marcarem presença. Também notei uma produção um pouco crua, que me satisfez. Os British Sea Power não perderam muito tempo a “polir” o disco, e isso traz ao registo uma força “roqueira” que é muito do meu agrado. A juntar às guitarras a rasgar, ao baixo competente e à bateria forte e bem colocada, este disco tem todos os ingredientes para ser uma bela obra. No entanto, também há que assinalar as falhas, sendo a inconsistência a mais óbvia. Enquanto que neste álbum encontramos músicas de grande qualidade como “Who’s In Control” ou “Stunde Null”, lado a lado estão faixas menos conseguidas como “Georgie Ray” ou “Luna”, que cortam o ritmo ao disco nos momentos em que este parece “levantar vôo”. Isso mostra outro defeito: uma escolha infeliz do posicionamento das canções no disco. Pode parecer uma coisa picuinhas para criticar, mas por vezes uma má articulação das canções no álbum pode fazer com que a obra não tenha a força que poderia ter.

Em suma, “Valhalla Dancehall” é um bom disco. Pode não ser uma obra-prima, mas não desilude, e vem deixar muitos fãs (incluindo eu) satisfeitos. Com um som interessante, este é um disco que eu recomendo. Posso dizer que, a começar assim, 2011 vai ser um bom ano.

Nota Final: 7,8/10

João Morais

sábado, 1 de janeiro de 2011

As 5 melhores canções de 2010 (e não só!)

Adeus, 2010, olá, 2011. Hoje, no primeiro dia do novo ano, o Música Dot Com traz-vos a escolha das cinco melhores músicas do ano que terminou ontem, uma lista das maiores expectativas para o ano que agora começa, e o anúncio de uma votação online para os leitores do MDC. Soa-vos bem? Então, “let’s start”!

As Cinco Melhores Músicas de 2010

Esta é uma escolha sem ordem, pois se é difícil escolher entre álbuns, então entre canções é algo quase impossível. Por isso, considerem todas estas canções “Número 1” para o Música Dot Com:

“Lemonworld” – The National – Foi por pouco que “High Violet” não entrou no Top 10 dos álbuns de 2010, mas “Lemonworld” é sem dúvida um dos melhores pedaços de música que o ano passado viu. Esta canção tem uma força que só a conjugação do seu instrumental simples com a voz grave e solene de Matt Berninger poderia gerar.

“Siberian Breaks” – MGMT – Quando fiz a review de “Congratulations”, eu avisei que “Siberian Breaks” arriscava-se a ser uma das melhores canções de 2010. E acabou por verificar-se com esta presença na lista das 5 melhores do ano. As reviravoltas que a canção dá ao longo dos seus 12 minutos quase nos fazem pensar que é mais do que uma música. Mas não, é apenas uma, e uma das boas!

“On Melancholy Hill” – Gorillaz – O álbum dos Gorillaz produziu várias canções que poderiam ser inseridas nesta lista, mas infelizmente, a obra no seu todo não é muito apelativa (“too much filler”, diria eu). Mas “On Melancholy Hill” destaca-se logo à primeira audição, pelas várias sensações que pode causar quando a ouvimos (todas elas diferentes, dependendo do estado de espírito). Se havia dúvidas que Damon Albarn é um génio a criar belíssimas canções, “On Melancholy Hill” dissipou-as por completo.

“All I Want” – LCD Soundsystem - “Take Me Home”, é o pedido feito de forma frenética por James Murphy no final de “All I Want”, uma peça musical que tem a duração de 6 minutos e 43 segundos, e que se vai construindo de forma gradual até acabar num clímax auditivo tremendo. Os LCD Soundsystem podem ameaçar acabar, mas com músicas como esta, a sua memória irá permanecer nos nossos corações.

“This Orient” – Foals – No mundo da música, às vezes parece que existem músicas feitas à medida dos nossos ouvidos. “This Orient” é um desses casos. Ao ouvir esta música, sente-se uma energia que parece vinda dos próprios Foals. A guitarra a rasgar, as vozes a suspirar e a bateria a pulsar fazem com que esta seja uma faixa de excelência. Sem dúvida, uma das grandes músicas do ano.

