domingo, 17 de outubro de 2010

Ride the Lightning

Olá, meus leitores. Hoje, no Música Dot Com, vou pôr em análise o segundo disco dos Metallica, “Ride the Lightning”, que será o terceiro volume da colecção “Álbuns da Minha Vida”. Pois bem, comecemos.

Devo confessar que, de todos os álbuns dos Metallica, uma das minhas bandas favoritas de sempre, este é o meu predilecto. Apesar de “Master of Puppets” ser universalmente aclamado como o melhor álbum dos Metallica, e muitos críticos chegarem a considerá-lo o melhor álbum de Metal de sempre (opinião que compreendo, e em certa parte partilho), eu prefiro o “Ride the Lightning”, e a minha razão é bastante simples: penso que é a excelente combinação entre o trabalho mais Speed Metal do primeiro álbum, “Kill ‘Em All” e o Thrash Metal a pleno gás de “Master of Puppets”. Penso que o Thrash nasceu verdadeiramente em “Ride the Lightning”, apenas para ser “aperfeiçoado” em “Master...”. Claro que muitas pessoas podem discordar de mim, mas eu realmente acho que ali nasceu todo um género que viria a revolucionar a história do Metal.

Este álbum, o segundo da longa viagem dos Metallica nesta indústria musical, faz parte da série de cinco álbuns que creio que retêm grande qualidade: “Kill ‘Em All”, “Ride the Lightning”, “Master of Puppets”, “...And Justice For All”, e “Metallica” (também conhecido por “Black Album”). Todos estes álbuns mantêm um standard de qualidade muito difícil de atingir, fazendo com que os Metallica tivessem chegado a um patamar de consistência notável. A partir daí, todos sabemos o que sucedeu: “Load”, “ReLoad” e “St. Anger”, álbuns muito abaixo das expectativas dos fãs e dos críticos, e que reflectem um período numa banda com dificuldades em se encontrar. Depois, temos “Death Magnetic”, um ressurgimento do som de antigamente, muito bem recebido e que fez com os Metallica voltassem a um nível de segurança já há muito perdido.

Voltando a “Ride the Lightning”, creio que todas as músicas são “de antologia”, verdadeiros clássicos dos Metallica, e quem as ouvir vai entrar em contacto com uma sonoridade bem própria duma banda que inovou e que criou o seu próprio estilo, inspirado por bandas da New Wave of British Heavy Metal, como os Diamond Head, os Iron Maiden ou os Motörhead, bandas que foram de extrema importância para os Metallica. O som do álbum é mais polido do que o do seu antecessor, mas retém muita da “crueza” em termos de letras, que abrangem temas que são habituais no Thrash Metal: exclusão social, solidão, opressão ou descriminação são temas que o Thrash herdou do Punk Hardcore, fazendo do Thrash Metal, também, uma arma de intervenção contra o “status quo” duma sociedade que vêm como errada.

Se quiserem um introdução ao álbum, posso sugerir a faixa-título, “Ride the Lightning”, ao lado de músicas como “For Whom the Bell Tolls”, a poderosa balada “Fade to Black” ou “Creeping Death”, grandes títulos dos Metallica.

Em suma, este álbum é seminal para o movimento Thrash Metal e para o percurso dos Metallica enquanto banda, por isso, se é fã de Metal ou de boa música em geral e não se importa de se meter por caminhos mais pesados, este álbum é para si!

o Criador:

João Morais

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Postcards From A Young Man

Boas noites. Hoje, o Música Dot Com tem o prazer de vos trazer a review do mais recente álbum dos Manic Street Preachers: “Postcards From A Young Man”. Este álbum veio tentar seguir as pisadas do grande “Journal for Plague Lovers”, um álbum aclamado pela crítica e que devo confessar que me deixou deliciado. Vejamos se este “Postcards From A Young Man” consegue manter o nível de qualidade do álbum anterior.