As Expectativas de 2011

E como sempre, no início de um novo ano fazem-se apostas e esperam-se grandes lançamentos das bandas que mais gostamos. Assim, o MDC não fugiu à regra e reuniu seis nomes que estão a gerar burburinho, seja pela confirmação que estão a gravar ou vão lançar um álbum este ano ou porque já começa a ser altura destes senhores lançarem algo.:

The Strokes – O álbum, ao que parece, já está gravado, estando a ser editado para ser comercializado ainda no primeiro semestre de 2011. Será que Julian Casablancas e companhia irão conseguir continuar nas boas graças dos fãs, ou será o 4º álbum de originais da banda americana um autêntico “flop”?

The White Stripes – 2007 foi o ano de “Icky Thump”, e desde então que os fãs do duo norte-americano de Garage Punk estão a salivar por um novo disco. Esperava-se que 2010 fosse o ano do seu regresso, mas os Dead Weather de Jack White atrasaram este processo. Será que é em 2011 que Jack e Meg White voltam à gravação?

Radiohead – Sabe-se que estes senhores não estão parados. Mas será que é em 2011 que veremos o sucessor de “In Rainbows”, o aclamado álbum gratuito que mostrou a reconciliação dos Radiohead aos instrumentos “orgânicos”? A ver vamos. O MDC espera bem que sim.

Arctic Monkeys – Esta é já uma certeza: Alex Turner e companhia já anunciaram que vão entrar em estúdio ainda no início deste ano para gravar material para o sucessor de “Humbug”, um álbum que não foi tão consensual quanto os seus antecessores. Será que a mudança na sonoridade que se registou no 3º disco se mantém, ou pelo contrário veremos um regresso às origens? Estas questões andam a tirar o sono a muitos fãs da banda, eu incluído. É esperar para ver.

Fleet Foxes – Em 2008, os Fleet Foxes saíram-se com um aclamado álbum de estreia, “Fleet Foxes” de seu título. Já foi anunciado o lançamento em 2011 do próximo tomo da banda americana de Baroque Pop. Será que os Fleet Foxes conseguem estar à altura do desafio de criarem um álbum tão bom como o primeiro, ou a será a pressão demais? Este ano, saberemos a resposta.

Queens of the Stone Age – Estes senhores são uns preguiçosos. Desde 2007, ano de “Era Vulgaris”, que a trupe de Josh Homme anda a viver “à sombra da bananeira”. No entanto, apesar de não haver nenhuma indicação oficial, pode ser que 2011 seja o ano em que estes meninos voltem a estúdio. O que se quer é o que nos tem sido sempre dado: Stoner Rock com sabor a deserto.

Votação

E anuncio aqui a abertura duma votação online, para que os leitores possam decidir qual dos 10 álbuns inseridos no Top 10 do Música Dot Com é o seu favorito. Esta votação está aberta até final de Fevereiro.

Sem mais assunto, assim me despeço. Para a semana voltamos com o calendário habitual (a não ser que me dê na cabeça não o cumprir). Até lá, um bom ano.

João Morais

Edit: Os White Stripes acabaram. Parece que uma das minhas expectativas saiu furada...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Top 10 de 2010

Boa tarde a todos. Hoje, dia 31 de Dezembro, é altura de fazer balanços ao ano que está agora a terminar. Por isso, hoje apresento-vos o Top 10 de 2010 do Música Dot Com. Este top foi feito com base nas reviews que foram feitas ao longo do ano, em junção com as várias partes do “2010 em Revista” (se não tiveram oportunidade de as ver até agora, elas estão disponíveis aqui no blog, à distância de um click). Posto isto, aqui está o Top 10:

10. Deerhunter - “Halcyon Digest” - 8,4






9. The Drums - “The Drums” - 8,5






8. MGMT - “Congratulations” - 8,5






7. Ariel Pink’s Haunted Graffiti - “Before Today” - 8,8






6. LCD Soundsystem - “This Is Happening” - 8,9






5. Kanye West - “My Beautiful Dark Twsted Fantasy” - 9,0






4. B Fachada - “B Fachada É Pra Meninos” - 9,0






3. Black Keys - “Brothers” - 9,3






2. Broken Social Scene - “Forgiveness Rock Record” - 9,6






1. Arcade Fire - “The Suburbs” - 9,6






Este é o Top 10 que o Música Dot Com compilou ao longo do ano. Amanhã, no primeiro dia do ano 2011, teremos mais novidades, incluindo a escolha das cinco melhores músicas de 2010. Até lá, espero que tenham uma boa entrada em 2011 (diz o cliché que deve ser com o pé direito), e que se divirtam, e não se esqueçam, oiçam sempre boa música. Feliz passagem de ano!

João Morais

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2010 em Revista Parte 8 (e última)

E assim chegamos à oitava e última parte de “2010 em Revista”. Depois de sensivelmente um mês a passar os olhos pelo ano que está a terminar, consegui concluir esta verdadeira saga. E hoje, trago-vos quatro álbuns, os últimos a que faço review este ano. Espero que tenham gostado desta viagem que fizemos a este ano tão singular que foi 2010, e que se preparem para embarcar na última parte desta jornada. Comecemos, pois então.

Ariel Pink’s Haunted Graffiti – “Before Today” - E começamos com o senhor Ariel Pink e os seus Haunted Graffiti, o grupo que ele usa como suporte para as suas criações musicais. Este “Before Today” é já o 12º álbum de Ariel Pink (se bem que ele diz que é o seu primeiro, vá-se lá saber porquê. Excentricidades.), e trás algumas novidade na sonoridade de Ariel Pink. Não é uma total ruptura, mas o Freak Folk que se fazia sentir em outros registos desaparece aqui por completo. Mas para fazer uma descrição do álbum, pode-se fazer uma simples equação: Lo-Fi (sempre presente na obra de Ariel Pink) + Experimentalismo + Revivalismo Rock + Pitadas de Chillwave + traços de New Wave = “Before Today”. E devo dizer que esta equação não soa nada mal não senhora. Apesar de algumas músicas estarem abaixo da média (a faixa que abre o álbum, “Hot Body Rub”, pode ser um pouco dissuasora, mas se arriscarem e ouvirem o resto do disco, não vão sair desapontados), em geral o álbum está bem feito, soa bem ao ouvido, e tem poucos defeitos. Músicas como “Bright Lit Blue Skies” (uma cover duma canção clássica do Rock N’ Roll) ou “Revolution’s a Lie” (uma linha de baixo a soar a Post-Punk dos anos 70/80) fazem deste um dos discos obrigatórios de 2010.

Músicas obrigatórias:

- “Bright Lit Blue Skies”

- “Round and Round”

- “Beverly Kills”

- “Revolution’s a Lie”

Nota Final: 8,8/10

Joanna Newsom – “Have One On Me” – E prosseguimos com a cantautora (peço desculpa pelo neologismo, que se está a tornar frequente nas minhas reviews, mas eu gosto da palavra, e não posso fazer nada quanto a isso) californiana Joanna Newsom, que nos traz neste 2010 “Have One On Me”, o seu 3º disco de originais, e que segue a linha Indie Folk acompanhada de harpa e piano que tem vindo a ser usual nos seus discos. Devo dizer que Newsom não é de fácil entrada (muito por causa da sua voz “carismática”, chamemos-lhe assim), e eu sei isto muito bem porque a música dela simplesmente não me convenceu. Vou ser franco, não gostei do álbum. Aliado à voz pouco apelativa de Joanna, temos a repetição das músicas, com a mesma fórmula quase sem tirar nem pôr, e uma monotonia que é sentida por quase todo o disco. Apesar de ter algumas músicas engraçadas (“’81” e “Soft As Chalk”, por exemplo), 5 faixas que se aproveitem num álbum de 18 é uma obra de pouco mérito. O meu veredicto é que este é um álbum muito mediano, e que não merece o hype que as publicações de música lhe têm dado. Por isso, se não conhecem a obra ou não são fãs de Joanna Newsom, oiçam por vossa conta e risco.