James Bradfield, guitarrista e vocalista dos Manics, afirmou, antes do lançamento do álbum, que este disco não seria um seguimento do trabalho feito em “Journal for Plague Lovers”, e quem ouve este álbum consegue perceber claramente estas afirmações: enquanto que “Journal...” era mais abrasivo, mais crú e mais “duro”, este “Postcards From A Young Man” parece seguir a trilha de “Send Away the Tigers”. Isto porque tem uma sonoridade mais “acessível”, mais Pop, mas sem comprometer a mensagem que está sempre presente nos álbuns dos Manic Street Preachers: um certo inconformismo de quem está contra esta nossa sociedade de consumo dos dias de hoje. Eu sei, é uma contradição, mas Nicky Wire explica, dizendo que “quando tens uma mensagem para espalhar, há que espalhá-la ao maior número de pessoas possível.” Verdade seja dita, este som mais “Radio-Friendly” dos Manics já não é nada de novo, mas é de espantar depois do êxito que tiveram com “Journal...”. Nicky Wire e companhia decidiram apostar, e não se saíram nada mal.

O álbum, em si, está bem elaborado, com uma forte aposta em arranjos de cordas a acompanhar a banda, e um coro “Gospel” em quatro músicas. Não soam mal, mas, honestamente, tanto o coro como o acompanhamento clássico não fazem falta às músicas. Estas conseguem muito bem ter consistência por si próprias, sem precisar de apetrechos deste género. Contudo, este álbum carece dum brilho especial que o seu antecessor tinha. Apesar de não ter uma única má música (consegue-se ouvir duma só vez e pedir por mais), este “Postcards From A Young Man” sente a falta de uma certa “força”. Contudo, tem músicas que considero bastante boas: “A Billion Balconies Facing The Sun”, “Don’t Be Evil” e “Auto Intoxication” tornaram-se clássicos a partir do momento em que os ouvi.

Concluindo, “Postcards From A Young Man”é um bom álbum. Apesar de não conseguir ser tão bom como o seu antecessor, consegue, mesmo assim, ser um álbum capaz de nos deixar arrebatados. Após ouvirmos este disco, só podemos esperar que os Manic Street Preachers continuem a fazer o belo trabalho que têm feito.

Nota Final: 7,7/10

o Criador:

João Morais

sábado, 2 de outubro de 2010

A Thousand Suns

Olá a todos. Antes de começar a review, devo pedir desculpas pelo atraso no lançamento desta crítica, mas ontem não consegui acabar a review a tempo. Por isso, hoje, sábado, estou aqui para vos mostrar o meu ponto de vista sobre o mais recente álbum dos Linkin Park: “A Thousand Suns”. Ora comecemos.

Nos últimos tempos, todos os indícios apontavam para um provável regresso dos Linkin Park a uma sonoridade mais reminiscente do pré-“Minutes to Midnight”. Esses indícios passavam por declarações da banda acerca das sessões de gravação do álbum, e pelo facto de “Minutes to Midnight” ter sido mal recebido por muitos fãs mais antigos da banda e por grande parte da crítica especializada (eu achei o álbum abominável). Por isso, criou-se algum burburinho nos tempos que antecediam o lançamento de “A Thousand Suns”. E, falando por mim, sinto que essa expectativa foi defraudada, pois não só os Linkin Park não voltaram a um som mais parecido com o seu início de carreira, mas conseguiram fazer um álbum que, não sendo pior que o seu antecessor, é bastante mau.

O álbum, no seu todo, tem uma produção polida, mas no que toca à composição, devo confessar que o álbum falha redondamente. No geral, não parece ter canções, mas sim ideias soltas e dispersas, como se fosse uma grande “Jam session” convertida em formato de CD. Não digo que algumas dessas ideias não fossem boas, ou pelo menos aceitáveis, mas em “A Thousand Suns”, vê-se claramente que o grupo de Chester, Mike Shinoda e companhia não soube pô-las em prática duma forma coerente, lógica, e em momentos, audível. Tenho pena em dizer isto, mas parece que os Linkin Park perderam a capacidade de fazer um bom álbum.

Pautado por uma mistura de Hip-Hop e Rock “radio-friendly”, este álbum segue a trilha de “Minutes to Midnight” na sua capacidade de vendas, mas não vê isso aliado a uma qualidade musical verdadeira. Apesar disso, “A Thousand Suns” contém dois momentos que considero que mantém o álbum acima do nível de “lixo”: “Waiting for the End”, que apesar de não trazer nada de novo, fica no ouvido e não é nada desagradável, e “The Messenger”, uma surpreendente balada acústica que mostra um lado diferente dos LP, que me agradou. Contudo, estas duas músicas são incapazes de trazer o álbum para um patamar mais alto. No entanto, seria bom que os Linkin Park soubessem aproveitar estas duas músicas e criar algo a partir daí.