Músicas obrigatórias:

- “’81”

- “Good Intentions Paving Company”

- “Soft as Chalk”

- “Kingfisher”

Nota Final: 4,8/10

Deerhunter – “Halcyon Digest” – Prosseguimos com os nova-iorquinos Deerhunter, banda de Indie Rock que assina em “Halcyon Digest” o seu quarto Longa Duração. Este disco tem vindo a ser apontado em algumas listas como o álbum do ano. Discordo dessa consideração, mas admito que esta é uma obra bastante boa. Contendo um Indie Rock vestido com roupas experimentalistas (que chegam a cheirar a Shoegaze e a Noise Rock em momentos), “Halcyon Digest” é um disco sólido, coerente e bem estruturado. Os Deerhunter criaram aqui um álbum repleto de músicas que fazem o pé bater e a cabeça abanar. Tirando algumas faixas menos conseguidas, este é um álbum para ouvir e voltar a ouvir, e que entretém em qualquer ocasião. Da minha parte, está aprovado, e esperemos que os Deerhunter fiquem connosco por muitos e bons anos, para continuarem a fazer boa música.

Músicas obrigatórias:

- “Memory Boy”

- “Desire Lines”

- “Fountain Stairs”

- “Coronado”

Nota Final: 8,4/10

Sufjan Stevens – “The Age of Adz” – E terminamos com um dos cantores mais populares do mundo Indie, o senhor Sufjan Stevens, o americano que nos trouxe álbuns memoráveis como “Michigan” ou “Illinois”, e que fez desta vez “The Age of Adz”, que corta com o trabalho mais recente, e volta às experiências electrónicas que fazem lembrar “Enjoy Your Rabbit”, deixando o Folk a que já tínhamos sido habituados totalmente de parte. Contudo, esta Electronica, apesar de ter algumas semelhanças, é diferente da do álbum de 2001. Podemos dizer que Sufjan, ao romper com o aclamado “Illinois”, mostra um desejo de evitar a repetição que eu admiro. No entanto, a primeira parte do disco foi, para mim, quase intragável. O experimentalismo aí presente tornou-se aborrecido pelo facto das canções serem muito compridas e repetitivas. Contudo, a segunda metade do álbum está pejada de genialidade. O brilhantismo de Sufjan que vimos em “Illinois” aparece aqui, em “The Age of Adz”, após uma “longa travessia no deserto” que dura quase meio álbum. Não quero com isto dizer que a sonoridade seja semelhante à do disco anterior (não é, nem um pouco), mas conseguimos encontrar pontos de contacto que nos fazem pensar: “este é um álbum do Sufjan Stevens”. Devo também referir a colossal “Impossible Soul”, faixa que fecha o disco, e que tem 25 minutos de duração, mas que, apesar do seu tamanho, consegue manter-se surpreendentemente fresca e renova-se a cada minuto que passa. No entanto, não devo deixar de lembrar que este disco é muito incoerente, e a segunda parte não consegue (por pouco) compensar a desilusão que foi a primeira. Espero que no próximo álbum, Sufjan tenha a lição bem estudada e nos apresente algo mais sólido.

Músicas obrigatórias:

- “Get Real Get Right”

- “Vesuvius”

- “I Want to Be Well”

- “Impossible Soul”

Nota Final: 7,2/10

E assim chega ao fim o nosso “2010 em Revista”. Como balanço, devo dizer que este ano foi bastante generoso no que toca à boa música. Tivemos lançamentos bastante bons, e que me deixaram absolutamente arrebatado. Claro que houve sempre alguns discos mais mauzinhos, mas nem sempre tudo corre pelo melhor, não é verdade? Agora, é esperar pelo Top 10 que sai amanhã, aqui, no Música Dot Com. Até lá!


João Morais