Em suma, “A Thousand Suns” é um mau álbum. Não tem brilho, não tem qualidade e não tem audácia. Falta-lhe tudo para ser um bom álbum. Espero que os Linkin Park saibam encontrar de novo o bom caminho, mas pelos vistos estão completamente perdidos.

Nota Final: 3,0/10

o Criador:

João Morais

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Hurley

Olá, amantes de música. Hoje, sexta-feira, é dia de review semanal, neste novo calendário de Inverno que o Música Dot Com passou a adoptar. E para marcar este regresso à escrita, decidi avaliar o mais recente álbum da banda americana Weezer: “Hurley”, que saiu no dia 10 de Setembro. Ora comecemos.

Para começar, devo confessar que nunca acompanhei muito de perto os Weezer. Conheço os seus hits, e sei que fazem um Rock Alternativo interessante, mas é só isso. Por isso, não sabia bem no que me ia meter quando comecei a ouvir “Hurley” (o disco com a capa mais insólita que já vi, devo admitir), mas a verdade é que dei de caras com um álbum engraçado. As músicas são giras, ficam no ouvido, e nota-se que o álbum está bem produzido. Apesar de eu gostar de álbuns mais “crus”, o som polido de “Hurley” não fica mal, e vai na calha do que eles costumam fazer. As letras são engraçadas, chegando a ser disparatadas (“Where’s My Sex” foi escrita, segundo o vocalista Rivers Cuomo, ao substituir a palavra “Socks” pela palavra “Sex”, e o resultado é... bem... interessante), mas no final do dia cumprem o seu objectivo: entreter. Não sendo um álbum de antologia, e não ficará para a história, “Hurley” prima pela sensação de satisfação que nos traz depois de ouvirmos. Percebemos que estes rapazes não estão à procura de reconhecimento por parte dos críticos, pois não se preocupam nem um pouco com isso, o que resulta numa frescura e jovialidade que irá certamente agradar os fãs. Neste disco, os Weezer não arriscam muito nem experimentam, mas podem ficar orgulhosos deste álbum.

Apesar deste álbum às vezes ter “momentos mortos”, ou seja, músicas que não aquecem nem arrefecem, este disco conta também com um trio de músicas que, devo admitir, considero espectaculares: “Memories”, o single de avanço, “Hang On”, com um espírito roqueiro bastante agradável, e “Time Flies”, que tem um “feeling” acústico muito positivo. De resto, o álbum é todo “audível”, mas não aconselho ouvirem muitas vezes de seguida. Este álbum fraqueja nesse ponto. Passada a novidade, torna-se num álbum que perde o seu brilho e não dura.

Concluindo, “Hurley” é tudo o que poderíamos esperar dum álbum dos Weezer. Divertido, bem produzido e interessantemente estruturado, é suficiente para mostrar que Rivers Cuomo e companhia estão aqui para ficar. E isso não é uma coisa má.


Nota Final: 7,7/10


o Criador:

João Morais

terça-feira, 14 de setembro de 2010

In Utero

Hoje, no Música Dot Com, damos início ao segundo capítulo da saga “Álbuns da Minha Vida”, com um dos meus álbuns favoritos dos anos 90: “In Utero”, dos Nirvana. Apesar de “Nevermind”, o álbum anterior a este, ser considerado por muitos “o grande disco” dos Nirvana, eu tendo a gostar mais deste 3º e último álbum da banda de Seattle. Ora vejamos porquê.

Para começar, este álbum tem a minha música favorita dos Nirvana: “Heart-Shaped Box”. Inspirada na relação (conturbada) entre Cobain e Courtney Love, a música é, para mim, o melhor exemplo das letras crípticas e a guitarra simples e distorcida que caracteriza os Nirvana. Depois, temos outros clássicos, como “Rape Me”, ou “Serve the Servants”, que aqui serve como abertura do disco, que contrastam com outras músicas, que por serem muito mais alternativas, não entram tão facilmente no ouvido, mas que para mim são verdadeiras obras-primas, como “Radio Friendly Unit Shifter” ou “Scentless Apprentice”. Estas músicas verdadeiramente prestam tributo às bandas de Rock Alternativo dos anos 80 que serviram de inspiração aos Nirvana, como Sonic Youth, Dinosaur Jr. ou Pixies. E como complemento temos “Dumb”, uma música mais calma, a balada do álbum, mas que mantém os temas corrosivos sempre presentes.

Este álbum, que foi gravado com o produtor Steve Albini, que produziu “Surfer Rosa”, dos Pixies (banda predilecta de Kurt Cobain), é, a meu ver, aquele em que os três elementos da banda se juntam melhor em estúdio, por oposição à desintegração do grupo, que nesta altura já era visível por quem os rodeava. Cobain já não estava interessado em trabalhar com Novoselic nem com Grohl, e isso traduziu-se numa maior crueza do som, e numa maior amargura das letras, que ironicamente produziram a melhor obra da banda. Pode não ser um álbum seminal do Rock Alternativo, mas pode ser considerado uma belíssima peça do género. Também tem o valor de ser o derradeiro disco da "cena de Seattle"(vulgo Grunge, termo que desvalorizo), pois cerca de um ano após o lançamento do LP, Cobain morre e a "cena" perde o seu líder. Por estas razões, este álbum está envolto numa mística, que aliada a uma sonoridade bastante interessante, e de qualidade, produz um disco para mim deveras especial.

Se desconhecem o álbum e procuram por onde começar, posso recomendar as faixas “Heart-Shaped Box”, “Radio Friendly Unit Shifter” e “Dumb”, pontos de partida obrigatórios do álbum que veio a seguir ao “álbum que marcou a década”.

Resumindo, este disco costuma viver na sombra de “Nevermind”, por razões óbvias, contando-se entre elas a diferença de apelo comercial entre os dois discos. No entanto, quem gosta de Rock Alternativo, Nirvana, ou apenas de boa música não irá ficar desiludido.

o Criador:

João Morais

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Interpol

Uma das bandas mais conhecidas do movimento Post-Punk Revival, os Interpol são uma das bandas que vêm cá em Novembro deste ano, mais concretamente a 12 desse mês. Com eles trazem este álbum homónimo, “Interpol”, que estive a ouvir atentamente para fazer a review. Ora vejamos o que é que os nova-iorquinos estiveram a fazer.

Este álbum, o quarto de originais, foi o último a contar com o baixista Carlos Dengler, considerado por muitos uma das peças fundamentais da banda, devido às suas linhas de baixo imponentes e que servem de fio condutor das músicas do grupo. Pouco depois de terminadas as gravações do álbum, Dengler saiu da banda, estando desagradado com a forma como as coisas corriam. Sendo assim, este álbum é o último com Dengler “a bordo”, e por isso foi muito aguardado por fãs e críticos. Será que depois do menos conseguido “Our Love To Admire” os Interpol conseguiriam “tirar um coelho da cartola”? Bem, depois de ouvir o álbum na íntegra, a impressão que o álbum me dá é que, apesar do álbum ser bom, não consegue chegar ao nível que os dois primeiros, “Turn On the Bright Lights” e “Antics” atingiram.

Não me interpretem mal, o álbum está bem construído e bem conseguido, com a voz grave de Paul Banks a inserir nas músicas um tom dramático já familiar, juntando a uma bateria segura de Sam Fogarino, e o já referido baixo poderoso de Carlos Dengler a trazer força às músicas, e com a guitarra tristonha de Daniel Kessler a completar o embrulho. A nível lírico, o álbum segue a linha do “prato da casa” dos Interpol, com as letras sombrias a marcarem presença. No entanto, denotei que neste álbum falta uma certa garra e velocidade na sonoridade, sendo assim, um álbum marcado por músicas mais vagarosas e lentas.

Devo assinalar que este álbum contém, no entanto, duas músicas que considero de grande qualidade: “Success”, a faixa que abre o disco, e “Barricade”, o single de estreia. Essas duas músicas serão, provavelmente, as mais memoráveis, e que irão perdurar.

Em suma, “Interpol” é um álbum bom, mas apenas conta com duas músicas dignas de nota, com o resto a cair na categoria de “enchimento”, que é como quem diz, músicas que não aquecem nem arrefecem. Um álbum dominado por um ritmo mais lento e menos mexido, que apesar de ter qualidade, tende a tornar-se enfadonho depois de um certo tempo. Contudo, os fãs da banda deverão gostar do álbum, pelo seguimento que dá ao trabalho já mostrado.

Nota Final: 7,9/10

o Criador:

João Morais

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Surfing the Void

Boa noite, ouvintes de música. Hoje, trago-vos um álbum de uma das bandas que mais “hype” recebeu nos últimos tempos. Falo-vos, portanto, dos Klaxons. O seu álbum de estreia, “Myths of the Near Future”, recebeu críticas positivas das mais variadas fontes, e recebeu Mercury Prize, um dos prêmios mais conceituados do Reino Unido. Vejamos se o seu sucessor, “Surfing the Void”, está ao mesmo nível.

Bem, para começar, a minha opinião do primeiro álbum dos Klaxons não condiz com a da crítica generalizada. Sim, é um bom primeiro álbum, no entanto, creio que o disco não é a “obra-prima” que revistas como a NME nos tentaram vender. Apesar de ter singles portentosos, não passa a faixa do mediano. Tendo isso em conta, a minha apreensão para com este “Surfing the Void” era compreensível. Será que este álbum iria, pelo menos, manter os standards de qualidade que o primeiro registo nos deu, ou será que, pelo contrário, devido à popularidade (a meu ver, exagerada), os Klaxons “se iriam abaixo”? A minha resposta é que o álbum, apesar de não ser nada de espectacular, consegue manter os níveis anteriores. Posto isto, posso afirmar que a minha opinião do disco é que, tal como o “Myths...”, “Surfing the Void” não é nenhuma obra-prima. É um álbum “bom”, que é como quem diz, não desilude. No entanto, não compensa a espera de três anos, algo que a meu ver é demasiado para uma banda “principiante”. Uma das causas dessa demora foi o aparente desacordo com a editora, a Polydor, que em Março de 2009 recusou lançar os resultados das primeiras sessões de gravações por achar que eram “demasiado experimentais para serem comercializados”. Sendo assim, os Klaxons decidiram voltar a regravar aquilo que tinham, tratando de tornar o álbum em algo “menos Prog Rock”. E o resultado está à vista. Passados do Nu Rave, movimento que ajudaram a difundir, converteram-se ao Rock Alternativo e Electrónico, decididos a não repetir a fórmula do primeiro álbum. E apesar da diferença abismal (fiquei surpreendido pela evolução do som deles, para algo mais “Roqueiro”), a verdade é que o álbum padece do mesmo sintoma do anterior: é um disco muito “normal”, sem pontos de destaque, à excepção de “Echoes”, single de estreia, “Flashover” e “Cypherspeed”, músicas que me fizeram “levantar as orelhas”. Tirando isso, todo álbum soa a igual, com as músicas a darem-nos a tendência a querer passar à frente a meio.

Em suma, “Surfing the Void” não é um mau álbum, no entanto, falha em causar um impacto maior que o seu antecessor, “Myths of the Near Future”, caindo na prateleira de “Álbuns que daqui a 20 anos ninguém se vai lembrar que foram lançados”. Esperamos mais para a próxima.

Nota Final: 6,9/10

o Criador:

João Morais

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

The Final Frontier

Saudações, amantes da música, e visitantes deste meu humilde canto cibernético. Hoje, para cumprir a review semanal, decidi ouvir e analisar o último álbum dos Iron Maiden, “The Final Frontier”. Porém, antes de começar a falar no álbum em si, tenho de fazer uma confissão. Nunca fui grande fã de Iron Maiden. Apesar de vibrar com algumas músicas (“The Trooper”, “Run to the Hills”, “The Number of the Beast” ou “Fear of the Dark” são marcos incontornáveis do Metal), nunca fui muito à bola com eles, sobretudo por culpa da voz de Bruce Dickinson, que nunca apreciei. No entanto, reconheço a sua importância na cena musical mundial, e por isso empenhei-me em fazer esta review, sendo sempre o mais imparcial possível. Posto isto, iniciemos.

Ao ouvir o álbum, devo dizer que há algo que me agrada mais neste disco (o décimo quinto do grupo inglês) do que em qualquer outro registo: a voz de Bruce Dickinson, muito provavelmente por causa da idade, já não está tão aguda. Para os fãs, isto pode ser desastroso, mas na minha opinião, dá uma maior crueza às músicas, pois a voz passa a ser , desculpem-me a expressão, mais “máscula”. Ainda existem, é claro, algumas ocasiões onde Dickinson dá largas à sua voz típica, mas contudo, no geral, a voz está mais sóbria. Isto, a meu ver, dá mais valor à obra.

Passada a voz, devemos falar no instrumental. Os Maiden, sejamos honestos, são uma banda que não sabe tocar mal. Podem não inovar muito, mas de álbum para álbum devemos reconhecer que está lá técnica e mestria no que estes “meninos” fazem. A verdade é que legado já eles têm, por isso estão numa posição de conforto onde podem fazer o que quiserem, pois um lugar no panteão da música mundial já está garantido. No entanto, este álbum denota uma influência de sonoridades mais Progressivas, o que mostra um desejo de inovar e de experimentar. Apesar de velhos, os Maiden ainda desejam mostrar que sabem mudar. Pode não ser muito (a formula típica e vencedora que caracteriza o seu trabalho continua lá: instrumentais Metal grandiosos e letras crípticas e ocultas), mas demonstra uma banda que não quer ficar “parada” a ganhar pó.

No entanto, e apesar das mudanças, a verdade é que este álbum não traz nada de verdadeiramente novo. Apesar da inovação e mudança, se despirmos as músicas ao seu essencial, veremos tudo o que já foi feito nos 14 álbuns que antecedem este “The Final Frontier”. Não que seja inteiramente mau, pois em equipa ganhadora não se mexe, mas, pelo menos a mim, já farta.

Contudo, houve momentos no álbum que eu apreciei verdadeiramente, e que me fizeram duvidar que este se tratasse mesmo do novo álbum dos Maiden. O ponto mais alto do disco é, sem dúvida, “When the Wild Wind Blows”. Com várias músicas numa só, é quase que um “livro” épico em forma de música. Vai ser, com certeza, a preferida de muitos. Devo também dizer que gostei muito de “Starblind”. Uma música com muito “pulso” e um riff bastante viciante, que nos agarra e nos dá vontade de abanar a cabeça. Também temos “The Talisman”, com uma intro baladeira muito calminha, mas que explode para um clímax bastante rápido, ao bom estilo dos Iron Maiden. E temos, como é claro, “El Dorado”, o single de estreia, que tem uma linha de baixo forte e viciante, e que mostra muita vitalidade. Nestas faixas, sobretudo, encontramos o ponto de encontro entre o “velho e o novo”. No entanto, no resto do álbum, as músicas soam a “mais do mesmo”, ou seja, está tudo demasiado uniforme, e sem nada que nos prenda à música.

Por isso, e em jeito de conclusão, digo: este álbum está bom, mas podia ter ficado melhor. Esperemos é que os Maiden sejam como o vinho, ou seja, melhorem com o passar dos anos.

Nota Final: 7,3/10

o Criador:

João Morais

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols


Por votação popular (ou por falta dela), decidi fazer a review dum álbum já velhinho, que me marcou especialmente. Este álbum irá abrir a nova rubrica deste blog, que se irá chamar “Álbuns da Minha Vida”, e que terá como tema álbuns que eu acho excepcionais, e que acho essenciais para qualquer ouvinte que aprecie música. Por isso, decidi começar com “Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols”, um dos melhores álbuns que já ouvi. (A review do mais recente álbum dos Iron Maiden, “The Final Frontier”, virá na próxima segunda-feira, depois de o analisar melhor).

Os Sex Pistols, banda Punk britânica, são uma das mais conhecidas bandas de sempre. Vindos de Londres, e formados em 1975, foram uma das bandas mais polémicas de sempre, com a sua formação inicial composta pelo controverso vocalista Johny Rotten (ou John Lydon), o guitarrista Steve Jones, o baixista Glen Matlock (mais tarde substituído pelo malogrado Sid Vicious, conhecido pelo comportamento violento e pela falta de talento musical) e o baterista Paul Cook. No entanto, para a gravação do álbum (único da sua carreira discográfica), apenas Rotten, Jones e Cook gravaram. Matlock tinha sido despedido (reza a lenda que foi por gostar de Beatles) e Vicious estava debilitado com Hepatite. Por isso, o trio meteu-se a estúdio, e em 1977 gravou as 12 músicas que compõem o disco. Essas 12 músicas iniciaram uma autêntica revolução, mais que musical e cultural, mas social. Apesar de outras bandas Punk já existirem (os Clash tinham lançado o seu primeiro álbum antes de “Never Mind the Bollocks...”, em Fevereiro de 1977, e os New York Dolls já tinham passado de Proto-Punk para Punk), este foi o verdadeiro início do Punk enquanto género. Especialmente “Anarchy in the U.K.” e “God Save the Queen” chocaram a sociedade e os seus valores, normas e princípios. Nunca nenhuma banda tinha ousado criticar tão abertamente a monarquia britânica. Não é de espantar que inúmeros concertos tenham sido cancelados, a mando das autoridades. Nunca ninguém tinha ousado ir tão longe quanto estes senhores.

Musicalmente, este álbum prima pela distorção da guitarra de Steve Jones, com um som duro, muito “rasgado”, quase tão provocador quanto os vocais de Johny Rotten, que são caracterizados pela propositada falta de afinação, a forma como as letras são “cuspidas”, com raiva e provocação, e a bateria bem ritmada de Cook, a definir a passada de cada música. Ao contrário do mito, os Pistols sabiam tocar. Podiam não ser a melhor banda no que toca à técnica, mas a sua música tinha um significado, que importava mais que coisas insignificantes como a afinação.

A meu ver, todas as músicas são obrigatórias, mas para aqueles que desejam começar por algum lado, sugiro as “óbvias” “God Save the Queen”, “Pretty Vacant” e “Anarchy in the U.K.”, acompanhadas das minhas favoritas “Holidays in the Sun”, “No Feelings” (aquele riff inicial é algo do outro mundo), e “E.M.I.”. Por aí, podem ver bem o estilo da banda londrina que revolucionou o mundo.

Portanto, e em suma, este álbum é o primeiro daquilo que podem considerar a minha rubrica de “João Morais aconselha”. São álbuns que me marcaram e que acho que vos poderão interessar. Posto isto, espero se dêem ao trabalho de, pelo menos, experimentar. Adeus, e até para a semana.

o Criador:

João Morais

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

High Violet

Antes de começar a review deste álbum quero agradecer a todos aqueles que aderiram ao grupo do Facebook do Música Dot Com. É bom ver que tanta gente se juntou ao grupo em tão pouco tempo. Graças a vocês, pode ser que este blog evolua e se torne numa coisa mais séria. Posto isto, gostava de vos falar deste “High Violet”, dos The National. É o seu 5º álbum de estúdio, e foi lançado a 10 de Maio deste ano. Por falta de novos álbuns, decidi ouvir de novo e escrever sobre este álbum. Vejamos se os The National fizeram algo de jeito.

Os The National, para quem não os conhece, são uma das grandes bandas do Indie actual. Com influências em bandas como Joy Division ou Wilco, estes senhores atingiram uma posição muito respeitada no panorama musical actual, graças a “Alligator”, e o seu brilhante sucessor “Boxer”. Por isso, os The National tinham uma responsabilidade acrescida para este “High Violet”, pois imensa gente esperava ansiosamente para saber se eles poderiam fazer melhor do que em 2007. E infelizmente, o álbum não chega lá. Apesar de não ser um mau álbum, muito pelo contrário, a verdade é que “Boxer” tem algo que “High Violet” não tem. No entanto, este não deixa de ser um bom álbum, muito bom, poderei até dizer. Depois do som mais trabalhado de “Boxer”, a banda decidiu não dar continuação e voltar a um som mais “cru”, reminiscente de “Alligator”. Isto mostra uma banda que, apesar de ter encontrado uma fórmula de sucesso, claramente não deseja repetir-se, algo que eu vejo com bons olhos.

O álbum abre muito bem com “Terrible Love”, e ao longo do registo pode-se ouvir músicas que eu considero autênticas pérolas, como o single de estreia “Bloodbuzz Ohio” ou “Lemonworld”. “Runaway”, a música acústica do álbum, soa a desespero traduzido em música, uma delícia. “Conversation 16” tem uma energia imensa vinda da combinação da guitarra e da bateria, e “England” é uma pequena caixinha de surpresas que se vai desembrulhando até chegar a um clímax vigoroso. Com músicas assim, nunca poderia ser um mau álbum. No entanto, o resto das músicas, não sendo más, não são memoráveis, o que deixa o álbum um pouco “disperso”.

Em suma, “High Violet” é um bom álbum. Pode não superar o seu antecessor, mas não envergonha quem o fez. E os fãs da banda irão com certeza vibrar com este registo.

Nota Final: 8,3/10

o Criador:

João Morais